segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Alegria, uma prioridade para os crentes

O Salmo 100, no versículo 2, nos exorta: “servi ao SENHOR com alegria”. Escrevendo aos filipenses, o apóstolo Paulo lhes dirige estas palavras: “Alegrai-vos no Senhor” (Filipenses 3:2), “alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Filipenses 4:4). João, em sua primeira epístola, afirma logo no quarto versículo: “estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa”. O próprio Senhor Jesus, ceando pela última vez com os discípulos, disse-lhes: “tenho vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo” (João 15:11). A alegria é algo absolutamente essencial, prioritário para os crentes!
 
Infelizmente, a alegria não faz parte da vida de muitos cristãos. Em seu livro “Depressão Espiritual”, D. Martyn-Lloyd Jones trata esta verdade em detalhes, apontando sintomas e a cura para o problema. Uma das advertências do Dr. Jones é que os cristãos tristes e abatidos dão um péssimo testemunho público, a ponto de fazerem os incrédulos não desejarem conhecer a Cristo. De fato, existem crentes vivendo piedosamente, perseverando nas reuniões da igreja, mas seu jeito de ser desanimado e sisudo faz a vida cristã parecer pior que a existência fútil dos ímpios. E isso é um absurdo.
 
Se nossa atenção estiver voltada a este mundo, não teremos nenhum motivo para nos alegrarmos. O pecado de Adão trouxe fadiga, cardos e abrolhos. A realidade ao nosso redor é de dificuldades, injustiças, desgastes, perigos e sofrimentos de toda espécie. E tudo isso é pouco, quase nada, se comparado aos horrores do inferno, o destino eterno dos inimigos de Deus. Mesmo assim, nós, crentes remidos e lavados no sangue do Cordeiro, temos motivos para vivermos em constante alegria. Somos filhos do Pai Celeste, pertencemos ao Senhor Jesus e ninguém nos arrebatará de Sua mão. Possuímos um tesouro imperecível no céu, a glória eterna nos aguarda. Será pouco tudo isso?
 
Entretanto, temos mais. O Espírito Santo habita em nós, e Ele é nosso consolo em todas as horas. Cristo está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos. O Pai nos ama e cuida de nós. Quando oramos a Ele em nome de Jesus somos prontamente ouvidos. O Senhor Jesus intercede em nosso favor. O Espírito Santo nos ajuda a orarmos, intercedendo também em nosso favor com gemidos inexprimíveis. O Pai fala conosco pela Sua Palavra, dando-nos direção. Nosso presente é abençoadíssimo, e não somente o nosso futuro. Nossa condição espiritual é completamente distinta do restante da humanidade!
 
Que Deus nos dê a graça de pararmos de procurar alegria nas coisas passageiras deste mundo. A vida aqui, mesmo vivida com saúde, fartura de bens, ausência de problemas e amplas oportunidades para desfrutarmos de muitas coisas (viagens, eventos culturais, etc), nunca nos satisfará. A excelência está em Deus, só Ele pode nos trazer plena satisfação e infinito gozo. E nós, crentes, possuímos esse tesouro! Podemos continuar pensando de forma medíocre, que temos a obrigação de nos santificar e o dever de obedecer ao Senhor, caso contrário sofreremos ainda mais. Mas o pensamento correto é este, o de que somos privilegiados por servirmos ao eterno Deus, nosso Pai. Fomos chamados a propagar o Seu Reino na terra, e esta é a missão mais sublime possível. Temos a maravilhosa incumbência de fazer novos discípulos de Cristo, os quais serão recebidos também como filhos pelo Pai Celeste. E em breve o Rei virá nos buscar para morarmos eternamente com Ele! Esta é a essência da verdadeira alegria.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O dia do Senhor

Nesta postagem teceremos algumas considerações sobre a adoção do domingo como dia consagrado ao culto, o novo Sabbath da igreja. Não há unanimidade entre os crentes, os cristãos evangélicos bíblicos, sobre o assunto. Nosso propósito é incentivar os irmãos a refletirem seriamente no tema “o dia do Senhor”, a fim de fazerem o melhor para que suas vidas glorifiquem ao Deus vivo.
 
Há irmãos contrários à escolha de um dia especial para o culto ao Senhor. Alegam que o Quarto Mandamento dado a Moisés não é para nós hoje, e que todos os dias devem ser consagrados ao culto. Entendemos que o aspecto cerimonial do sábado judaico foi, sim, cumprido em Cristo, e não pode ser repetido; porém, o caráter moral do Quarto Mandamento (dedicar o dia de descanso ao Senhor) permanece como ordem de Deus, e esta nós devemos cumprir. Reconhecemos também que todos os dias pertencem ao Senhor, mas o ritmo dos nossos afazeres seculares (trabalho, estudos, etc) nos toma quase todo o tempo entre a segunda-feira e a sexta ou sábado, daí a necessidade de separarmos um dia da semana para cuidarmos das questões espirituais.
 
Entendemos que, no domingo, deveríamos descansar do trabalho e estudos o quanto possível. E também evitar o erro de desperdiçarmos o dia de descanso em atividades inúteis, como assistir a futilidades na TV ou perder horas no Facebook, What’sApp e outras redes sociais. O uso proveitoso do domingo seria então empregar nosso tempo em leitura bíblica, meditação, leitura de bons livros de conteúdo cristão, oração, visitas evangelísticas e especialmente o culto coletivo nos templos de nossas igrejas.
 
A comunhão com os irmãos também seria muitíssimo bem-vinda nos domingos. Poderíamos visitar uns aos outros, com o intuito de conversarmos alegremente sobre as coisas relativas ao Reino de Deus, orarmos uns pelos outros, servirmos uns aos outros, compartilharmos nossas alegrias e necessidades, entoarmos juntos canções de louvor, ou mesmo realizarmos outras atividades, como por exemplo assistirmos a um bom filme cristão.
 
Sendo o domingo um dia de descanso, e também dia de Escola Bíblica Dominical e do principal culto da semana, deveríamos ter o cuidado de separarmos um tempo antes das reuniões da igreja para orarmos em favor desses cultos, inclusive com a realização de um autoexame e confissão de pecados. Da mesma forma como cuidamos do nosso corpo, tomando um banho e vestindo a melhor roupa antes de irmos para o templo, é necessário também cuidarmos da nossa alma e espírito, limpando-nos de toda sujeira pelo sangue de Cristo que nos purifica. E quanto à intercessão para que Deus abençoe o culto, tal atitude agradaria ao Senhor. Quem duvida que o poder do Alto seria manifestado muito mais intensamente em nossas reuniões, se a igreja orasse nesse sentido?
 
Sabemos que alguns irmãos não poderão fazer todas essas coisas. São aqueles que trabalham nos domingos. Certamente, Deus não deseja que todos os crentes nessa situação (médicos plantonistas, vendedores em lojas que abrem todos os dias, motoristas de ônibus, taxistas, pilotos de avião, comissários de bordo, etc) abandonem seus empregos, de maneira nenhuma. Sendo assim, os que têm a folga do trabalho em alguma outra data deveriam buscar mais intensamente ao Senhor em seus próprios dias de descanso. Por exemplo, a enfermeira que trabalhou durante todo o domingo e folgou na segunda-feira aproveitaria o seu dia de descanso para orar, ler a Bíblia, meditar, evangelizar e, caso haja um culto em sua denominação naquele dia, não deixaria de participar. Desta forma, mesmo não tendo o domingo livre, o dia de descanso teria sido consagrado ao Senhor por tal pessoa.
 
Nossa opinião é, portanto, favorável à consagração de um dia da semana para o culto ao Senhor. Entendemos que essa é uma ordem de Deus anterior à lei mosaica, um mandamento o qual remete à criação descrita em Gênesis 1 e 2, e não simplesmente uma lei cerimonial para Israel. A ocasião ideal seria o domingo, dia em que o Senhor Jesus ressuscitou, o primeiro dia, as primícias da semana. Naturalmente, não guardaríamos o domingo como os judeus guardavam o sábado, ou como os adventistas do sétimo dia o guardam ainda hoje, sem discernir o propósito do dia de descanso, fazendo uma espécie de idolatria do Sabbath. A ideia à qual aderimos é a de resgatar o domingo como dia do Senhor, como a igreja de outros tempos o fazia, respeitando os casos especiais descritos acima, de irmãos que folgam em outro dia da semana. Que o Senhor nos dirija, a fim de O adorarmos e O servirmos com convém, dando a Ele nosso melhor, inclusive a principal porção do nosso tempo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Cristianismo sem sofrimento. Até quando?

A história tem demonstrado a importância das perseguições e provações no aperfeiçoamento dos crentes. Todos os períodos nos quais a (verdadeira) igreja testemunhou mais firmemente o Nome de Cristo, viveu em maior santidade e produziu mais excelentes frutos foram épocas marcadas pelo sofrimento. Assim aconteceu no tempo dos apóstolos, na igreja sofredora do Século II ao início do Século IV, durante a Reforma, no puritanismo e nos chamados Grandes Avivamentos dos Séculos XVIII e XIX. O próprio Senhor Jesus deu-nos o maior exemplo de sofrimento paciente e assegurou-nos que a vida dos crentes piedosos nesse mundo não seria fácil.
 
Essa verdade incontestável foi veementemente negada no Século passado pela chamada “teologia da prosperidade”. Kenneth Hagin foi o principal responsável na divulgação de uma doutrina rasa, inconsistente e herética, que pode ser resumida nestas poucas palavras: o crente, a partir do momento em que vive conforme os preceitos bíblicos, passa a ter direito a uma vida próspera em todas as áreas, incluindo a saúde, família, trabalho e sobretudo finanças, podendo determinar (ou seja, exigir de Deus) todo o bem que deseja receber. Esse conceito tolo cairia por terra se simplesmente considerássemos que ninguém vive em perfeita obediência à Palavra de Deus, por conseguinte não há um único ser humano em condições de reivindicar coisa alguma do Senhor. No entanto, o movimento da prosperidade cresceu, contaminou a maior parte das denominações cristãs e continua vivo no Século XXI.
 
A mensagem triunfalista da “teologia da prosperidade” logo atraiu a simpatia dos incrédulos. Vislumbrando uma vida bem sucedida e livre de problemas, multidões passaram a frequentar os cultos de denominações ditas evangélicas, conduzidas por pregadores astros, muito mais parecidos com palestrantes motivacionais do que com ministros do Evangelho. O mundo consumista e amante dos prazeres tolerou muito bem (e até firmou alianças com) a nova mensagem apregoada por pastores igualmente consumistas e amantes dos prazeres. Exemplo claro dessa estranha união entre “igreja” e mundo hoje no Brasil é a presença constante de cantores e bandas gospel na mídia, especialmente na TV.
 
Hoje, dezenas de milhões de brasileiros querem adquirir todos os bens de consumo que puderem, aproveitar a vida ao máximo, parecerem com os galãs de novelas, modelos famosas, atletas e cantores de renome, ao mesmo tempo em que se declaram seguidores de Jesus. Desejam a vida mais fácil, mais prazerosa – aqui não falamos dos prazeres espirituais, e sim dos carnais – e afirmam crer no Evangelho. Não veem nenhuma incompatibilidade entre uma coisa e outra, aliás, pensam que o sucesso e glórias mundanos são a consequência natural de se frequentar uma igreja evangélica, dar o dízimo e crer em Jesus. Abrem mão de apenas alguns pecados mais grotescos, quando abrem. Pensam que o céu é apenas uma extensão da vida que podem viver aqui na terra. Não querem humildade, renúncia, mordomia cristã, nada disso. Não são peregrinos e forasteiros em busca de uma pátria melhor, a celestial.
 
Porém, essa farsa não tem como perdurar. O mundo perdido jamais aceitará o Evangelho e nunca amará ao Senhor Jesus. Um dia a perseguição e as provações voltarão a acontecer, quando os verdadeiros crentes se levantarem denunciando a podridão do estilo de vida deste mundo e a imperativa necessidade do arrependimento, da conversão genuína, do negar-se a si mesmo e seguir a Cristo. Então, multidões abandonarão o Filho de Deus por amor a suas próprias vidas e ao presente século. Os que ficarem, os eleitos, amados do Senhor, sofrerão escárnio, zombaria, afrontas e outras injustiças diversas, porém guardados e protegidos pelo Pai Celeste. A igreja não terá glamour, espaço na mídia, cargos no governo ou a simpatia de poderosos, de jeito nenhum. Mas será santa e produzirá frutos agradáveis ao Senhor. Esta igreja, a que ficar, o remanescente de Deus, a noiva adornada, subirá para as bodas do Cordeiro. Mas a herética, fútil, carnal, mundana, perecerá.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Uma nação sem sensualidade

Senhor, dá-nos a graça de vivermos numa sociedade livre desse mal terrível e tão devastador chamado sensualidade. Que a programação de TV disponível, sobretudo durante o dia – mas também à noite – seja limpa, sem qualquer apelo sexual, inclusive nos anúncios publicitários, para que nossas crianças não sejam expostas a imagens, diálogos e situações sobre os quais nem deveriam ter conhecimento. Nossos adolescentes e jovens solteiros não sejam incentivados a uma iniciação sexual precoce. E nós, adultos, possamos nos assentar diante da televisão com nossos filhos tranquilamente, sem precisarmos enfrentar constrangimentos.
 
Livra o nosso povo de toda imoralidade no vestuário feminino. Que as vitrines e prateleiras das lojas especializadas em moda feminina sejam ocupadas por roupas desenhadas para vestirem decentemente a mulher brasileira. Os homens sejam poupados da tentação de verem diante de si mulheres usando decotes escandalosos, calças justíssimas, saias excessivamente curtas, shorts e coisas semelhantes. E até mesmo nas praias e piscinas os trajes de banho sejam descentes, a fim de que toda exposição do corpo feminino como se fosse objeto de consumo vire coisa do passado.
 
Afasta de nós toda espécie de estilos musicais feitos para o pecado. Que nossos ouvidos não sejam torturados com mensagens cantadas repletas de apelo sexual barato, com letras de duplo sentido, sujas e sem graça. As danças baseadas em movimentos corporais vulgares, verdadeiras simulações de relações sexuais, tão comuns hoje no samba, axé, forró e funk carioca, passem a ser repudiadas pelo povo brasileiro, de modo que ninguém as tolere mais. A prostituição e o adultério não mais sejam temas correntes na música popular brasileira.
 
Realiza um milagre na Internet. Pois hoje, lamentavelmente, basta acessar um simples site de e-mails e ali mesmo se vê uma série de “notícias” de conteúdo inadequado, com forte apelo sensual. Do mesmo modo, as redes sociais estão infestadas de imoralidade. Que essa triste situação mude drasticamente, e todo conteúdo sensual desapareça das páginas mais populares. Vai além, Senhor, fazendo com que o nosso povo, maciçamente, tome a decisão de colocar filtros em seus computadores, bloqueando definitivamente o acesso aos sites pornográficos em suas casas.
 
Faze com que nossas mulheres não mais aceitem realizar ensaios fotográficos ou filmagens sem roupa, mostrando seus corpos para qualquer um que adquira uma revista ou assista a um filme com esse tipo de imagens. Que elas não mais encarem isso como um trabalho; antes, compreendam que a sua nudez só é bela se compartilhada com seus esposos, em amor. Percebam que sua intimidade não deve ser vista por estranhos. E nunca mais façam de si mesmas laço, armadilha para que homens cometam adultério em pensamento a partir de fotos e vídeos protagonizados por elas. Pois, nessa história, pecam os homens que as assistem, mas também as mulheres que se expõem publicamente.
 
O que Te pedimos, Senhor, é que uma transformação cultural sem precedentes aconteça em nosso país. Um grandioso milagre, um tremendo gesto de misericórdia e graça da Tua parte. Nossa gente tem plantado somente a iniquidade, e merece colher nada além da Tua ira, Tua santa e justa ira em resposta à multidão de ofensas cometidas pelo povo brasileiro contra Ti. Há séculos esta nação tem se rebelado contra todos os Teus mandamentos, em especial o sétimo que diz “Não adulterarás”, o qual engloba a proibição a todo tipo de pecados referentes à sexualidade. Hoje chegamos ao nível mais baixo de nossa história. Porém, ó Pai Celeste, o Senhor tem poder para transformar essa situação, se Tu quiseres. Faze algo novo e maravilhoso por esta nação, em Nome de Jesus! Liberta este povo das cadeias da sensualidade!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A primeira lição de Neemias

O livro de Neemias é um dos mais emocionantes e inspiradores de toda a Bíblia, sem dúvida. Nele extraímos verdadeiros tesouros de Deus para a restauração de indivíduos, de sociedades e da igreja do Senhor. Em dias caóticos como os nossos, dias em que tudo ao nosso redor são ruínas e nossa maior necessidade é que o Pai Celeste venha nos restaurar os valores morais e espirituais perdidos, talvez não haja outra mensagem mais pertinente que a de Neemias.
 
Houve autêntica restauração em Judá nos tempos daquele homem de Deus. E tudo começou com um clamor, o que lemos no primeiro capítulo. É a primeira lição de Neemias. A partir do versículo quatro, a Bíblia nos conta qual foi a reação do copeiro do rei Artaxerxes ao ouvir sobre a situação de Jerusalém e dos judeus que lá estavam. Tendo ouvido as más notícias sobre o seu povo e a cidade de seus pais, Neemias iniciou uma súplica doída, angustiada, com jejum, regada a lágrimas, feita “dia e noite” (conforme o versículo seis), com abundância de confissão de pecados (versos seis e sete), alicerçada nas promessas de Deus contidas nas Escrituras (versos oito e nove). A súplica perdurou por aproximadamente cento e vinte dias!
 
Ao lermos hoje sobre o clamor de Neemias, nós, crentes em Jesus Cristo, temos razões de sobra para nos enchermos de vergonha. Pois nós fomos cegados por nossa insensibilidade e egoísmo. Enquanto a sociedade brasileira se afunda numa depravação moral sem precedentes, escravizada pela imoralidade sexual, drogas, insubmissão às autoridades, desonestidade generalizada e outros cânceres, nós, que deveríamos ser sal da terra, luz do mundo, testemunhas vivas do amor de Deus, santos e irrepreensíveis, brincamos com o Evangelho. Transformamos nossos cultos em shows de entretenimento, nossos louvores em musiquinhas “pop” fúteis, nossas pregações em palestras motivacionais. Realizamos campanhas de oração em busca de prosperidade material, como se essa fosse a causa mais nobre e importante. Oramos pouquíssimo e somente em favor de nossas próprias necessidades (ou, em muitos casos, nossas tolas vaidades). Pouco nos importamos se a esmagadora maioria dos brasileiros está caminhando a passos largos rumo ao inferno.
 
A maior carência da igreja brasileira não é por pastores, nem por instrumentistas, cantores, professores de Escola Bíblica Dominical, diáconos, presbíteros, líderes de jovens ou qualquer outro ministério reconhecido. O que mais tem faltado no nosso meio são homens e mulheres que sentem profundamente a miséria do pecado. Crentes sensíveis à voz do Espírito Santo, capazes de gemer e chorar por contemplarem as iniquidades escandalosas desta geração. Servos de Deus os quais perdem o sono pensando nas milhares de almas que a cada dia partem para a eternidade sem Jesus, irremediavelmente destinadas à perdição eterna. Santos que oram dia e noite, intercessores genuínos, sintonizados com o coração do Pai, cheios de compaixão pelos perdidos. Cristãos autênticos que amam a igreja de Cristo e se comovem ao vê-la em amizade com o mundo. Que o Deus Todo-Poderoso tenha misericórdia de nós e levante pessoas como Neemias entre nós! Ó Senhor, tira-nos dessa condição espiritual miserável! Restaura-nos! Reconstrói nossos muros!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A segunda vinda de Cristo

A Palavra de Deus nos assegura que o Senhor Jesus voltará à terra como justo juiz, a fim de levar consigo os crentes redimidos por Ele próprio, e conceder aos incrédulos o merecido castigo por terem rejeitado o Salvador e a salvação eterna conquistada na cruz. A igreja espera ansiosa pelo Noivo e pelas Bodas do Cordeiro, enquanto o mundo perdido segue adiante, mergulhado em sua própria iniquidade, ignorando a ira de Deus, Sua justiça e juízo que infalivelmente se manifestarão. Sobre o dia e hora da segunda vinda de Cristo a Bíblia é clara: não sabemos quando será, pois Ele virá como o ladrão, sem avisar, surpreendendo a muitos. Qualquer especulação a respeito de datas não procede de Deus, mas é pura vaidade humana.
 
No entanto, as Escrituras nos informam a respeito dos sinais indicadores da volta do Senhor, para estarmos atentos e cientes de que, acontecendo todas aquelas coisas, o Rei estará às portas. Com base nas palavras do Mestre extraídas do Sermão do Monte das Oliveiras (Mateus 24 e 25, Marcos 13, Lucas 21), tem-se a impressão de que o cumprimento está muitíssimo próximo. Basta observarmos os fatos bem ao nosso redor. Ainda que vários dos sinais previstos tenham ocorrido em diversas outras épocas (alguns nunca deixaram de acontecer), precisamos ter em mente duas coisas. Uma, que eles são como as dores de parto; o espaço entre um acontecimento e outro diminuirá progressivamente, e a intensidade aumentará quanto mais se aproxima aquele Dia. A segunda é que na iminência do retorno de Cristo todos os sinais se verificarão, e não um ou alguns deles.
 
Um dos sinais é a proliferação de falsos mestres. Heresias não são um mal exclusivo desta época, mas sempre existiram. O diferencial é a imensa quantidade de enganadores presentes em toda parte nos dias atuais. Não é exagero dizermos que a esmagadora maioria das denominações cristãs estão contaminadas por falsas doutrinas. Homens ímpios e totalmente despreparados para o ministério lideram igrejas imensas, escrevem livros “best sellers” e apresentam programas na TV. Teólogos liberais, influenciados pelo ateísmo e humanismo, predominam nos seminários. A abominável “teologia da prosperidade” deixou marcas em praticamente todas as denominações cristãs! Além disso, têm sido cada vez mais frequentes os casos de líderes envolvidos em escândalos graves, alguns de forma reiterada.
 
Guerras e rumores de guerras são outro sinal. A humanidade sempre foi marcada por conflitos armados, mas no Século XX estes assumiram proporções mundiais. Também a partir do século passado as grandes potências passaram a intervir nos conflitos dos quatro cantos do planeta. Cada vez mais raras são as guerras localizadas, ignoradas pelos países não envolvidos, e mais frequentes a cada dia são as de alcance global. Além disso, há uma zona de conflito especialmente relevante para o calendário de Deus, abrangendo Israel e territórios vizinhos. No longo período entre o ano 70 e 1948, os judeus foram dispersos pelo mundo e viveram sem um território próprio, mas o surgimento do novo Estado de Israel fez da terra prometida aos descendentes de Abraão uma zona de tensão constante, oscilando entre guerras e rumores de guerras, que agora provocam reações em todo o globo terrestre.
 
A multiplicação da iniquidade é outra evidência clara. Em todas as épocas a maldade, consequência da queda do homem, se fez presente, mas o crescimento alarmante de toda sorte de torpezas tem ultrapassado as piores expectativas. O mais triste é que as pessoas não mais pecam às escondidas, tentando ocultar sua podridão, como antes faziam. Existe hoje uma diversidade de movimentos esquerdistas em defesa do aborto, perversões sexuais, uso de entorpecentes, eutanásia e outras aberrações, além de movimentos contrários à família, ao povo judeu (sim, o antissemitismo está de volta!) e à liberdade religiosa. A banalização do sexo ilícito domina a mídia, não poupando nem mesmo crianças. Crimes brutais cometidos por pais contra filhos e filhos contra pais – outrora raríssimos – acontecem quase todos os dias. E, na mesma rapidez com que a iniquidade se multiplica, ocorre o esfriamento do amor no coração de quase todos cristãos professos. Tanto o amor a Deus quanto o amor ao próximo sumiram das igrejas.
 
Terremotos, epidemias, fome e sinais no céu também apontam para o iminente retorno de Cristo. A fome, um tormento constante nas nações em crise, resiste a todo avanço tecnológico e crescimento econômico mundial. Epidemias teimam em surgir e ressurgir, mesmo com a evolução da medicina (ebola, dengue e quantas mais!). Grandes terremotos, tsunamis, etc, que aconteciam com menor frequência, são cada vez mais comuns, basta lembrar as devastações ocorridas no Haiti e na região da Indonésia. E sinais no céu, antes quase ausentes, já começam a surgir, como se deu na Rússia e em outros lugares há cerca de um ano.
 
Por fim, o aumento da perseguição ao cristianismo em todo o planeta é um fato incontestável. Seja nos países pobres, mergulhados em guerras civis, como Iraque, Somália e Sudão, ou nas prósperas nações do Hemisfério Norte, como Estados Unidos, Suécia e Reino Unido, os servos de Deus têm enfrentado dias difíceis. A diferença é que, naqueles (pobres), a oposição é cruel e desmedida, baseada na violência física, ao passo que nestas últimas (prósperas) os ataques à fé cristã bíblica revestem-se de uma roupagem de legalidade (por exemplo, usa-se o argumento do “Estado laico” para inviabilizar a pregação do Evangelho). A tendência inequívoca é que os cristãos, dentro em breve, sejam, pública e ostensivamente, perseguidos e odiados de todos por causa do Nome de Cristo.
 
De fato, não sabemos o dia e a hora da segunda vinda do Senhor Jesus. Entretanto, os acontecimentos mundiais indicam a iminência do grande Dia. Nosso papel, como crentes, não é fazer alarde ou sensacionalismo, muito menos tentar descobrir o que a própria Bíblia mantém em oculto. Antes, cabe-nos rejeitar toda forma de cristianismo barato e herético, vigiar, arrepender-nos de nossos pecados, buscar a santificação, orar mais intensamente, desprezar os atrativos mundanos, viver em profunda reverência e temor a Deus. Por isso, querido irmão, querida irmã, se você anda sonolento, frio em sua fé, tolerante ao pecado, desinteressado pelas coisas do Reino de Deus, é hora de despertar! Lembre-se da parábola das dez virgens (todas elas representam a igreja visível, ou seja, os cristãos professos): cinco delas subiram com o Noivo para as Bodas do Cordeiro, porque tinham reserva de azeite (fé, santidade, caminhada com Deus), mas as outras cinco ficaram de fora. Pense consigo mesmo, em qual desses dois grupos você está?

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Conhecimento bíblico já!

Dois episódios verídicos recentes nos chamaram a atenção para o estado calamitoso da igreja dos dias atuais, no que tange ao conhecimento bíblico (ou à falta dele). Primeiro: uma mensagem divulgada nas redes sociais mostra o desenho do rosto de um homem, barba e cabelos longos, olhar de sofrimento e uma coroa de espinhos na cabeça. Logo abaixo da ilustração, um texto dizia o que teria acontecido a várias pessoas após receberem aquela figura. Entre outras coisas, é dito que certo ex-presidente argentino teria apagado a mensagem com o desenho sem repassá-la para ninguém, e em seguida o filho dele teria morrido. E que outra pessoa, tendo recebido a mesma figura, repassou-a a vários amigos, e pouco depois ganhou um bom dinheiro na loteria. No final da mensagem, veio a conclusão: “esta foto é milagrosa. Repasse”. Segundo episódio: certa pessoa publicou em sua página numa rede social um pedido de oração em favor de um famoso padre que estaria muito doente (até aí tudo bem, é bom e justo orarmos pela cura de enfermos). Concluindo a publicação, a pessoa chamou aquele padre de “nosso irmão em Cristo”. Qual é o problema? Tanto no primeiro caso quanto no segundo, as pessoas que divulgaram essas mensagens são membros de igrejas evangélicas, pastoreadas por dois homens sérios, íntegros e dedicados aos seus ministérios!
 
Muito nos assusta que alguém, membro de denominação evangélica, desconheça o ensino bíblico acerca da proibição da adoração a imagens de escultura e outras semelhanças do que há no céu, na terra ou embaixo da terra (o Segundo Mandamento, descrito com toda clareza em Êxodo 20:4-5, o qual trata da pureza do culto a Deus). Do mesmo modo, surpreende-nos saber que uma pessoa, também membro de denominação evangélica, não saiba que “irmão em Cristo” é quem crê e confessa ao Senhor Jesus como único e suficiente Senhor e Salvador. Portanto, um padre, o qual chama Maria de “Senhora”, chama os santos já falecidos de “intercessores” e “mediadores junto a Deus” e presta adoração a muitos outros além de Cristo, não pode em hipótese nenhuma ser considerado um irmão. É lícito chamá-lo de amigo, considerá-lo uma pessoa querida, tê-lo em alta estima, desejar a ele todo bem, amá-lo. Mas “irmão” é aquela pessoa que crê nas mesmas coisas que nós. Não é só um tratamento carinhoso ou respeitoso. Não é simplesmente uma forma amistosa de se dirigir a alguém. Muito mais que tudo isso, a palavra “irmão” refere-se à identidade espiritual dos que nasceram de novo, do Alto, pelo poder de Deus: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus” (Efésios 2:19).
 
Ponderemos no seguinte: qual é a diferença entre divulgar na Internet uma ilustração, pretensamente representando Jesus Cristo (a verdade é que nenhum de nós sabe como era a aparência física do Senhor quando veio a este mundo de forma visível, há dois mil anos atrás), certo de que aquela é uma “foto milagrosa”, e prostrar-se diante de uma imagem de escultura, ou distribuir santinhos pelas ruas? Não existe diferença significativa! Todos esses comportamentos – adorar um desenho na internet, uma estátua de barro ou um pedaço de papel em forma de cartão – são formas de idolatria, atitudes típicas de quem não conhece a verdade e se prende a superstições e doutrinas de homens. Consideremos também isso: se um padre, que não crê na suficiência de Cristo, nem na suficiência das Escrituras, nem mesmo na salvação por graça mediante a fé somente, tampouco dá glória somente a Deus, é nosso “irmão em Cristo”, então quais são os fundamentos da nossa fé? O que nos distingue de um católico romano, ou mesmo de um espírita? Afinal, o que significa ser um cristão evangélico, ou protestante? Um rótulo? Questão de gosto? E quanto à sólida doutrina, fundamentada no ensino de Cristo e dos apóstolos, minuciosamente explanada em quase cinco séculos de história por homens santos, desde os pioneiros Lutero e Calvino até os contemporâneos Paul Washer, Leandro Lima e Ciro Zibordi?
 
Pastores, em Nome de Jesus, não aceitem esta deplorável situação! Levem o conhecimento bíblico aos membros das igrejas sob sua responsabilidade, façam isso o mais rápido possível! Se for necessário – provavelmente será – organizem uma ou mais classes na escola bíblica voltadas ao ensino dos rudimentos da fé cristã. Comecem do zero, ensinando as coisas mais básicas, não imaginem que exista algo óbvio sobre o qual seja desnecessário falar. A atual geração de evangélicos desconhece até o mínimo, são como analfabetos diante da Palavra de Deus. Caso os membros não correspondam, e poucos venham a frequentar os grupos de estudo bíblico – possivelmente acontecerá isso mesmo – tomem uma atitude radical e passem a ensinar o “bê-á-bá” da fé cristã nos cultos de domingo à noite, os de maior frequência durante a semana. Sejam claros no ensino, empreguem palavras simples, façam uso de slides com ilustrações, distribuam apostilas, promovam torneios com entrega de prêmios a fim de incentivar os membros a se empenharem (exemplo, presentear o aluno mais frequente na escola dominical com uma boa bíblia de estudo ou um bom dicionário bíblico), peçam ao Senhor que lhes dê criatividade. Mas não deixem de tomar uma atitude urgente! Lembrem-se, uma das principais funções do pastor é dedicar-se ao ensino da sã doutrina, evitando que as ovelhas do rebanho pequem por falta de conhecimento. Dediquem-se, então, com o seu melhor a esta tarefa. Que a graça de Deus seja com vocês!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O que você vê e ouve influencia quem você é

A televisão, Internet, rádio e outras formas de mídia exercem poderosa influência em nós, transformando nossas crenças, valores e atitudes dia após dia. A maioria das pessoas despreza ou ignora esse fato, e quase todas imaginam-se imunes às influências externas, donas do próprio nariz, firmes em suas opiniões. Passam horas diante de um aparelho de TV, computador ou celular, certas de que tudo é entretenimento inocente, e com isso vão assimilando lixo e sendo moldadas até se tornarem imorais e fúteis. Tal fenômeno, num indivíduo é uma lástima, mas, numa sociedade, uma catástrofe.
 
O Evangelho é o chamado de Cristo para uma nova vida, livre das corrupções mundanas. “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12:2) significa, para você que se converteu ao Senhor: Não seja como as demais pessoas, não assista aos mesmos programas de TV, não visite os mesmos sites, não ouça as mesmas músicas, não compartilhe os mesmos vídeos, não se vista do mesmo jeito, não converse da mesma forma, não frequente os mesmos lugares, não tenha os mesmos pensamentos, não deseje as mesmas coisas, não tenha as mesmas noções de “certo e errado”, não se pareça com elas em nada! Se você experimentou o amor de Deus e compreendeu a beleza do Senhor Jesus, isso o torna completamente diferente daqueles que não foram salvos!
 
"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm” (1Coríntios 6:12). É verdade que estamos sob a graça, e que não queremos o legalismo. Não faria sentido adotarmos uma lista daquilo se pode fazer, e uma lista do que não pode ser feito. Mas existem coisas que nos embaraçam a caminhada cristã, pois despertam nossa velha natureza – herança do pecado de Adão. Entristecem o Espírito. Ofendem a Deus. Servem de laço para nós, e, se cairmos, isso nos afastará do Senhor. “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo; se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1João 2:15). Por que nos deliciaríamos naquilo que o Senhor odeia? Se O amamos, queremos honrá-Lo em tudo. “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” 1Coríntios 10:31).

Prezado irmão ou irmã em Cristo, cuidado com as telenovelas, músicas mundanas, vídeos compartilhados no WathsApp, Facebook e coisas semelhantes. Cuidado com programas e séries de TV e os filmes aos quais você tem assistido no cinema ou DVD. Esteja atento aos efeitos que tudo isso produz no seu coração. As mensagens predominantes na mídia são de libertinagem sexual, desconstrução da família, rebeldia, consumismo, hedonismo, culto ao corpo e à aparência, ecumenismo (“todos os caminhos levam a Deus”), relativização da verdade, enfim, o contrário do que ensina a Palavra de Deus. Seja seletivo, não se alimente do mal! Antes, procure se alimentar do que o edifica e traz à lembrança o favor de Deus. Viva seus momentos de lazer de modo a glorificar o Senhor Jesus. E, em hipótese nenhuma, ceda aos valores torpes desse mundo mau que em breve será consumido pela ira de Deus. Você é um remido, salvo, resgatado pelo precioso sangue de Cristo; viva de modo condizente com a sua condição de filho amado do Pai Celeste! Não se conforme com este século!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Vencedores por Cristo: referência de louvor cristão

Em 1968 surgiu uma belíssima novidade no meio cristão evangélico brasileiro, com o lançamento do primeiro compacto do grupo Vencedores por Cristo. O VPC, como ficou conhecido, nasceu como um ministério destinado a treinar jovens para o serviço no Reino de Deus através da música. Acolheu rapazes e moças de diversas denominações evangélicas, e, em suas muitas equipes, treinou mais de quatrocentos e cinquenta adoradores, dentre eles Adhemar de Campos, Guilherme Kerr Neto, João Alexandre e Sérgio Pimenta. Ainda em atividade, o grupo é considerado uma referência de autêntico louvor cristão, uma unanimidade entre os crentes (famosos ou não) verdadeiramente tementes a Deus. Mas, afinal, quais são os motivos pelos quais os Vencedores por Cristo se tornaram esse referencial? O que os distingue de tantos grupos e artistas “gospel” contemporâneos?
 
Dois grandes diferenciais podem ser apontados. O primeiro é que, desde o início, o VPC fez uma opção por cantar as Escrituras. Muitas das letras de suas canções são extraídas diretamente dos textos bíblicos, em especial dos Salmos. As demais, embora não citem explicitamente passagens da Bíblia, tratam de temas em completa sintonia com a Palavra de Deus. Como exemplos destas, podemos citar os louvores “A começar em mim”, que fala de quebrantamento e união entre os irmãos, “Pai, eu Te adoro”, uma adoração ao Deus Triúno, e “Cristo é real”, fortemente evangelística. Desta maneira, os Vencedores por Cristo conseguiram evitar um mal terrível e muitíssimo comum no meio dito “evangélico”, a propagação de erros teológicos, heresias e mensagens humanistas nas letras das músicas. Se alguém deseja tirar uma prova, selecione aleatoriamente dez letras de canções do VPC, compare com as letras dos dez sucessos “gospel” mais tocados no momento e tire suas próprias conclusões!
 
O outro diferencial está no fato de os Vencedores por Cristo nunca terem promovido seus próprios integrantes à fama. O público cristão, especialmente os maiores de trinta ou quarenta anos, conhece o grupo ou, pelo menos, algumas de suas canções, porém os membros, individualmente, não eram postos em destaque. Sobretudo porque o ministério incluía várias equipes (e esta era a intenção, treinar muitos jovens e enviá-los para o serviço na Seara), o VPC não tem e nunca teve nenhum astro ou estrela em seu meio. Hoje, ao contrário, o mercado musical “evangélico” está repleto de famosos, cercados por tietes, e o tratamento dado pelos fãs aos artistas de sua preferência, lamentavelmente, beira a idolatria. Como consequência, na música “gospel” contemporânea a honra e a glória não pertencem somente ao Senhor Jesus, mas são tributadas, em grande parte, aos cantores e bandas. Nos Vencedores por Cristo, só o Rei dos reis recebe toda honra e toda glória.
 
A igreja brasileira precisa urgentemente de novos ministérios semelhantes aos Vencedores por Cristo. Homens e mulheres dispostos a se unirem num firme propósito de adorar a Deus por meio do louvor musical. Crentes verdadeiramente quebrantados, inconformados com o humanismo, tietagem e heresias reinantes nesta geração, desejosos por exaltar ao Senhor somente – ainda que isso lhes impeça de alcançarem um grande sucesso comercial. Servos de Cristo, dedicados a compor e interpretar canções com letras bíblicas, cristocêntricas, e melodias belas, suaves, adequadas à adoração. Cristãos autênticos, os quais não procuram aplausos para si próprios nem almejam o enriquecimento à custa da exploração do bendito Nome do Senhor. Adoradores, que não estão preocupados em cantar canções voltadas às necessidades materiais de seus ouvintes, mas anelam por cantar as grandes verdades espirituais. Você, que lê esta postagem, é músico e ama o Senhor Jesus, se dispõe a cultuá-Lo desta forma, na contramão de (quase) tudo que hoje tem sido feito, somente visando à glória de Deus? Que tal colocar as mãos à obra desde já?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Aos luteranos, com amor

A doutrina da salvação pela graça de Deus mediante a fé em Cristo é um ponto central do Evangelho. Quando Martim Lutero, lendo a Carta de Paulo aos Romanos, compreendeu esta verdade bíblica, foi de tal modo transformado a ponto de dedicar a própria vida no propósito de divulgá-la a quantos pudesse. Sem dúvida, a Reforma Protestante surgiu e se espalhou sob esse fundamento. Até hoje, se um luterano for chamado a resumir suas convicções religiosas em pouquíssimas palavras, dirá que é salvo por graça, pela fé somente.
 
Mas, lamentavelmente, os luteranos, em sua imensa maioria, perderam a noção do significado desta palavra: graça. A teologia liberal, surgida no Século XVIII, e o neoliberalismo teológico, dominante no Século XX, relegaram ao desprezo outro fundamento da Reforma, a crença na autoridade e suficiência das Escrituras. A fé evangélica luterana foi pervertida pelo humanismo. Passou-se a crer na salvação universal de todos os seres humanos, e a duvidar da existência de um castigo eterno para os incrédulos. Ensinos contrários à Palavra de Deus, formulados por homens falhos e seduzidos pelas ciências humanas, desconstruíram por completo a compreensão acerca da graça divina.
 
Por isso existem tantos luteranos que bebem (muita) cerveja, frequentam bailes e festas pra lá de mundanas, iniciam a vida sexual ainda solteiros com suas namoradas, aprovam o aborto, não veem nada de errado nos “casamentos gays”, repudiam os conceitos bíblicos de liderança masculina e submissão feminina, toleram vocabulário torpe, consomem arte (cinema, música, literatura, etc) escandalosamente anticristã, consideram lícito o divórcio por incompatibilidade de temperamentos, namoram e até se casam com pessoas não crentes, passam meses sem frequentar uma única reunião da igreja... E têm certeza de que são salvos pela graça. Como se graça fosse sinônimo de licença para pecar reiteradamente sem arrependimento.
 
A passagem bíblica de Mateus 19:16-26 ilustra muito bem o que é graça. Certa vez, um jovem religioso muito rico afastou-se, triste, do Senhor Jesus, por recusar-se a abrir mão das riquezas que possuía a fim de seguir o Mestre. Então, Jesus, vendo aquilo, disse aos discípulos que dificilmente um rico entraria no Reino dos Céus. Isso lhes trouxe grande surpresa. “Sendo assim, quem pode ser salvo?”, foi a pergunta dos discípulos, que possivelmente consideravam aquele jovem rico um exemplar seguidor da lei. Então, o Senhor, fitando-lhes, respondeu: “Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível”. Dentre as lições contidas ali, percebe-se que: 1) o abismo entre o homem e Deus, consequência do pecado, é intransponível para nós; 2) só a graça de Deus pode nos levar de volta à Sua santa presença; 3) essa graça é preciosíssima e precisa ser recebida por nós mediante uma entrega total a Deus. Àquele jovem rico tão apegado ao dinheiro, o Senhor ordenou a renúncia a todos os bens materiais. Será que hoje Jesus não exige coisa alguma da nossa parte? Nem mesmo que abramos mão de um estilo de vida oposto a todos os padrões morais bíblicos?
 
Nossa salvação é, sim, gratuita, porque nós jamais a poderíamos comprar, e nem mesmo nossos melhores e maiores esforços nos fariam merecedores desse dom. É de graça para nós, pois Cristo pagou o preço em nosso lugar. Por isso somos salvos pela graça. Porém, graça não significa que Deus tornou-Se imoral. Não implica autorização para desprezarmos todos os Seus mandamentos. Nem é um salvo-conduto que nos isenta de termos um coração regenerado. Se Jesus nos comprou com Seu precioso sangue, então somos propriedade d’Ele. Por conseguinte, é o Senhor quem dita o nosso modo de viver, e não a sociedade, a cultura ou nossos desejos pecaminosos. Se somos d’Ele, nós O servimos. E, ainda assim, nossa salvação continua sendo pela graça, pois nosso serviço sempre estará aquém da vontade do Senhor, e, contudo, Ele não nos rejeita.
 
Quem entende o que é graça torna-se grato. Na cruz, Cristo foi moído por nossos pecados. Cientes disso, nós só podemos amá-Lo com todo nosso coração, e esse amor é demonstrado mediante uma firme disposição em honrá-Lo. Honrar a Cristo é obedecê-Lo alegremente, procurando fazer tudo o que Lhe agrada. Em outras palavras, é buscar a santidade. Por outro lado, quem entende o que é graça passa a odiar o pecado que levou o Senhor à cruz. Nosso Salvador somente precisou suportar aquelas terríveis dores e beber o amaríssimo cálice da ira do Pai porque nós pecamos. Logo, gratos a Ele, passamos a repudiar o pecado com todas as nossas forças.
 
Prezado amigo luterano, prezada amiga luterana, pondere nestas palavras. Reveja seu entendimento sobre a graça de Deus. Aqui não há nenhum convite a uma busca da salvação por obras (a qual seria um insulto ao nosso Salvador), nem ao legalismo (igualmente, um insulto ao nosso Salvador). Tudo que foi dito refere-se ao modo como alguém salvo precisa receber essa maravilhosa graça. Leia nos quatro Evangelhos e nas epístolas do Novo Testamento qual é o padrão do Senhor para a sua vida e compare com as condutas que você tem adotado e os valores aos quais tem aderido. Em seu viver diário, você tem buscado – mesmo com falhas – obedecer à Palavra de Deus? Honestamente, alguém consegue perceber que você é cristão, ou cristã, somente observando o seu modo de falar, agir, vestir-se, os lugares frequentados por você e as suas companhias? Se a sua resposta for não, arrependa-se! Peça ao Senhor um coração novo, transformado, sedento por santidade e avesso ao pecado! Deus é poderoso para lhe restaurar completamente, fazendo de você uma nova criatura, pela Sua incomparável graça!

domingo, 21 de setembro de 2014

À procura de uma boa igreja

(Uma história fictícia)
 
João e Rute tinham acabado de se mudar, com seus dois filhos pequenos, para uma das principais cidades do interior de São Paulo. Crentes em Jesus Cristo, ambos amam a Bíblia e creem ser ela a inerrante Palavra de Deus. Também creem na contemporaneidade dos dons do Espírito Santo, tais como revelados em Atos dos Apóstolos. Agora, precisavam encontrar uma igreja para ali congregarem e tornarem-se membros, pois não faria sentido continuarem ligados à sua congregação de origem, localizada na cidade onde antes viviam, a trezentos quilômetros de distância. O próprio pastor daquela congregação aconselhou-os a se transferirem logo para uma boa denominação, na terra onde iriam passar a morar.
 
Cientes de que a escolha de sua nova igreja seria uma decisão seríssima, capaz de afetar toda a família, João e Rute reservaram um tempo para refletir sobre os critérios a serem levados em conta. Prontamente descartaram a possibilidade de se unirem a uma denominação neopentecostal, adepta da execrável “teologia da prosperidade”. “– Acho que, com isso, já eliminamos uns setenta por cento das igrejas daqui”, disse a esposa, num tom de brincadeira. Sem saber, ela quase acertou em cheio. Pois na verdade o índice de congregações evangélicas daquela cidade influenciadas pelas heresias de Kenneth Hagin, Mike Murdock e outros beira os setenta e cinco por cento. “– Vamos dar preferência a uma que tenha reuniões de estudo bíblico, tipo EBD”, sugeriu o marido. “– Ótima ideia. As que não tiverem, provavelmente não servirão para nós”, completou Rute.
 
Logo no primeiro domingo, o casal teve uma decepção. No culto à noite em uma igreja consolidada, que possui uma longa história naquela cidade, se depararam com um surpreendente relaxamento de costumes. Era verão, e havia mulheres usando roupas totalmente inadequadas para as servas de Deus, como tomara-que-caia, peças justíssimas e até minissaias. Além disso, na saída passaram bem ao lado de um grupinho de jovens membros que conversavam – empolgadíssimos – sobre uma festa realizada na noite anterior, numa badalada danceteria da cidade. João e Rute saíram dali horrorizados, imaginando quão perigoso seria criar os filhos numa congregação totalmente conformada ao mundo como aquela.
 
No fim de semana seguinte tiveram outro desgosto. Foram ao culto de uma denominação dita histórica e renovada (carismática) levando os filhos. “– Deve ser bem parecida com a nossa antiga igreja”, disse Rute pouco antes de adentrarem no templo. Ledo engano. Durante a mensagem, o pastor fez uma série de comentários vazios e biblicamente inconsistentes, tipo “nós já decretamos que essa cidade é de Jesus”, ou “vamos derramar óleo ungido sobre a bandeira municipal e determinar que toda a população irá se converter a Cristo”. Para piorar, a reunião encerrou com as pessoas presentes “marchando” sem sair do lugar, sob o comando do tal pastor, que gritava: “– Vamos colocar o cinto da verdade!”, “– Agora vamos vestir a couraça da justiça!”, “– Agora, todo mundo calçando os pés com a preparação do evangelho da paz!”. Antes que o “teatro” supostamente baseado em Efésios 6 terminasse, a família visitante deixou o templo para nunca mais voltar.
 
Durante três domingos consecutivos, frequentaram os cultos e a EBD numa igreja considerada séria e bíblica. De fato, a pregação era consistente, sem heresias, firmada nas Escrituras. Mas algo entristeceu João e Rute, levando-os a descartarem também aquela outra denominação. Embora tivessem participado de três reuniões, a família não foi notada e nenhum dos membros lhes dirigiu uma só palavra. Concluíram ser uma congregação fria, sem a comunhão indispensável na igreja de Cristo. Os próprios membros não pareciam manter um convívio próximo entre si, tanto que o templo se esvaziava imediatamente após as celebrações, algo bem diferente do que ocorria na igreja que João e família frequentavam antes de mudarem de cidade. Naquela outra, mantinham laços fraternos de amizade com muitos irmãos, e não queriam que sua futura igreja fosse o oposto daquilo a que estavam acostumados.
 
Depois de um mês e meio, finalmente receberam a graça de encontrarem uma igreja na qual puderam servir a Deus em família. Imperfeita, naturalmente, pois a perfeição só virá com a glorificação, após a segunda vinda de Cristo. Porém, digna de ser chamada a Noiva do Cordeiro, ou o Corpo de Cristo. Da pesquisa feita por João e Rute, fruto de conversas com alguns outros crentes, buscas em sites de Internet e visitas a três congregações, além de muita oração, surgiu um interessante relatório, bastante sucinto, sobre o que seria “uma boa igreja”. Eis o que o casal escreveu naqueles dias:
 
1) Uma boa igreja não negocia o Evangelho de Cristo, nem faz concessões ao materialismo vivido pelo mundo.
 
2) Uma boa igreja fundamenta sua doutrina somente nas Escrituras e valoriza o estudo bíblico.
 
3) Uma boa igreja crê na inerrância da Bíblia.
 
4) Uma boa igreja prega a santidade e não se conforma aos padrões mundanos.
 
5) Uma boa igreja disciplina os seus membros.
 
6) Uma boa igreja não tolera ensinos vãos.
 
7) Uma boa igreja não tolera falsificações da obra do Espírito Santo.
 
8) Uma boa igreja zela pelo culto coletivo com ordem e decência.
 
9) Uma boa igreja possui um púlpito sadio, onde a Palavra de Deus é pregada retamente.
 
10) Uma boa igreja teme e honra a Deus.
 
11) Uma boa igreja valoriza a comunhão entre os irmãos.
 
12) Uma boa igreja valoriza a família.
 
13) Uma boa igreja vive o cuidado mútuo.
 
14) Uma boa igreja pratica a hospitalidade.
 
15) Uma boa igreja não perde a chance de evangelizar, falando do amor de Deus a todos quantos puder.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Pureza

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5:8).
 
Uma das virtudes menos presentes em nosso tempo, inclusive entre pessoas que se denominam “evangélicas”, é a pureza. A malícia – inimiga da pureza – está nos anúncios publicitários, moda, letras de músicas, danças, filmes, jornais, revistas, programas de TV, Internet e, infelizmente, nos corações de quase todos. A tolerância à imoralidade tem sido a regra, e atualmente quase ninguém se envergonha em manter conversas, posturas e atitudes que no passado eram consideradas inaceitáveis por cidadãos comuns.
 
A Bíblia constantemente nos exorta à pureza. Tomando apenas o Evangelho segundo Mateus como referência, eis o que Jesus nos disse: “Bem-aventurados os limpos de coração” (Mateus 5:8); “Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mateus 5:28); “Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas” (Mateus 6:22-23); “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18:3); “Se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; (...) se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti” (Mateus 18:8,9). Em síntese, a ordem é sermos puros e fugirmos de toda forma de maldade.
 
A pureza existe na vida do rapaz que se afasta quando vê uma roda de colegas contando piadas indecentes. No coração da moça que, ao comprar um traje de piscina, passa longe dos biquínis sensuais, e, ao escolher uma blusa, nem se atreve a experimentar as mais decotadas. Está na postura cotidiana do profissional liberal que trata sua secretária respeitosamente, sem intimidades indevidas. No agir do grupo de adolescentes os quais passam horas numa lanchonete conversando alegremente, e ali não surge nenhum comentário malicioso e nenhuma brincadeira de baixo nível. A pureza se faz presente nos modos da mulher recatada, cujo vestuário, palavreado e atitudes constrangem todos a respeitá-la. Porém, tudo isso tem se tornado cada vez mais raro, enquanto a indecência se banaliza a cada dia.
 
Ninguém pode agradar a Deus com um coração impuro. De nada adianta ser batizado, membro de uma igreja, frequente nos cultos, dizimista fiel e até mesmo ocupar posição de liderança, se tal pessoa põe o que é mau diante de seus olhos, alegra-se nas coisas vis, porta-se inconvenientemente, faz de si mesmo uma pedra de tropeço para o seu próximo. Isso é cristianismo de fachada e pode enganar os irmãos e o pastor durante algum tempo – não a vida toda – mas não engana ao Senhor que tudo sabe e está em toda parte. Os fariseus do Novo Testamento se empenhavam em manter uma aparência exterior de santidade, todo o povo judeu os admirava, mas Cristo os rejeitou por ter percebido grande maldade nos corações daqueles homens religiosos.
 
A igreja desta geração carece urgentemente de uma profunda mudança de coração e valores. De início, precisamos reconhecer que temos tomado a forma desse mundo e contrariado o alerta bíblico de Romanos 12:2. E então, nos arrependermos sinceramente, com lágrimas e súplicas pelo perdão de Deus. Feito isso, é necessário assumirmos uma postura diária santa, fruto de um interior transformado, que implica em nova maneira de falar, andar, vestir-se, agir, etc. A mudança será clara, visível a todos ao nosso redor! Finalmente, aqueles dentre nós que possuem filhos em casa devem ensiná-los a pureza, como os pais faziam até algumas décadas atrás, impedindo-os de assistirem imoralidade na TV, orientando-os a falarem decentemente e se vestirem com pudor, proibindo-os de ouvirem músicas com letras sujas, entre outras atitudes que gerações passadas sabiam tomar, mas nós desaprendemos. Reconhecemos que hoje é muito mais difícil viver piedosamente, já que a impureza está em toda parte. Mas o nosso Deus é poderoso para operar essa grande graça em Nós. Tenhamos, então, a pureza como alvo e a busquemos diligentemente, no poder do Espírito Santo, para a glória do Senhor!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Ser devoto de “Maria” não é ser cristão

Maria, a mãe do Senhor Jesus, foi um exemplo notável de cristã. Serva do Todo-poderoso (Lucas 1:38, 48), reconheceu ser Ele o seu salvador (Lucas 1:47), foi humilde (Lucas 1:48), negou a si mesma (Lucas 1:38), exortou pessoas a obedecerem as instruções do Senhor (João 2:5), permaneceu com Ele até a cruz (João 19:25) e perseverou com os apóstolos na igreja primitiva (Atos 1:14). Deus concedeu a ela incomparável graça, ao escolhê-la para ser mãe de Jesus, quando este, em Sua humilhação, Se fez homem e habitou entre nós.
 
Ela é o oposto daquela que católicos romanos, espíritas kardecistas e adeptos de religiões afro-brasileiras chamam de “nossa senhora”. Essa outra (“nossa senhora”) requer glória, honra e adoração para si e reserva a si mesma o papel de mediadora entre Deus e os homens. Nunca aponta para o Senhor Jesus, jamais exorta alguém a obedecer ao Filho de Deus. Os devotos que garantem tê-la visto e ouvido dizem que ela os mandou espalhar a devoção mariana, invocá-la e rezar o terço diariamente. Nenhum deles jamais disse que ela os mandou pregar o arrependimento, ler a Bíblia, confiar em Cristo ou crer no Evangelho.
 
Ser devoto de “Maria” (não a da Bíblia, e sim a do catolicismo e espiritismo) não é ser cristão. São duas coisas completamente diferentes e distintas. Para comprovar essa verdade, citamos um exemplo mais ou menos recente e muitíssimo conhecido dos brasileiros, o falecido cantor e compositor Raul Seixas.
 
Raul foi um devoto de “Maria”, e essa devoção foi expressada apaixonadamente na canção “Ave Maria da rua”. Eis alguns trechos da letra: “Bastou o teu olhar pra me calar a voz/ De onde está você, rogai por nós/ (…) Segure a minha mão quando ela fraquejar/ E não deixe a solidão me assustar/ Oh, minha mãe, nossa mãe/ E mata a minha fome nas letras do teu nome/ (…) Oh, minha mãe, nossa mãe/ E mata a minha fome na glória do teu nome”. O tom emocionado e fervoroso com que Raul Seixas interpretou a canção não deixa qualquer dúvida da sinceridade do cantor.
 
Mas Raul Seixas também foi um anticristão militante, e isso fica claro em várias músicas gravadas por ele. Numa delas, “Cowboy fora da lei”, Seixas zomba do sacrifício de Cristo, cantando “Oh, coitado, foi tão cedo, Deus me livre, eu tenho medo, morrer dependurado numa cruz. Eu não sou besta pra tirar onda de herói”. Em outra, “How could I know”, ele nega a segunda vinda de Cristo com as palavras “Cause Jesus Christ, man, won't be coming back no more” (“pois Jesus Cristo, cara, ele não vai voltar mais”). Na música chamada “Só pra variar”, escarnece da salvação eterna assim: “Diz que o paraíso já tá cheio, neném/ Vou levar um lero com o diabo”. E na canção “Al capone”, debocha novamente do sacrifício de Cristo: “Ei, Jesus Cristo, o melhor que você faz é deixar o Pai de lado e foge pra morrer em paz".
 
O Senhor Jesus ama os Seus com amor sem igual, a ponto de esvaziar-Se de Sua glória celestial, vir ao mundo na forma de servo, humilhar-se até a morte e beber o mais amargo cálice, a fim de garantir a salvação dos que n’Ele crerem. Porém, Cristo exige que os homens se arrependam, neguem a si mesmos e morram para os prazeres sujos desse mundo. Em outras palavras, Ele exige renúncia. O ser humano não quer isso. Mas ser um devoto da senhora dos católicos romanos e espíritas não custa nada, qualquer um pode adorá-la, rezar o terço, manter uma imagem de escultura num lugar de honra de sua casa. Não é preciso amar o Senhor Jesus, nem mesmo respeitá-Lo, muito menos servi-Lo.
 
Evangélicos simpatizantes do ecumenismo, pensem nisso!

domingo, 24 de agosto de 2014

Eu quero uma igreja assim!

Eu quero uma igreja que tenha um louvor centrado em Deus
Letras profundas exaltando a Sua majestade e glória
Lindas melodias, declarações de amor em forma de notas musicais
Executadas por um grupo de verdadeiros adoradores
 
Eu desejo uma igreja com o púlpito santo
Pregações bíblicas expositivas, cristocêntricas
Ministradas por homens conhecedores da Palavra
No poder do Espírito, em temor e tremor
 
Eu busco uma igreja de irmãos e irmãs
Pessoas transformadas que se conheçam e se amem
Reunidas num templo com um objetivo comum
Cultuar Aquele que por elas deu a vida na cruz
 
Eu procuro uma igreja que testemunhe a verdade
Durante a semana, em casa, no trabalho ou na escola
Crentes piedosos, humildes e quebrantados
Os quais odeiem o pecado e vivam em santidade
 
Eu anelo por uma igreja dedicada ao estudo das Escrituras
Homens e mulheres que busquem no livro santo
Instruções sobre como agir em todas as áreas da vida
Dispostos a obedecer os preceitos bíblicos sem questioná-los
 
Em sonho em congregar numa igreja cujo Deus é o Senhor
O Altíssimo, soberano criador e sustentador de todas as coisas
Nenhum outro seja servido ou cultuado
Antes, todos O amem e busquem por quem Ele é
 
Igreja que louva
Igreja que prega o Evangelho
Igreja do amor ágape
Igreja separada do mundo
Igreja que conhece a Bíblia
Igreja do único Deus
Essa é a igreja que eu quero
A noiva amada que Cristo, em breve, virá buscar!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eu não quero uma igreja assim!

Eu não quero uma igreja que tenha um louvor humanista
Com letas falando de sonhos e “bênçãos” materiais
Ou mesmo repletas de distorções bíblicas e heresias
E estilos musicais feitos para o entretenimento
Como se o culto fosse baile ou show
 
Eu não desejo uma igreja com o púlpito contaminado
Palestras motivacionais ao invés de pregação
Mensagens feitas para agradar o ouvinte
Autoajuda, humor, dicas sobre como prosperar
E nenhum chamado ao arrependimento e fé em Cristo
 
Eu não busco uma igreja de multidões
Dez mil pessoas num templo semelhante a uma casa de espetáculos
Assistindo de longe a um pastor “estrela” que não conhece suas ovelhas
Sem comunhão entre os membros, sem irmãos e irmãs
Cada qual buscando seus próprios interesses
 
Eu não procuro uma igreja sem testemunho
De ímpios que se declaram “evangélicos”
E mentem, roubam, se prostituem, provocam intrigas, amam o mundo
Sem demonstrar o mínimo traço de contrição
Enquanto, por sua culpa, o Nome de Cristo é blasfemado entre os incrédulos
 
Eu não caibo numa igreja cujos membros nada conhecem de Bíblia
Decoram meia dúzia de versículos, utilizam-nos fora do contexto
Engolem todo tipo de besteiras apregoadas por líderes igualmente ignorantes
"Determinam" suas bênçãos, "profetizam" vitórias
Crendo num outro evangelho que não é o do Senhor Jesus
 
Eu não posso congregar numa igreja que cultua um deus que não é Deus
Um "pai do céu" bonzinho, o qual sonha em abençoar a todos
Mas não pode, porque depende do homem para agir
Vive mendigando nosso amor, feito menino carente
Implorando a todos que "aceitem a Jesus"
 
O motivo porque não quero uma igreja assim é um só:
Isso não é igreja; essa não é a noiva do Cordeiro!
Pode ser tudo: um clube, uma empresa, um centro de lazer
Mas não é o povo eleito, remido, santo, por quem o Senhor morreu na cruz!
E se amo o Rei Jesus, a Sua igreja, somente ela, é o meu lugar.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

“Templo de Salomão” da IURD: para a glória de quem?

Durante o reinado de Salomão, foi edificado em Jerusalém o grandioso templo destinado a abrigar a arca da aliança do Senhor, símbolo da Sua presença. Israel vivia o Antigo Testamento, aguardando o Messias prometido, e o culto a Deus consistia em figuras do Cristo que viria: sacrifícios de animais, o véu isolando o lugar santíssimo, o sangue aspergido sobre a arca pelo sumo sacerdote, etc. Àquela época, o templo era o lugar da habitação do Senhor na terra, o local onde se cultuava o Senhor Jeová. Mas o Filho de Deus veio, morreu na cruz, ressuscitou e subiu aos céus, tendo consumado o sacrifício perfeito em favor de todos que n'Ele creem. O Espírito Santo desceu sobre a igreja, habitando no coração dos crentes, os quais são, hoje, o Seu templo. Não há mais um lugar físico reservado à adoração divina, pois o Pai procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade.
 
Ao que parece, a Igreja Universal do Reino de Deus ignora essas verdades elementares. No dia 31 de julho foi inaugurado em São Paulo o “Templo de Salomão”, nova sede da IURD, uma réplica do edifício erguido em Israel durante a Antiga Aliança. Abrindo a cerimônia, um cortejo de homens com vestes semelhantes às dos sacerdotes israelitas trouxe até o templo uma imitação da arca da aliança. Elementos típicos do culto verotestamentário estavam em toda parte: candelabros de sete velas, estolas sacerdotais, etc. Todos os obreiros usavam barba, como era costume na antiga Israel. Enfim, o que eram apenas sombras da obra de Cristo já consumada, voltaram ao centro. O Sumo Sacerdote perfeito foi esquecido, em detrimento do extinto sacerdócio levítico. Voltou-se ao Antigo Testamento!
 
A cerimônia contou com a presença da Presidente da República Dilma Rousseff, do Vice-Presidente Michel Temmer, do Governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do Prefeito de São Paulo Fernando Haddad, do Ministro do STF Marco Aurélio Melo, dentre outros. Autoridades constituídas, a quem devemos honrar, segundo a Bíblia. Mas, naquela ocasião específica, a participação de várias dentre as principais figuras públicas brasileiras, somada à suntuosidade da edificação e à pompa da cerimônia evidenciaram uma triste demonstração de poder pela IURD. Poder dos homens, não de Deus. Nada ali convidava os presentes ao quebrantamento, nada glorificava ao Senhor. A beleza de Cristo ficou de fora, e não poderia ser diferente. É impossível exaltar o Filho de Deus contrariando a Bíblia!
 
Não bastassem os absurdos teológicos mencionados e a grandiloquência do evento inaugural, há outro terrível agravante envolvendo o “Templo de Salomão”. A obra custou R$685.000.000,00 (seiscentos e oitenta e cinco milhões de reais!). Se considerarmos o custo médio mensal de três mil reais para o sustento digno de uma família de missionários (em alguns lugares, o custo de vida é mais alto, em outros, mais reduzido), o orçamento da nova sede da IURD possibilitaria a manutenção de 19.027 (dezenove mil e vinte e sete) famílias no campo missionário durante um ano inteiro. Ou de 3.805 (três mil, oitocentas e cinco) famílias durante cinco anos! “Para Deus deve-se fazer sempre o melhor”, alguns diriam. Infelizmente, uma réplica de templo verotestamentário não é o melhor, de maneira nenhuma. Mas, ainda que fosse outro edifício, adequado ao culto público da igreja, tamanho gasto numa só obra é um erro gravíssimo. A prioridade em qualquer denominação genuinamente evangélica precisa ser resgatar almas para Cristo, e não erguer edifícios.
 
O “Templo de Salomão” da IURD é prova inequívoca de que o meio evangélico vive uma crise. Falta discernimento, conhecimento bíblico, temor, humildade, amor a Deus, amor aos irmãos, compaixão pelos perdidos. Heresias, as mais diversas, correm soltas. O dinheiro é adorado, a contaminação dos valores mundanos é notória. Precisamos desesperadamente de um autêntico avivamento e do retorno à centralidade de Cristo e da Bíblia como única, inerrante e suficiente Palavra de Deus. Que o Senhor tenha compaixão de nós, trazendo restauração. Pois chegamos ao fundo do poço!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A cultura decadente e a nossa omissão

Quando se fala em cultura, uma palavra surge de imediato em nossa mente: decadência. O declínio cultural é a realidade em muitas sociedades contemporâneas, e o Brasil não constitui uma exceção. É deplorável a qualidade na grande maioria das músicas, livros, novelas, filmes, revistas, programas de TV e outras manifestações culturais produzidas em nossos dias. Quanto à minoria restante – obras feitas com mais capricho – a contaminação dos valores mundanos, especialmente o apelo sexual, se faz presente em quase todas elas. Resta ao cristão pouquíssimo material digno de ser apreciado.
 
Entretanto, somos culpados por essa situação. Historicamente, o povo evangélico brasileiro tem se recusado a produzir cultura de qualidade. A mentalidade dominante em nossas igrejas sempre foi mais ou menos a seguinte: crente só lê a Bíblia, só ouve canções de louvor, só assiste a programas evangélicos e filmes com temas bíblicos, e assim por diante. “O mundo jaz no maligno” (isso é verdade, sem dúvida), então precisamos nos afastar do mundo. Evidentemente, temos o dever de nos mantermos puros, não colocando o que é mau diante de nossos olhos. Somos exortados à santidade, à separação do pecado. Fazemos bem em não consumir material sujo, repleto de tudo que ofende a Deus. Porém, agimos mal quando nos isolamos em nossas igrejas, deixando de oferecer a todos uma produção cultural diferente e melhor. Isso é omissão.
 
O evangélico brasileiro não compõe canções falando de amor, das paisagens exuberantes do nosso país, tampouco belas músicas instrumentais. Não escreve livros com histórias dignas de serem lidas. Não produz artes plásticas retratando com sensibilidade as obras do Criador. Não dirige filmes de qualidade, criativos, sem cenas imorais e chocantes. Provavelmente, se um crente manifestar disposição em fazer qualquer dessas coisas, seus próprios irmãos de fé o chamarão “desviado”, como se tudo o que não é explicitamente “evangélico” fosse pecado. Essa postura limitada e preconceituosa evidencia nossa falta de entendimento. Para um servo de Cristo, produzir cultura segundo os padrões vigentes de fato significaria desviar-se do Evangelho. Mas produzi-la para a glória de Deus é algo que o Senhor certamente espera de nós.
 
A Bíblia nos convoca a sermos luz para este mundo. Uma das formas de resplandecermos a luz de Cristo seria fazermos música, cinema, teatro, artes plásticas, literatura, dança e outras manifestações culturais que exaltassem ao Senhor, retratando algo de Sua majestade através de notas musicais, cores, formas, palavras e demais recursos que Ele próprio nos oferece. Enquanto os incrédulos exploram o pecado, usando-o como fonte de inspiração, nós revelaríamos a pureza, a justiça, a graça, o amor. Ao passo que os ímpios procuram despertar o pior do ser humano, nós nos empenharíamos em trazer à tona o que eleva o espírito. Dons e talentos, Deus bondosamente nos concede. Quem se habilita a utilizá-los nesse nobre propósito?

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Como começa um avivamento

Um dos maiores anelos da igreja nestes dias é experimentar um grande avivamento. Pregadores tratam do tema insistentemente, denominações se mobilizam, congressos são organizados, livros são publicados, canções são escritas, enfim, tudo é feito na expectativa de um tremendo mover do Espírito Santo. Mas o avivamento não vem. Alguns até tentam fabricá-lo, promovendo encenações e manifestações estranhas, fingindo que o fogo dos céus caiu. Mas é fato incontestável que nossa geração nunca vivenciou um autêntico despertamento espiritual. Onde temos falhado?
 
De início, devemos considerar a soberania de Deus. O Senhor é quem concede avivamentos onde e quando Lhe apraz, para o bem de um povo, restauração da Sua igreja e glória do Seu Nome. Porém, nossa falha e fracasso tem sido negligenciar um princípio fundamental, claramente exposto nas Escrituras, de que todo mover do Espírito começa com arrependimento e confissão de pecados. Ainda que a obra tenha início no coração de um homem, alcançando outras pessoas posteriormente, até atingir multidões. Quem deseja ver um grandioso despertamento espiritual acontecer precisa, antes, abominar o pecado – inclusive o que habita em seu próprio coração – e se humilhar diante da majestade de Deus. Vejamos três exemplos desta verdade na Palavra do Senhor.
 
O reinado de Josias. No capítulo 22 de 2Reis, lemos o episódio em que o escrivão Safã veio até o rei Josias, trazendo consigo o livro da lei que havia sido encontrado no templo. Ao lê-lo, Josias rasgou suas vestes e deu a seguinte ordem ao sacerdote Hilquias, a Safã e alguns de seus servos: “Ide e consultai o SENHOR por mim, pelo povo e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do SENHOR que se acendeu contra nós, porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem segundo tudo quanto de nós está escrito” (2Reis 22:13). A partir daí o rei conclamou o povo a renovar a aliança com o Senhor, promovendo também a purificação do templo e do culto.
 
Judá nos tempos de Neemias. O livro de Neemias narra um período de grande avivamento no meio do povo de Deus. Logo no primeiro capítulo, a Bíblia nos conta o quebrantamento de coração daquele homem quando soube da terrível miséria porque passava Jerusalém. “Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus. E disse: ah! Deus dos céus. Deus grande e terrível, que guardas a aliança e a misericórdia para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos! (...) faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado”. Depois disso, Neemias foi enviado a Judá, onde se deu a restauração dos muros de Jerusalém e um maravilhoso despertamento espiritual.
 
Atos dos Apóstolos. O maior avivamento da história foi preparado pelo Senhor Jesus em pessoa, reunindo um grupo de discípulos fieis, os quais aprenderam a depender de Deus e buscar a Sua face através do exemplo do próprio Filho do Altíssimo, que lhes mostrou, na cruz, o horrível preço do nosso pecado. O Livro de Atos nos conta que, antes do derramamento do Espírito em Pentecostes, Jesus determinou aos seus escolhidos que não se ausentassem de Jerusalém, mas esperassem ali o cumprimento da promessa. Os discípulos perseveraram unânimes em oração, diariamente, até a vinda do Espírito Santo. Certamente foram dias de notável quebrantamento, arrependimento de pecados e intensas súplicas.
 
Todos nós que amamos ao Senhor anelamos por um genuíno avivamento na igreja. Mas, infelizmente, há muito pecado não confessado em nosso meio. Há vaidade, inveja, lascívia, mentira, fofoca, ganância, futilidade, contentas, fornicação, insubmissão, mágoas e muitos outros males enraizados no coração do povo que confessa o Nome de Cristo. Os de fora, incrédulos, vivem dessa maneira sem se importarem com isso; porém entre nós não pode ser assim. O Espírito de Deus é Santo e jamais dividirá espaço com tanta sujeira! Precisamos de arrependimento sincero, quebrantamento verdadeiro, até às lágrimas! Aprendamos isso de uma vez por todas, ou permaneceremos no triste estado de letargia espiritual em que nos encontramos.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Como as igrejas devem lidar com o dinheiro?

O maior motivo de escândalo no meio evangélico atual é, sem sombra de dúvida, a forma como uma considerável parte dos líderes (pastores, bispos, “apóstolos”, etc) e suas igrejas lidam com o dinheiro. Infelizmente, sobram evidências de mau uso dos dízimos e ofertas, sobretudo no meio neopentecostal, e isso dá munição aos inimigos do Evangelho para continuarem a atacar e escarnecer do povo de Cristo. A população crente é vista como uma multidão de tolos, os quais empregam até o último centavo do salário no sustento dos milionários comerciantes da fé. E o Reino de Deus é confundido com um imenso balcão de negócios escusos. Que tragédia!
 
Portanto, é dever dos verdadeiros ministros de Cristo, líderes de igrejas sérias, alicerçadas na Palavra de Deus, distinguir-se radicalmente de tudo isso, mantendo uma postura de ética e transparência no trato com o dinheiro arrecadado. Mais do que denunciar erros, deve-se dar o exemplo, para que os incrédulos se calem e os maus obreiros sejam envergonhados. Nessa tarefa, cada denominação genuinamente cristã, consciente de seu papel, adota as medidas que julga serem mais adequadas. Uma delas, bastante conhecida, optou por não pagar salários aos seus pastores, que trabalham voluntariamente (embora a Bíblia afirme ser o trabalhador digno de seu salário). Sem esgotar o assunto, aqui citamos algumas propostas úteis que temos visto em igrejas locais do nosso conhecimento.
 
1. Minuciosa prestação de contas: é imprescindível que se dê aos membros dizimistas e ofertantes a oportunidade de saberem qual tem sido o destino do dinheiro arrecadado em suas igrejas. Qual é o salário do pastor, quanto se gasta na manutenção do templo, quanto custou aquele novo instrumento musical adquirido, são informações as quais não podem ser ocultadas das pessoas que regularmente contribuem com seus próprios recursos financeiros. É lícito, inclusive, que os recibos e notas fiscais estejam à disposição dos membros interessados, para consulta. Cada denominação deveria utilizar, no mínimo, uma reunião a cada ano para apresentar aos membros a prestação de contas. Melhor seria se o fizessem uma vez por semestre.
 
2. Não recolher ofertas durante campanhas de oração: toda igreja pode, sempre que julgar oportuno, promover reuniões de oração com propósitos específicos (exemplo: um mês de clamor por curas, nos cultos de sexta-feira). Porém, é um desastre quando, justamente nesses encontros, as pessoas presentes são incentivadas a ofertar. Tem-se a impressão de que, para ter sua súplica respondida por Deus, o crente deve contribuir com generosa quantia em dinheiro – o que é um absurdo! Para evitar qualquer confusão nesse sentido o melhor remédio é deixar para recolher ofertas em outra ocasião.
 
3. Anúncio antecipado de ofertas alçadas: em certas ocasiões, as igrejas podem solicitar de seus membros ofertas alçadas, visando um objetivo como a reforma do templo, a aquisição de um novo equipamento ou algo semelhante. É importante que esse pedido seja feito com antecedência, para que os irmãos, em casa, reflitam, façam as contas e verifiquem com quanto podem contribuir sem desfalcar o orçamento doméstico. Além disso, logo após o levantamento do valor necessário e da aquisição do bem, a igreja beneficiada deve comunicar aos membros quanto se arrecadou e qual foi o destino do dinheiro recolhido (exemplo: o valor das ofertas foi “X” reais, que estão sendo empregados na reforma das salas 1 e 2, utilizadas na Escola Dominical).
 
4. Jamais recolher ofertas no calor da emoção: o ofertório deve ser um momento de total sobriedade durante o culto. Convocam-se os membros a entregarem seus dízimos e ofertas, e os valores (já separados em casa) são recolhidos, sem qualquer apelo ou mensagem que venha comover os presentes, de preferência ainda no início do culto. Visitantes nunca, em hipótese alguma devem ser constrangidos a ofertar, pois muitos deles nem sequer tiveram qualquer experiência de salvação! Esses cuidados são importantes, para que ninguém, de forma impensada, dê à igreja o que não tem e se afunde em dívidas, para depois se arrepender. Cada um contribua generosamente, sim, mas segundo suas possibilidades. É o que a Bíblia ensina.
 
5. Dar a cada centavo a destinação devida: as igrejas precisam estar atentas para nunca aplicar o dinheiro de forma diferente do previsto. Existe a verba para construção do templo, o fundo de missões, o caixa de assistência social e o montante destinado ao pagamento de salários e manutenção das despesas cotidianas; haja, então, rigor na administração dos recursos, a fim de evitar mistura, o que dificultaria a prestação de contas. A porta de entrada para a corrupção é a negligência administrativa, que não pode ser tolerada no corpo de Cristo.
 
6. Dignidade e bom senso no salário dos ministros: é difícil se estabelecer um piso salarial para pastores, já que certas congregações contam com meia dúzia de membros dizimistas. Porém, cada igreja deveria, levando-se em conta os recursos disponíveis, estabelecer um valor mínimo para o salário de seus obreiros, conforme o tempo de dedicação ao ministério de cada um. E seria prudente também fixar um valor máximo, até mesmo nas grandes denominações, onde congregam dezenas de milhares de membros. Naturalmente, um ministro atuante num grande centro, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília – cidades nas quais o custo de vida é exorbitante – ganharia um salário maior que o seu colega do interior. Mas não é justo que nenhum obreiro, nem mesmo o líder maior da denominação, se enriqueça no exercício do pastorado.
 
Estas são algumas medidas práticas adotadas em igrejas sérias, muitíssimo úteis para evitar a corrupção em suas fileiras. Outras semelhantes podem ser utilizadas, visando o mesmo propósito. O que não se pode mais tolerar é a manutenção de práticas infames no meio evangélico, tão comuns entre falsos ministros, gananciosos lobos em pele de cordeiro, amantes do dinheiro, vendedores de indulgências contemporâneos, que dão aos ímpios brecha para todo tipo de críticas, manchando assim a imagem do corpo de Cristo. Que cada verdadeira igreja cristã e cada obreiro genuinamente vocacionado tenha estas coisas em alta consideração, a fim de dar o bom exemplo.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Um estilo de vida simples

Enquanto esteve na terra, na forma visível de homem, o Senhor Jesus nos trouxe, mediante parábolas, mandamentos e exemplo pessoal, lições claras a respeito do estilo de vida a ser vivido pelos Seus. “Aprendei de mim, porque sou (...) humilde de coração”; “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra”; “Ninguém pode servir a dois senhores; (...) Não podeis servir a Deus e às riquezas”; “Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir”. Nosso bendito Salvador ensinou o desapego aos bens materiais, e os primeiros discípulos compreenderam isso muito bem.
 
A “teologia da prosperidade”, de Keneth Hagin, Benny Hinn, Mike Murdock, Morris Cerullo, Edir Macedo e tantos outros, perverteu por completo as palavras de Cristo. Multidões aprenderam a reivindicar de Deus a abundância de bens materiais, como quem exige seus direitos perante um juiz. A prática do dízimo e das ofertas tornou-se um meio de se garantir a bênção financeira, e muitos passaram a encará-la como um investimento de retorno seguro, e não como forma de culto ao Senhor. Com isso, os membros das denominações neopentecostais abraçaram uma vida de busca desenfreada pelas riquezas, e a ínfima minoria que atingiu esse objetivo exibe seus luxos – carros, casas, empresas, roupas de grife – como troféus. Para a glória de Deus ou do homem?
 
Cristãos devem, sim, estudar e trabalhar zelosa e dedicadamente, detestando a ociosidade. Precisam gastar seus salários sabiamente, sem desperdiçar dinheiro com futilidades. Devem planejar com diligência antes de aplicar seus recursos em alguma obra ou empreendimento. Essas atitudes, ordenadas por Deus em Sua Palavra, conduzem a uma vida próspera, até mesmo se um descrente as tomar. Além disso, a boa mão do Senhor traz, sim, abundância de pão para os Seus filhos – há muitas promessas bíblicas nesse sentido. Portanto, o mal não é alguém ser bem sucedido financeiramente. A questão é: qual é o estilo de vida dessa pessoa e de seus familiares?
 
Vamos imaginar alguns exemplos práticos. Será que Deus Se agrada quando um crente mantém uma coleção de automóveis importados na garagem, ou quando troca um modelo de luxo por outro ainda mais luxuoso a cada ano? Ou quando uma filha Sua gasta dois salários mínimos por mês em salões de beleza? Porventura o Senhor tem prazer em ver uma família cristã empregar, em lazer e roupas da moda, alguns milhares de reais todos os meses? Ainda que o simples fato de possuir esses bens não seja pecado, não é bom que eles ocupem espaço tão privilegiado na vida de crentes. Sobretudo se a manutenção desse padrão econômico exigir tanto do tempo e das energias de quem os mantém, a ponto de sobrar apenas migalhas para Deus e para o próximo.
 
Além disso, os que adquirem grande quantidade de bens dispendiosos correm sério risco de virem a amar as riquezas e nelas depositarem sua confiança. “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes”; “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes”, diz a Palavra de Deus. A alegria e o contentamento verdadeiros, no que se refere a esse mundo, estão nas coisas simples, como os momentos de comunhão amorosa desfrutados junto à família e aos irmãos. Situações que independem do dinheiro. Quão tolos e cegos são os que associam o luxo e a pompa mundanos com a alegria e a segurança! E que terrível desgraça é alguém pensar, como os de Laodiceia: “estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”!
 
Deus não mudou. O fato de pastores, bispos e “apóstolos” contemporâneos apresentarem um novo modelo de “cristianismo”, de glórias pessoais e luxos, não altera uma vírgula sequer da eterna Palavra do Senhor. As instruções dadas à igreja primitiva são as mesmas que nós, hoje, recebemos. É hora do povo de Cristo acordar para a urgente necessidade de retornarmos à simplicidade típica das primeiras comunidades de discípulos e de outros períodos de ouro do cristianismo. Não podemos continuar tomando a forma desse mundo materialista e fútil, perseguindo os mesmos objetivos que os incrédulos perseguem e amando as mesmas coisas que eles amam! Aprendamos com o nosso Senhor e Salvador a sermos humildes de coração, e Ele certamente Se alegrará em nós!