terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A história de um crente que se desviou no Seminário

Aos dezesseis anos, Jonas vivenciou uma genuína experiência de novo nascimento. Foi num acampamento promovido pela igreja durante o carnaval. Na segunda-feira, por volta de sete e meia da manhã, orando com os irmãos antes do café, o rapaz que até então não se interessava pelo Evangelho e frequentava os cultos por puro hábito foi tomado por uma forte convicção de seus pecados e de sua dependência da graça divina. Trêmulo e profundamente comovido, clamou pelo perdão de Deus e entregou a vida a Cristo.

Por dois anos consecutivos, Jonas viveu o primeiro amor. Tornou-se assíduo participante da Escola Bíblica Dominical, evangelizou amigos, vizinhos, colegas de escola e parentes. Logo passou a sonhar com o ministério pastoral, expôs seu desejo aos pastores da igreja, e, assim que concluiu o ensino médio, prestou vestibular para Teologia, tendo sido aprovado em primeiro lugar no exame. No dia exato em que completou dezoito anos, o jovem iniciou os estudos num dos Seminários Teológicos mais respeitados do Brasil.

Logo na primeira semana um acontecimento transformou de modo radical a vida de Jonas. No auditório, com a presença dos alunos do primeiro ao último período, foi ministrada pelo diretor do Seminário, um renomado doutor em Teologia, a aula inaugural com o tema “Os Novos Rumos do Cristianismo”. Ali, durante uma hora e meia, o palestrante expôs ao ridículo as principais doutrinas bíblicas do Evangelho que compunham a fé do calouro Jonas, em especial o tema da ressurreição de Cristo. As palavras do experiente teólogo destruíram irremediavelmente o sonho de um rapaz que acreditava em Deus com a simplicidade de uma criança.

Ele não dormiu naquela noite, e mal pode dormir durante duas semanas. Pensou em abandonar o Seminário – deveria tê-lo abandonado e buscado aconselhamento com algum pastor da sua igreja – mas, num misto de orgulho e vergonha, decidiu permanecer ali. Expôs suas dúvidas a alguns professores, os quais, gentilmente, explicaram que aquela crise era “normal”, confessaram terem vivido situações semelhantes e, por fim, acolheram o talentoso aluno. Incentivado por seus mestres e colegas, Jonas mergulhou fundo nos estudos, devorando livros de autores como Rudolf Bultmann e Paul Tillich. Graduou-se em Teologia, fez mestrado, doutorado e tornou-se professor na mesma instituição teológica onde se formou. Jamais exerceu o pastorado ou qualquer outro ministério em igreja.

Ao longo de vinte e cinco anos, Jonas construiu uma carreira brilhante como acadêmico. Lecionou a dezenas de turmas, tendo propagado, com argumentos ainda mais firmes e contundentes, o mesmo ensino que arruinou sua fé quando ainda era um calouro assistindo à aula inaugural do curso de Teologia. Contribuiu decisivamente para que centenas de seus alunos deixassem de crer na veracidade dos relatos bíblicos (alguns vieram a rejeitar o cristianismo e tornaram-se agnósticos ou ateus convictos). Mas uma grave enfermidade interrompeu-lhe a jornada acadêmica e, em apenas um mês, tirou-lhe a vida.

No leito do hospital evangélico, Jonas viveu a terceira experiência decisiva de sua vida. Durante o horário de visitas, alguém bateu à porta do apartamento doze, a esposa do paciente abriu e ali entrou um rapaz de apenas dezoito anos, carregando uma Bíblia nas mãos. Depois de pedir permissão para se aproximar, o jovem leu o texto bíblico de Romanos 8:31-39 e passou a anunciar as boas-novas de Cristo com alegria contagiante. Então, durante a exposição, a graça de Deus tomou o coração de Jonas com vigor idêntico ao do dia de sua conversão. Compreendeu que, no Calvário, foi pago o preço de todos os seus pecados. E chorou abundantemente, glorificando ao Senhor de todo coração.

No dia seguinte, diante da esposa e filhos, Jonas, com voz ofegante e quase sem forças, declarou arrepender-se de toda a sua trajetória como professor de Teologia. Lamentou por ter sido instrumento de incredulidade perante os seus ex-alunos, engrandeceu o Nome de Cristo Jesus e afirmou solenemente que o Filho de Deus veio ao mundo, morreu na cruz a fim de salvar pecadores, ressuscitou dentre os mortos e em breve voltará à terra. Exortou toda a família a crer no Evangelho e a não permitir que ninguém lhes roube a fé. Em seguida, dirigiu algumas palavras de amor a cada um de seus entes queridos e passou a dar graças ao Deus Pai, Filho e Espírito Santo, até seu último fôlego de vida.

sábado, 10 de dezembro de 2016

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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Amarás o teu próximo como a ti mesmo

O capítulo 13 da carta de Paulo aos Romanos contém uma belíssima lição sobre o significado do amor ao próximo, e uma explicação muitíssimo pertinente a respeito do que é pecar contra os nossos semelhantes. Eis o texto: “Por isso: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Rm 13:9). Neste versículo a Bíblia nos ensina que pecado é sinônimo de falta de amor.

Muitos de nós, talvez a maioria, aprendemos desde cedo que Deus simplesmente prescreve uma lista de proibições e, se alguém fizer algo proibido comete pecado. Existem membros de igrejas que mantém esse entendimento equivocado e o ensinam para os próprios filhos até hoje. Não é sem motivo que os incrédulos imaginam o Deus dos cristãos como um ser caprichoso, um desmancha-prazeres que só sabe dizer “não” às nossas vontades. Nossa falta de discernimento faz com que o Senhor pareça injusto, quando, na verdade, Ele é perfeitamente justo, e Seus mandamentos, bons.

Leiamos os versículos 12 a 17 do capítulo 20 de Êxodo, que contém os seis mandamentos específicos sobre nosso relacionamento com o próximo: “Honra teu pai e tua mãe (…). Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás...”. Neles recebemos instruções que, por analogia, se aplicam a inúmeras situações do nosso dia a dia. Por exemplo, o conceito de “pai e mãe” deve ser ampliado a fim de contemplar outras pessoas incumbidas de cuidar de nós e exercer algum tipo de autoridade à qual devemos nos submeter. O entendimento sobre o que é adultério precisa ir além, significando toda forma de sexualidade pervertida. O conceito de furto deve incluir as diversas maneiras de expropriação do patrimônio alheio. Falso testemunho inclui fofoca, calúnia, difamação, mentir em juízo, etc.

Se analisarmos séria e honestamente cada uma das prescrições de Deus, veremos que o Senhor proíbe somente o mal. Sua proibição tem por alvo atitudes que refletem egoísmo, desprezo pelas necessidades, direitos e anseios dos nossos semelhantes, disposição para ganhar fazendo com que os outros percam. Nenhum dos mandamentos foi dado sem motivo e, ainda que a sociedade tolere e banalize o descumprimento de qualquer um deles, o resultado da violação continua sendo mau e injusto. Desobedecer às ordens do Senhor gera sofrimento, pois Ele no-las deu para o bem do próprio ser humano. Esta é a verdade que muitos insistem em ignorar.

A falta de amor, de tão corriqueira, tornou-se de fato banalizada. Pessoas usam umas às outras a fim de obter lucro fácil, satisfazer impulsos sexuais torpes, extravasar rancores e frustrações, alcançar fama e status social, conquistar poder e outros supostos ganhos. Pecar contra o próximo é tratar o outro como coisa descartável. Isso sempre gera consequências, mesmo quando a outra pessoa voluntariamente se dispõe a servir de objeto, ou quando o tratamento injusto é recíproco. Ninguém sai ileso depois de experimentar o pecado, não existe neutralidade nessa área. As feridas surgem mais cedo ou mais tarde, e somente a graça de Deus pode curá-las.

O amor, por sua vez, promove famílias unidas, nas quais o respeito e a consideração de uns pelos outros é real. Produz casamentos sólidos, felizes, marcados pelo carinho, amizade e intimidade prazerosa entre os cônjuges. Gera ambientes de trabalho agradáveis e produtivos, com tratamento digno e remuneração justa para todos os envolvidos. Permite que existam sociedades livres da corrupção, ordeiras, nas quais se pode desfrutar de boa qualidade de vida. Esta é a vontade de Deus para os relacionamentos interpessoais, e a receita é simples: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12:31). Não existem atalhos nem caminhos alternativos para conquistarmos qualquer uma dessas grandes bênçãos. Ah, se nós entendêssemos as palavras do Senhor e nos empenhássemos em vivê-las!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Frutos de arrependimento

O texto do Evangelho de Lucas 3:1-20 descreve o ministério de João Batista, o servo de Deus incumbido de preparar o caminho do Senhor. Relendo essa passagem, me chamou a atenção o tom grave e urgente da pregação daquele profeta ao anunciar a vida de Cristo. Especialmente no versículo 17, o Filho de Deus é apresentado como o supremo Juiz, que recolherá o trigo no celeiro (levará os crentes para o céu), mas queimará a palha (isto é, os incrédulos) com fogo que não se apaga (ou seja, no inferno). As palavras de João podem soar estranhas e até contraditórias, já que o Senhor Jesus veio à terra, não com o propósito de condenar, mas de salvar o mundo (João 3:17).

Na verdade, porém, não há contradição alguma no discurso de João. A graça de Deus estava prestes a vir ao mundo, como de fato veio na bendita Pessoa de Cristo. Cabia então ao povo de Israel arrepender-se de seus pecados e mudar seu próprio modo de vida. O mesmo cabe a todos quantos recebem da mesma graça. Pois, se o Todo-Poderoso nos ama antes que O amemos; vem até nós e nos acolhe, sem que tenhamos feito coisa alguma para agradá-Lo; adota-nos como filhos por causa de Seu amor generoso; se Ele faz tudo isso, que nos resta então? Continuarmos vivendo exatamente como vivíamos antes? É evidente que não.

Quem ouvia a pregação de João Batista acolhia suas palavras. “Que devemos fazer?”, perguntavam eles, e a resposta, simples e prática, tratava daquilo que precisava ser modificado no viver cotidiano das pessoas. A quem não sabe repartir, a ordem era distribuir roupa e alimento aos pobres. Para os cobradores de impostos, notórios corruptos, João dizia: “não cobreis mais do que o prescrito”. Aos soldados, que abdicassem de práticas violentas e fraudulentas. A graça mais sublime estava prestes a Se manifestar, por isso o povo daquela região precisava rever conceitos e, principalmente, atitudes.

Hoje não pode ser diferente. Jesus Cristo, o Salvador, veio, realizou a Sua obra perfeita, subiu aos céus e enviou-nos o Espírito Santo. Fomos tocados por esse amor sublime, glorioso, incomparável? Cremos no Evangelho? Somos filhos amados do Pai Celeste? Então temos que produzir frutos dignos de arrependimento! Qual é a área específica de nossas vidas que deve ser transformada, a fim de cumprirmos a vontade do nosso Deus, claramente expressa nas Escrituras? Cada um de nós tem os seus pecados particulares que devem ser abandonados, com a ajuda do Senhor. E, coletivamente, nós que nos confessamos crentes em Jesus também temos muito o que mudar. No nosso testemunho público como Igreja do Senhor, no nosso modo de cultuá-Lo dentro e fora do templo, na maneira como influenciamos (ou, quem sabe, deixamos de influenciar) a sociedade brasileira.

A graça está entre nós, o amor do Pai tem sido real para conosco, e isso é motivo para nos arrependermos. Negligenciar tão grande salvação é, acredito eu, a pior postura e o mais horrível de todos os pecados. Entender a graça como uma licença divina para vivermos como nos convém é um insulto ao Rei dos reis. E, honestamente, a Igreja Evangélica tem negligenciado o arrependimento dia após dia, e isso há décadas! Que Deus nos ajude a mudarmos nossa postura, antes que venha o Justo Juiz para, finalmente, recolher o trigo no celeiro e lançar a palha imprestável no fogo eterno!