quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Curso de Teologia reconhecido pelo MEC

É possível que alguém genuinamente convertido ao Evangelho, disposto a servir ao Senhor, necessite de um diploma de Bacharel em Teologia reconhecido pelo MEC. Não por mera vaidade, mas para seguir determinada carreira, em especial a de professor em escolas e seminários. Talvez um curso “livre” não será aceito nestas situações específicas, e, ao que parece, os programas de validação de créditos oferecidos por algumas faculdades teológicas em breve deixarão de existir. Para os cristãos prestes a iniciar um curso com o aval do Ministério da Educação convém observar alguns detalhes importantíssimos antes de optarem por essa ou aquela instituição de ensino.

Atentem para a grade curricular proposta. É indispensável que as disciplinas das áreas de Teologia Sistemática e Teologia Bíblica predominem, e não as matérias relacionadas às ciências humanas. Algumas palavras e expressões são especialmente perigosas, por serem indícios de currículos excessivamente ecumênicos e liberais, por exemplo: “ecumenismo”, “inter-religioso”, “fenomenologia da religião”, “ciências da religião”, “estudo das religiões”, etc.

Observem os textos de apresentação do curso, disponíveis no site da faculdade. O discurso é típico de uma instituição evangélica? Há alguma menção a Cristo, igreja, piedade, testemunho, evangelismo ou a alguma linha teológica clara (batista, presbiteriana, etc)? Bom sinal. Mas se ao invés disso a mensagem tem conteúdo neutro, podendo referir-se a qualquer ambiente teológico ou religioso, cuidado. Talvez a preocupação única seja a formação de cientistas da religião, não servos do Deus Triúno revelado nas Escrituras.

Atentem para os professores desses cursos, identifiquem o pensamente teológico deles. Ouçam opiniões de ex-alunos e de alunos do último período. Algumas instituições de ensino são ligadas a igrejas específicas, e nesses casos torna-se muito mais fácil descobrir a identidade teológica dominante. Fujam das faculdades vinculadas a denominações participantes de movimentos ecumênicos, como o Conic – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, porque muitos alunos perderam a fé ali, influenciados por mestres ateus ou agnósticos!

Procurem de antemão conhecer e identificar os desvios presentes na teologia de autores como Friedrich Schleiermacher, Rudolf Bultmann, Paul Tillich, Gustavo Gutiérrez, e o caráter nocivo das teologias liberal, neo-ortodoxa e da libertação, entre outras. Leiam textos e assistam a vídeos de ministros piedosos com mensagens de alerta contra esses descaminhos teológicos. Entendam os pressupostos e ideologias sobre os quais esses movimentos se apoiaram, porque neles há muito de Karl Marx, Nietchze, Heidegger e outros pensadores não cristãos.

Orem constantemente, roguem a Deus por misericórdia, busquem a santificação e a intimidade com o Senhor com quebrantamento, humildade e humilhação. Lembrem-se de que o aprofundamento nos estudos teológicos levou muitos intelectuais brilhantes à heresia e incredulidade, por isso é indispensável que se curse Teologia com temor e tremor. Entendam que o objeto do labor teológico é o Alto e Sublime, o Todo-Poderoso Senhor do universo, e que toda vaidade e orgulho devem ser subjugados desde o primeiro dia de Seminário. Que o Senhor lhes ajude e dê graça!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Cinco perigos que rondam a Igreja Evangélica

Em todas as épocas a Igreja (isto é, o povo de Deus, crentes em Jesus Cristo) sempre esteve ameaçada por heresias e enganos perniciosos, aptos a minar-lhe a saúde espiritual. Distorções nascidas no coração de homens não convertidos (ou na mente do próprio satanás), com aparência de bem, porém capazes de produzir grandes estragos. Aqui mencionamos alguns dos erros mais frequentes nos dias atuais. Para não “chover no molhado”, deixamos de citar a “teologia” da prosperidade, o liberalismo teológico e o ecumenismo, temas presentes em diversas postagens deste Blog. Que o Senhor nos livre de todos esses males!

1. Pentecostalismo frenético: favor não confundir com o pentecostalismo sério, ensinado por servos de Deus como David Wilkerson, Antônio Gilberto e Ciro Zibordi, dentre outros. O que chamamos de “pentecostalismo frenético” são as manifestações carnais, frutos da imaginação humana, que têm infestado diversas igrejas: falsas profecias, “revelações” que nunca acontecem, entendimentos bizarros a respeito de batalha espiritual, etc. Essas coisas frequentemente têm tomado o lugar da Palavra de Deus, produzindo graves danos no nosso meio.

2. Mentalidade empresarial: muitas denominações, empenhadas em atingir rápido crescimento, têm caído nessa armadilha. Mentalidade empresarial significa utilizar no corpo de Cristo as técnicas de administração e publicidade adotadas no meio secular. Isso compromete toda a apresentação do Evangelho, desde o convite para que alguém vá conhecer determinada igreja, passando pelas canções de louvor, a pregação, as orações, etc. Tudo passa a ser feito sob medida para agradar os incrédulos (assim como as empresas buscam agradar sua clientela). O resultado? Falsas conversões, superficialidade, enfim, cristianismo de aparências, que não salva ninguém.

3. Oba-oba: o cristianismo é tratado como se fosse um estilo de vida divertido. Ritmos musicais da moda, coreografias de danças, templos parecidos com boates (repletos de luzes coloridas, gelo seco, etc), pastores com jeito de garotões “sarados”, muita gíria, mensagens descontraídas e muitíssimo apelo carnal. Os membros, quase todos jovens ou adolescentes, são incentivados a aderirem ao “Evangelho” como quem abraça um modismo qualquer (punk, skate, surf, emo, funk, grunge, etc). Obviamente, tais pessoas abandonarão o Senhor Jesus diante da primeira dificuldade.

4. Autoajuda: aqui, o templo é transformado num enorme consultório de psicologia e o Evangelho dá lugar à terapia coletiva. As pessoas chegam ao culto estressadas, aflitas, cheias de problemas e saem leves, animadas, sorridentes. Durante a mensagem todos riem, se divertem, ouvem receitas sobre como podem ter uma vida com mais qualidade. As canções são o fundo musical perfeito, emocionam e incentivam os presentes a enfrentarem a semana com mais ânimo. Com isso, assuntos como o novo nascimento, a santificação e a vida eterna são completamente desprezados. O foco é o bem-estar neste mundo, e só.

5. Omissão em nome da boa convivência: muitos pastores, líderes e até membros que não ocupam cargo algum olham ao redor e veem que a sua denominação não vai bem. As heresias vêm conquistando espaço no coração de vários irmãos, a santificação tem sido desprezada pela maioria, o desconhecimento bíblico é crescente, o desapego à sã doutrina é cada vez mais óbvio. Porém, aqueles que percebem tudo isso decidem se calar. Não querem criar polêmicas, contrariar os irmãos, ver a quantidade de membros diminuir. Preferem fechar os olhos para os problemas e seguir em frente como for possível. A consequência? Só a eternidade revelará. E com certeza não será nada boa.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Justiça social sim; socialismo não!

A Palavra de Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, constantemente denuncia a opressão dos ricos contra os pobres e desfavorecidos, mostrando-nos o quanto o Senhor abomina esse pecado. Só para citar dois exemplos, em Isaías 1:23-24 lemos: “Os teus príncipes são rebeldes e companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno e corre atrás de recompensas. Não defendem o direito do órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas. Portanto, diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, o Poderoso de Israel: Ah! Tomarei satisfações aos meus adversários e vingar-me-ei dos meus inimigos”. E em Mateus 23:14: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo!”.

A Bíblia também nos chama a termos grande compaixão pelos necessitados, abrirmos mão do materialismo e opulência, exercermos socorro e misericórdia, dividirmos nossos bens com aqueles que nada possuem (principalmente os de mesma fé). Eis algumas passagens que demonstram isso: “Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo” (Lucas 3:11); “Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados” (Hebreus 13:3); “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males” (1Timóteo 6:9-10); “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (1João 3:17).

A igreja que fecha os olhos à injustiça, não se preocupa em ir até os oprimidos e anunciar-lhes a salvação em Cristo Jesus, peca. A igreja que não oferece aos excluídos o alimento, roupa, medicamentos, consolo e apoio em outras áreas (educação, lazer saudável, etc), o quanto for possível, deixa de cumprir o seu papel neste mundo. Porque o cristianismo não se limita aos cultos nos templos, às reuniões de estudo bíblico, ao Batismo e Ceia do Senhor, mas, além de tudo isso – que é primordial – vai até onde estão a fome, a escassez, a doença, a dor, o desespero, e leva o amor prático junto com a Palavra de Deus. Ser crente é amar a Deus acima de tudo, e também amar ao órfão, à viúva, ao pobre e ao estrangeiro; isso está claramente expresso nas Escrituras.

Porém, há quem confunda as coisas, e pense que socorrer os pobres e excluídos significa abraçar o socialismo, os partidos políticos e movimentos populares de esquerda. Imaginam que o chamado bíblico ao exercício da compaixão e misericórdia deve ser cumprido por meio de uma aliança com os marxistas contemporâneos. Mesmo sabendo que o marxismo, desde o seu nascimento, defende o ateísmo e rejeita enfaticamente as doutrinas cristãs mais básicas e essenciais, como a queda do homem, a universalidade do pecado e a salvação conquistada por Cristo. Mesmo cientes de que os esquerdistas, desde Karl Marx, desprezam a lei moral de Deus, eterna e imutável. Os cristãos socialistas existem, e aparentemente acreditam que o socialismo é a única opção para quem não deseja ser um aliado dos ricos opressores deste mundo.

Uma vez aliados dos grupos e partidos de esquerda, os cristãos socialistas passam a aderir às causas defendidas pelo marxismo, como a legalização do aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a adoção da “ideologia de gênero” nas escolas (que, na prática, significa explicar a crianças pequenas como são realizadas as mais diversas formas de relação sexual, e também convencê-las a questionar sua própria identidade sexual, para que cada uma “descubra” se é homo, hetero ou bissexual), a absoluta igualdade de papéis (não só de direitos, mas de papéis!) entre o homem e a mulher, a eutanásia e outras bandeiras incompatíveis com os valores do Reino de Deus. Tornam-se simpatizantes de governantes que a cada dia empenham-se mais em destruir o cristianismo no Brasil. E o mais impressionante, passam a criticar fortemente os cristãos conservadores e defensores dos padrões bíblicos de comportamento!

Você, que lê este texto, se identifica com a descrição acima? Pondere, então, no seguinte. A compaixão que você sente pelos oprimidos e necessitados é correta, seu empenho em levantar recursos para promover melhorias nas condições de vida nas periferias e sertões é muitíssimo nobre, sua indignação diante da exploração sofrida por milhões de brasileiros é justa. Porém, você há de convir que grande parte das reivindicações da esquerda chocam-se frontalmente com a Palavra de Deus, e não há consenso possível entre esta e aquelas. Sendo assim, reflita e responda honestamente para si mesmo: você realmente crê nas Escrituras? Acredita nos milagres descritos no Novo Testamento? No iminente retorno de Cristo à terra como justo juiz? Você crê que há dois, e somente dois destinos possíveis para os mortos; o céu (para os crentes nascidos de novo) e o inferno (para o restante da humanidade)? Ou tudo isso lhe parece um monte de estórias fantasiosas? Quem sabe você não tem fé alguma no Deus invisível e seu engajamento em movimentos sociais é a sua tentativa pessoal de fazer justiça e dar sentido à sua própria existência? Pense nisso e, se for o caso, arrependa-se, creia no Evangelho e volte-se para Cristo!

sábado, 21 de novembro de 2015

A péssima imagem da igreja evangélica brasileira hoje

Até os anos de 1960 ou 1970, ser evangélico no Brasil significava algumas coisas. Embora a sociedade brasileira, predominantemente católico-romana-espírita, nutrisse evidente antipatia por nós (na verdade, pelo genuíno Evangelho), e a despeito de toda hostilidade com que nos tratavam, forçosamente reconheciam algumas características típicas dos membros de “igrejas de crente”: pessoas que não bebiam, não fumavam, não frequentavam bailes e nem festas como o carnaval, vestiam-se com pudor e modéstia, absolutamente honestas no trabalho e no trato com o dinheiro, moderadas em tudo, bastante conservadoras, que falavam sobre Jesus o tempo inteiro. 

Hoje, com o inchaço das denominações “evangélicas”, em especial as neopentecostais, o termo “evangélico” mudou completamente de sentido. Dezenas de milhões de brasileiros, movidos por mera conveniência, tornaram-se membros das tais igrejas sem jamais terem experimentado o novo nascimento. A teologia não é mais a mesma, a fé é outra, os valores são outros, e, lamentavelmente a transformação foi para pior. A população do nosso país, ainda predominantemente católico-romana-espírita, tem mantido opiniões muito negativas acerca dos ditos “evangélicos”, e há bons motivos para isso. Basicamente, povo brasileiro nos vê como: 

Materialistas, amantes do dinheiro;
Desonestos nos negócios, maus pagadores;
Tolos que doam rios de dinheiro para sustentar a opulência de pastores corruptos;
Imorais, tanto quanto os incrédulos;
Irreverentes e sem temor a Deus;
Insensíveis diante do sofrimento do próximo;
Hipócritas que falam em santidade e vivem no pecado;
Massa de manobra de políticos corruptos que se dizem evangélicos;
Tietes dos cantores e cantoras “gospel”;
Fúteis;
Pouco (ou nada) espirituais;
Completamente diferentes de Jesus, o carpinteiro manso e humilde de coração.

E então, precisamos ou não de uma nova Reforma na Igreja Evangélica?

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Manifesto contra o crescimento da igreja evangélica

Antes de subir aos céus, o Senhor Jesus, ressurreto dentre os mortos, deixou uma ordem aos apóstolos, de fazerem discípulos em todas as nações, batizando os tais em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo e ensinando-os a guardar a Palavra de Deus. A igreja anela por esse crescimento saudável, bíblico, mediante o acréscimo de mais pessoas genuinamente convertidas, transformadas, salvas, libertas do poder do pecado, cheias de amor por Cristo e dispostas a servi-Lo. 

Recentemente, as denominações evangélicas têm experimentado grande crescimento numérico, com o aumento significativo da quantidade de membros batizados. Mas o número de discípulos do Senhor não cresce, e isso se torna evidente quando observamos o testemunho público dos chamados “evangélicos” deste país. Não existe diferença entre os que professam a fé no Evangelho e os descrentes, ambos vivem da mesma forma, mantém o mesmo comportamento, frequentam os mesmos lugares, usam o mesmo tipo de roupa, assistem aos mesmos programas de TV, acessam os mesmos sites na Internet. Talvez existam hoje menos crentes verdadeiros no Brasil do que havia há trinta anos atrás.

O que tem crescido assustadoramente no nosso meio é o joio: pessoas não regeneradas, não salvas, sem nenhum amor a Deus e ao próximo, que se tornaram membros de alguma denominação evangélica porque lhes era conveniente. Um dia assistiram a um culto evangélico, gostaram e continuaram frequentando as reuniões de certa igreja. Então, foram batizadas e aceitas como membros, embora nunca tenham sido convertidas. Muitas delas hoje estão tocando ou cantando em grupos de louvor, liderando células, pregando mensagens nos púlpitos e algumas até se tornaram pastores, o que é uma tragédia! 

Certamente a igreja desta geração não entendeu a Grande Comissão dada por Cristo. O Senhor não ordenou que enchêssemos templos e usássemos todo tipo de artifícios para convencer as multidões a continuarem indo aos nossos cultos. A ordem foi para que fizéssemos discípulos, ou seja, seguidores de Jesus. Devemos, é claro, pregar o Evangelho a toda criatura, mas sem diluir a mensagem da salvação a fim de torná-la atraente, leve e aceitável. Os cultos na maioria das denominações são espetáculos repugnantes aos olhos de todo verdadeiro servo de Deus. O louvor é carnal, a postura dos ministrantes não demonstra reverência nenhuma, a pregação é humanista, piadas são contadas no púlpito, as heresias florescem e o alvo maior é a conquista de bens materiais. Tudo está errado! 

O que precisa ser feito para revertermos essa situação caótica? A solução é simplesmente fazermos o que o Senhor nos ordenou: irmos por todo o mundo pregando o Evangelho (puro, bíblico, não falsificado, completo) a toda criatura, e, aos que, pelo poder do Espírito Santo, forem salvos, batizarmos e lhes ensinarmos a Palavra de Deus. Se o joio presente no nosso meio não gostar e, insatisfeito, abandonar nossas igrejas, pouco importa. Se o número de membros diminuir, isso não é problema. Basta de cristianismo de aparências, chega de buscarmos a simpatia do mundo para lotarmos nossos templos! Não precisamos de evangélicos nominais, e sim de soldados a serviço do Reino de Cristo! Sejamos poucos, uma porção inexpressiva da população, antipatizados e ridicularizados, conquanto o Senhor Se agrade de nós! Brilhemos como faróis na escuridão, seja o nosso testemunho impecável! Já brincamos demais com o sagrado; voltemos a ser a igreja de Jesus, noiva do Cordeiro, pronta para encontrar-se com o Rei!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Curso de teologia com registro no MEC: um perigo!

Uma das maiores preocupações dos aspirantes ao ministério pastoral é escolher um curso de teologia reconhecido pelo MEC. Muitos seminários têm se empenhado em alcançar esse reconhecimento, e, quando o conseguem, divulgam o fato como quem exibe um troféu. No entanto, o que aparenta ser um selo de qualidade pode, na verdade, se tornar uma perigosa cilada para os futuros teólogos. 

O Brasil é um Estado laico, portanto não há neste país uma religião oficial e todas as crenças devem ser igualmente respeitadas. Isso traz diversas implicações necessárias, entre as quais destacamos duas. Primeiramente, o Ministério da Educação não possui em seus quadros nenhum profissional destinado a avaliar a espiritualidade e a coerência doutrinária existentes (ou não) em determinado curso. Segundo, o MEC exigirá dos seminários que buscam credenciamento uma grade curricular ecumênica nos cursos de teologia. 

Por conseguinte, o reconhecimento pelo Estado não significa que um curso teológico seja bíblico, cristocêntrico e apto a desenvolver a piedade nos alunos. Ao contrário, demonstra apenas que o currículo engloba o estudo das mais diversas religiões, excluindo-se o caráter confessional do seminário. Pois o teólogo formado ali deve possuir condições de servir em qualquer igreja (evangélica, católica romana, etc), ou mesmo no espiritismo, budismo, umbanda ou outra religião não cristã. 

Não bastasse isso, há outro fator agravante nesses cursos, que é a presença de professores adeptos do liberalismo teológico. A teologia liberal anda de mãos dadas com o ecumenismo, um não sobrevive sem o outro. Portanto, além de estudar os sistemas religiosos mais avessos à fé cristã, o aluno aprenderá a desenvolver uma leitura crítica da Bíblia, negando tudo que se refere ao sobrenatural, como os milagres de Jesus, Sua ressurreição e segunda vida. Muitos alunos perdem a fé nos seminários, alguns tornam-se ateus, pois seus professores os ensinam a duvidar da Palavra de Deus. 

Uma das maiores carências da igreja de Cristo hoje são os pastores piedosos, tementes a Deus, conhecedores das Escrituras, fiéis à doutrina dos apóstolos. Estes estão em falta, mais do que em gerações passadas, e tais qualidades nada têm a ver com o reconhecimento do MEC. Estudar ciências humanas e fenomenologia da religião durante três ou quatro anos não é o caminho para a formação do ministro segundo o coração do Senhor. A igreja quer líderes santos, mas os cursos credenciados pelo Estado produzem intelectuais frios e ecumênicos. 

Você, prezado irmão, possui um chamado de Deus, confirmado pela sua igreja local? Seu coração arde quando você se lembra que bilhões em todo o mundo vivem longe de Cristo, sem salvação? Deseja servir como pastor, diácono, missionário, evangelista ou outra função, dedicando-se inteiramente à causa do Evangelho? Então reveja seus planos de ingressar num curso reconhecido pelo MEC. Antes, procure uma escola teológica apegada à sã doutrina, com professores ortodoxos, que defendam enfaticamente a infalibilidade e suficiência das Escrituras. Não queira somente um diploma avalizado pelo governo, isso não tem valor algum perante o Senhor! Que Deus o(a) abençoe e dirija em sua escolha!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Igrejas imensas, Evangelho minúsculo

Dirigir e pastorear uma grande igreja, com dezenas de milhares de membros, sediada em um templo imenso e suntuosíssimo. Este é o sonho de muitos pastores, e, para vê-lo realizado, esforçam-se, montam estratégias, mobilizam pessoas, consultam especialistas, desgastam a si próprios ao extremo. Será que isso é plano de Deus e sinônimo de avanço do Reino dos Céus na terra? 

Ao observarmos o estado espiritual das denominações brasileiras em franco crescimento numérico, percebemos facilmente que a resposta é não. Tais igrejas não têm como marcas a sã doutrina, a promoção da santificação entre seus membros, o louvor quebrantado e cristocêntrico ou outras virtudes essenciais no Corpo de Cristo. Ao contrário, a pregação torna-se mais superficial a cada culto, as canções entoadas ali são humanistas, os requisitos para a admissão de novos membros são afrouxados dia após dia, as heresias florescem. 

Além disso, a soberba frequentemente se apodera do coração dos pastores dirigentes dessas igrejas. Seus planos de crescimento numérico tornam-se absurdamente ambiciosos, cercam-se de luxo e glamour, querem ocupar espaço na mídia (principalmente na TV), flertam com a política e, não raro, tomam para si o título de “apóstolos”, o que só evidencia seus rasos conhecimentos teológicos. Muitos passam a rechaçar seus críticos, desprezando até as exortações mais justas e biblicamente fundamentadas.

Bom seria se o tamanho dos templos fosse limitado, a fim de não comportar uma quantidade exagerada de pessoas. Por exemplo, mil lugares no salão principal, onde os cultos são realizados. Assim, à medida que mais almas fossem ganhas para Cristo, outros templos seriam erguidos em bairros diferentes, sempre respeitando a capacidade máxima proposta. As construções deveriam ser sóbrias, evitando a ostentação desnecessária e indesejável. 

Os salários dos pastores deveriam ser limitados. Ninguém, nem mesmo o pastor presidente, teria um ganho exagerado, semelhante às remunerações do primeiro escalão dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário estaduais e federais. Pois raramente um ser humano não se ensoberbece quando mora numa mansão enorme, dirige os automóveis mais caros e imponentes, veste-se com roupas das melhores grifes e frequenta os ambientes mais chiques e sofisticados. Essas coisas são ciladas para os servos de Cristo, impróprias para quem se considera um peregrino e forasteiro nesse mundo. 

Os poderes dos pastores presidentes deveriam ser limitados, e jamais concentrados somente neles. Todas as decisões importantes numa igreja precisam ser tomadas em equipe, não faz sentido a existência de uma espécie de “papa evangélico”, assentado num trono. O poder corrompe o homem, assim como a fama e o dinheiro. Algumas denominações chegam ao cúmulo de colocarem outdoors com fotos do seu líder fundador em todas as congregações, bem na entrada dos templos! Isso não pode acontecer no Corpo de Cristo, em hipótese nenhuma! 

Finalmente, nenhum pastor deveria comprometer a saúde espiritual da igreja, visando o aumento do número de membros. Não existe insensatez pior do que diluir a mensagem do Evangelho, omitir as exigências de renúncia feitas pelo Senhor Jesus, deixar de alertar as pessoas sobre a gravidade do pecado e o futuro juízo de Deus contra o mundo, apenas para agradar e atrair mais gente. Ai dos líderes que pregam falsas boas-novas! Melhor seria pastorear uma pequena igreja com trinta adoradores, salvos e transformados pelo poder do Altíssimo, do que liderar uma denominação com trinta mil falsos convertidos. Pastores, pensem nisso, e, se necessário, revejam seus sonhos e projetos, conformando-os ao padrão de Deus!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Como é difícil evangelizar um neopentecostal!

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). Quando o Senhor Jesus proferiu estas palavras, não falava a gentios, mas aos fariseus, que consideravam a si próprios fiéis servos de Deus. Aliás, a Bíblia nos mostra quão endurecidos de coração eram os religiosos do judaísmo naqueles tempos, e como a igreja primitiva, depois do Pentecostes, obteve maior aceitação entre os povos não judeus do que perante os descendentes de Abraão. 

Evangelizar é uma tarefa árdua, pois o ser humano, caído e totalmente apartado da glória de Deus, não é capaz de render-se a Cristo, a menos que o Espírito Santo intervenha de modo sobrenatural, abrindo os olhos espirituais dos incrédulos. Convencer alguém a abraçar uma religião não é difícil; o problema é fazer um homem entender que precisa desesperadamente de um Salvador. Pior ainda é tentar explicar a um evangélico neopentecostal que este provavelmente ainda não foi salvo. 

As denominações neopentecostais, adeptas da nefasta “teologia da prosperidade”, divulgam um falso evangelho, completamente diferente do Evangelho de Jesus Cristo. A mensagem, basicamente, é a seguinte: “venha para a nossa igreja e todos os seus problemas serão resolvidos”. Quem não se interessaria por semelhante proposta? Então, durante os cultos, ensinam que a pessoa deve passar por um processo de libertação (no qual o pastor expulsará os demônios da pobreza, ou da enfermidade, ou do vício, ou do desemprego, etc), repetir uma oração pronta “aceitando Jesus”, tornar-se membro daquela denominação e ofertar o máximo de dinheiro que puder (e também o que não puder, incluindo o que não possuir). 

Desde então, a pessoa, devidamente integrada à comunidade “evangélica”, imagina ter passado das trevas para a luz, tornando-se filha do Deus vivo. Sem arrependimento de pecados, nem novo nascimento, tampouco vida de santificação – etapas absolutamente essenciais na caminhada cristã. Não bastasse tudo isso, o membro de denominação neopentecostal aprende, culto após culto, a desprezar o estudo bíblico sério e aprofundado, substituindo-o pelo simples uso de versículos bíblicos isolados, totalmente descontextualizados, terrivelmente distorcidos, com o fim de justificar as heresias e abusos da “teologia da prosperidade”. 

Como explicar para alguém nessa condição que é preciso se arrepender e crer no Evangelho? Normalmente tais pessoas são ex-católicos romanos, os quais abandonaram um estilo de idolatria e imaginam que agora pertencem a Cristo. Não percebem, mas houve somente uma troca de ídolos. Aparecida foi substituída por Mamom; as imagens de escultura deram lugar aos amuletos “evangélicos”; o terço foi trocado pelas campanhas de sete semanas; e, em lugar do papa, o papel de líder infalível e acima do bem e do mal passou a pertencer ao “bispo”, “apóstolo” ou “missionário”. Continuam cegos, sem discernimento, perdidos, pois invocam o Nome de Jesus mas nunca se submeteram ao Seu senhorio. 

Somente um milagre de Deus pode salvar uma pessoa, seja quem for. O homem natural vive separado de Deus, pois todos pecaram. Não há distinção. Mas expor o reto Evangelho, puro, bíblico, não falsificado, apto a salvar, para os neopentecostais é uma missão especialmente difícil porque os líderes destes provocaram um estrago grande demais. A própria Bíblia foi deturpada, as promessas do Senhor foram transformadas em objeto de comércio, multiplicou-se o ego e a cobiça dos membros. Todos os conceitos referentes à salvação precisam ser quebrados e reconstruídos nas mentes de multidões. Ah, Senhor, dá-nos graça sobre graça, ou uma geração inteira perecerá!

domingo, 27 de setembro de 2015

Uma igreja que agrada a Deus (segundo Jesus)

As sete cartas às igrejas da Ásia menor, contidas nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse, são autênticos tesouros para a noiva do Cordeiro. Nelas encontramos uma síntese de tudo o que agrada ao Senhor Jesus, e também das coisas que mais O ofendem. Ali lemos palavras de consolo, incentivo, exortação, além de promessas gloriosíssimas. A mensagem de Cristo aos anjos das sete igrejas é completa e perfeitamente apta para direcionar as denominações cristãs de todos os lugares e épocas. 

Hoje, pastores e demais líderes preocupam-se grandemente em como satisfazer as necessidades das pessoas. O homem é o centro, isso fica claro na decoração do templo, no tema das pregações, nas músicas de louvor, no formato das reuniões, na aparência e linguajar de quem está no púlpito. Mas, se nós atentarmos para os elogios feitos pelo Senhor nas sete cartas, teremos uma fiel descrição de como deve ser uma igreja que agrada a Deus. Por isso, aqueles que desejam a aprovação do Mestre precisam deixar de lado as fórmulas de crescimento numérico tão exploradas atualmente e voltarem sua atenção às palavras d'Ele. É o que faremos desde já. 

A Éfeso, disse Jesus: “Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar os homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. (…) Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio”. 

Na carta a Esmirna, assim lemos: “Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico)”. A Pérgamo disse o Senhor: “Conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós”. Para Tiatira, são estes os elogios: “Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras”. 

Na carta a Sardes podemos ler: “Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas”. Finalmente, a Filadélfia, disse Jesus: “Conheço as tuas obras (…) que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. (…) guardaste a palavra da minha perseverança”. A Laodiceia o Senhor não tem um único elogio, por isso não há o que citar. 

Com base no que foi lido, temos condições de descrever a igreja que agrada a Deus. Ela deve reunir as seguintes características, conforme o próprio Jesus: trabalhar incansavelmente em favor do Reino do Senhor; não tolerar passivamente qualquer novidade de doutrina, mas submeter tudo ao crivo da Bíblia; repudiar heresias e hereges; perseverar no Caminho, mesmo em meio a lutas e provações; buscar os tesouros espirituais, e não os materiais; estimar supremamente o nome de Cristo (o das Escrituras!) e não negar a fé, ainda que sob risco de morte; amar intensamente; crer de todo coração; doar-se em favor do próximo; crescer em obras a cada dia; viver em santidade, não se contaminando pelo pecado; obedecer à Palavra de Deus; manter-se firme mesmo sem ter forças próprias. 

É fácil? De maneira nenhuma! Essas coisas exigem entrega, negar-se a si mesmo, tomar a cruz e seguir o Senhor. O modelo de Cristo é o do discipulado radical, implica em tornar-se um peregrino nesse mundo e viver com os olhos voltados para o céu. As cartas de Apocalipse 2 e 3 expõem o contraste gritante entre as denominações contemporâneas e a autêntica noiva do Cordeiro, humilham-nos, evidenciam a futilidade do nosso estilo de vida. Ah, como somos mundanos, tolos, diferentes dos santos do passado! Que Deus tenha misericórdia de nós, abra os nossos olhos espirituais e ponha os Seus imutáveis valores em nossos corações!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Carta ao povo evangélico brasileiro

Prezado amigo batizado e membro de denominação evangélica, O segmento evangélico vem experimentando um expressivo crescimento nas últimas décadas em nosso país. Projeções recentes concluem que já somos aproximadamente cinquenta milhões, ou seja, um quarto da população. Tais dados têm provocado mudanças outrora inimagináveis, por exemplo, a existência de uma numerosa bancada evangélica no Congresso Nacional e as constantes visitas de políticos às igrejas em época de eleição. Muitos irmãos vibram com todas essas coisas, considerando-as um claro sinal da bênção e aprovação de Deus. 

Entretanto, antes de comemorarmos devemos consultar a Bíblia, nossa única regra de fé e prática, pois somente ela pode nos mostrar se esse aumento da população evangélica de fato agrada ao Senhor. E, para surpresa (e decepção) da maioria dos irmãos, a Palavra de Deus demonstra claramente que nós, os crentes brasileiros, temos razões para lamentarmos e nos envergonharmos diante dos números acima. Se alguém discorda, leia os argumentos seguintes e tire suas próprias conclusões. 

Logo de início, saibamos que a presença de milagres (curas, etc) e expulsão de demônios, tão comuns nos cultos das maiores denominações brasileiras, não garantem a aprovação do Senhor. Basta relembrarmos as palavras de Jesus em Mateus 7:22-23: “Muitos naquele dia hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”. Se você, caro amigo, pensa que a sua igreja está no centro da vontade do Senhor porque o “bispo”, o “apóstolo” ou o “pastor” opera esses sinais, entenda que isso não basta. 

Em segundo lugar, lembremos que a prosperidade financeira também não é garantia da aprovação de Deus. A igreja de Laodiceia era próspera, imaginava que o Senhor Se agradava dela, mas eis a mensagem de Cristo para aquele povo: “... estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Apocalipse 3:16-17). Além disso, a constante busca da prosperidade em quase todas as denominações evangélicas atuais tem se tornado uma perigosa armadilha para os seus membros. “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” (1Timóteo 6:9). 

Se temos visto milagres e prosperidade, mas essas coisas não significam saúde espiritual, como saberemos qual é o real estado da igreja aos olhos do Senhor? Em Mateus 5:13-16, Cristo nos ensina: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo. Assim, brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”. Semelhantemente, lemos em 1Pedro 2:11-12: “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra conta a alma, mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação”. As duas passagens bíblicas citadas falam do comportamento dos crentes perante a sociedade, e são úteis para nos avaliarmos. 

Será que a atual geração de evangélicos tem sido luz para o Brasil? Qual é o testemunho público dos que professam a Cristo como Senhor? Há diferença clara entre os crentes professos e o restante da população, no que se refere ao modo de trabalhar, estudar, falar, vestir-se, utilizar o tempo e os recursos financeiros, conviver em família, socorrer os mais necessitados? Precisamos admitir que a resposta é negativa, o modo de viver dos membros de denominações evangélicas é praticamente o mesmo dos incrédulos. Não influenciamos a sociedade em nada, aliás o aumento no número de evangélicos não impediu o crescimento da criminalidade e de toda sorte de vícios em nosso país. As famílias brasileiras estão mais desestruturadas a cada dia, o consumo de drogas e a violência são alarmantes, os valores morais estão em ruínas, e vinte e cinco por cento dos brasileiros consideram-se servos de Cristo. Algo está errado! 

Outros dois textos bíblicos, em João 13:35 e João 17:21, nos mostram quais são as marcas dos verdadeiros crentes, pelas quais o mundo nos reconheceria como discípulos do Senhor. “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”; “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste”. Se os evangélicos brasileiros amassem uns aos outros intensamente e tivessem um só pensamento, a sociedade brasileira nos veria com outros olhos, e muitos creriam no Senhor Jesus. Mas a dura verdade é que as multidões evangélicas deste país não têm esse amor. Ao contrário, quase todos buscam seus próprios interesses, as divisões e contendas são frequentes e boa parte dos líderes de certas denominações chegam a assediar os membros das outras igrejas, ao invés de evangelizarem os perdidos. Portanto, além de não sermos luz, falta-nos amor pelos próprios irmãos! 

Há no Brasil um povo santo, genuinamente convertido, submisso à Bíblia, que reconhece a Jesus como único Senhor e Salvador? Sim, graças a Deus. Porém, existe uma enorme diferença entre declarar-se evangélico numa pesquisa do IBGE e ser um filho remido do Senhor. Conforme as estatísticas somos cinquenta milhões de evangélicos, mas certamente não há nesta nação um exército de cinquenta milhões de crentes nascidos de novo – se houvesse, nosso país não estaria mergulhado num caos moral. Logo, as igrejas evangélicas brasileiras estão cheias, não de ovelhas, mas de bodes; não de trigo, mas de joio. O crescimento do povo evangélico é artificial, muitos são atraídos para os cultos sem serem atraídos a Cristo. Isso significa que o Evangelho não vem sendo pregado nos púlpitos, e sim um falso evangelho, que agrada a multidões de não regenerados. Ou alguém tem outra explicação para esse estranho fenômeno, igrejas lotadas e Reino de Deus quase vazio? 

Prezado amigo, examine-se a si mesmo! Você é um dos poucos cristãos autênticos, remidos e lavados pelo sangue de Cristo, ou está entre as dezenas de milhões de evangélicos professos que não conhecem a Deus? Seu nome consta no Livro da Vida do Cordeiro, ou apenas figura no rol de membros de uma denominação dita evangélica? Releia os textos aqui descritos e reflita seriamente se você é luz que brilha no mundo, mediante um comportamento marcado pela santidade e por um profundo amor aos irmãos. O que os seus familiares, vizinhos, colegas de trabalho ou de escola pensam a seu respeito? Como é o seu relacionamento com os outros crentes, e o quanto você se doa em favor deles? Esse é um teste crucial, pois refere-se ao seu destino eterno! Se você for reprovado nele, sua condição espiritual não é nada boa, lamentavelmente. Talvez você necessite desesperadamente de salvação, que é obra sobrenatural da graça do Senhor. Pondere nessas palavras hoje, enquanto a boa mão do Altíssimo ainda está estendida para resgatar e salvar. Que Deus o abençoe!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Concordamos com o pr. Ciro Zibordi em gênero, número e grau!

No dia 03/09 foi publicado no "Blog do Ciro", do renomado pastor Ciro Zibordi, o texto "Reformados ou não, sejamos - sobretudo - cristãos transformados", no qual o ministro assembleiano protesta contra as constantes trocas de insultos entre calvinistas e arminianos na Internet. Nas palavras dele, muitos "se digladiam cheios de soberba para ver quem humilha mais o seu oponente, tachando-o disto e daquilo", e por isso o autor do Blog exorta tais pessoas: "Ou será que vocês, que tanto se gabam de conhecer a verdade, ainda não nasceram de novo, visto que se comportam como carnais?". 

Que o texto do pastor Ciro seja usado por Deus para conduzir ao arrependimento tantos que têm agido mal, zombando de irmãos por quem Cristo morreu na cruz! Pois verdadeiros crentes podem defender suas posições teológicas sem insultarem outros servos do Senhor que pensam diferente. Basta lembrarmos o seguinte: John Owen, Jonathan Edwards, Charles Spurgeon, J. C. Hyle e D. Martyn-Lloyd Jones, entre tantos outros, aderiram ao calvinismo, enquanto John Wesley, Charles Wesley, Charles Finney, A. W. Tozer e David Wilkerson adotaram posições arminianas. Alguém se atreve a duvidar que tais homens foram cristãos autênticos, sinceramente dedicados ao Reino de Deus? 

Calvinistas (como o autor deste Blog) e arminianos, nossa luta é contra o diabo, o mundo e os falsos crentes! É tempo de nos unirmos em torno das verdades inegociáveis do Evangelho, expressas no Credo Apostólico e nos "Cinco Solas" da Reforma (Somente as Escrituras, Somente Cristo, Somente por Fé, Somente por Graça, Só a Deus Glória). Se concordamos nesses pontos fundamentais, isso significa que somos irmãos! Pensem nisso. Que o Senhor os abençoe!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Aos cristãos intelectuais, com carinho

Estas palavras são dirigidas aos crentes em Jesus Cristo, verdadeiramente renascidos do Alto pelo poder do Espírito Santo, que têm um gosto especial por literatura, música refinada, cinema, teatro, artes plásticas, filosofia ou outras formas de expressão do pensamento humano. Pessoas aqui chamadas “cristãos intelectuais”. Se você se é um deles, por favor leia o presente texto com atenção, pois foi escrito em temor e quebrantamento. O Grande Deus pode lhe falar ao coração, caso Ele assim decida. 

O Senhor, por pura bondade, concede talentos aos homens, tanto justos como injustos, crentes ou descrentes. Pela graça comum de Deus, obras notáveis são produzidas e estão à nossa disposição. É tolice, legalismo, zelo sem entendimento, alguém querer impor aos cristãos regras do tipo: “só ouça músicas evangélicas, leia apenas livros evangélicos, assista somente a filmes evangélicos”, etc. A arte e o conhecimento podem nos levar a glorificar o Pai Celeste, mesmo quando não tratam de assuntos religiosos (por exemplo, uma canção que descreva as belas paisagens brasileiras, indiretamente exalta o Criador da natureza). Basta-nos uma só norma: “fazei tudo para a glória de Deus”. 

Entretanto, nem tudo nos convém. Nós, embora tenhamos o Espírito de Deus, ainda somos pecadores, sujeitos a fraquezas, e não devemos provocar a nossa velha criatura. A arte é feita para despertar emoções e provocar reações, que podem ser boas e úteis, ou más e destrutivas. Sendo assim, nossa obrigação é sermos criteriosos, evitando as obras de arte descaradamente ímpias – ainda que contenham linguagem poética, riqueza de timbres e melodias, beleza estética ou argumentação elaborada. Nosso bom gosto deve ir além, contemplando os valores do Senhor e de Seu Reino. “Não toqueis em coisas impuras”. 

Nisso alguns irmãos têm sido descuidados e até ingênuos, consumindo indiscriminadamente toda a produção de autores, compositores e artistas reconhecidamente talentosos. Sabem que a arte e cultura seculares usam e abusam de temas como fornicação, adultério, embriaguez, mentira, rebeldia, violência, roubo e muitos outros que a Bíblia chama de pecados, e mesmo assim não abrem mão do livro, filme, peça teatral, exposição artística ou CD produzidos com técnica apurada. Parecem crer que é possível aos cristãos assimilarem somente a beleza literária, o brilhantismo do enredo, a harmonia das cores, a qualidade musical, e não serem de modo algum atingidos pelos gritantes apelos aos desejos da carne contidos na maioria das obras. 

As coisas postas diante dos nossos olhos são como alimentos para a alma. Uma boa alimentação, fresca, leve e balanceada faz bem ao corpo, mas alimentos gordurosos, hipercalóricos, pobres em nutrientes e repletos de conservantes nos adoecem. Do mesmo modo, a arte nos faz bem, se nos inspira a louvarmos a Deus, ou nos adoece, quando desperta em nós os desejos mais ímpios. Paulo escreveu aos Filipenses: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”. Como poderemos cumprir esta ordem bíblica se constantemente nos expomos à maldade disfarçada em forma de boa produção intelectual? 

Meu irmão, minha irmã, talvez a sua vida espiritual esteja sem vigor, a leitura bíblica tenha se tornado mera repetição de conhecimento já adquirido, a oração não possua mais calor algum. Quem sabe você não ouve a voz de Deus há muito tempo, e, embora permaneça no Caminho, a alegria e o prazer em ser filho do Pai Celeste sumiram do seu coração. Você não cai em pecado, mas sempre é atormentado por pensamentos carnais, que lhe entristecem. A causa de todo o seu sofrimento pode estar na estante da sua sala ou do seu escritório particular, naquelas dezenas de obras as quais você ama, e estão, pouco a pouco, matando você! Pense nisso tudo, ore ao Senhor por discernimento e não hesite em deixar de lado tudo que o(a) afasta d'Ele! Lembre-se, a Bíblia é sua regra e o Espírito Santo, o seu guia. Que Deus o(a) abençoe!

domingo, 16 de agosto de 2015

25 sintomas de um crente desviado

(Adaptado do texto “Joe Thorn – 25 marcas de um cristão desviado”, publicado no site Voltemos ao Evangelho. Disponível em: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/12/joe-thorn-25-marcas-de-um-cristao-desviado/">http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/12/joe-thorn-25-marcas-de-um-cristao-desviado/) 

1. Quando a oração deixa de ser uma parte vital de sua vida. 
2. Quando você se dá por satisfeito com o seu conhecimento bíblico e já não procura conhecer mais da Palavra de Deus. 
3. Quando o seu conhecimento bíblico é tratado como um fato externo e não como algo a ser aplicado em sua própria vida. 
4. Quando o anelo pelas coisas eternas não ocupa mais a sua mente. 
5. Quando você não tem mais prazer nos cultos da igreja. 
6. Quando discussões espirituais profundas tornam-se um constrangimento para você. 
7. Quando os esportes, a recreação e o entretenimento são a parte mais importante em seu estilo de vida. 
8. Quando você peca em ações e pensamentos e isso não traz peso e revolta em sua consciência. 
9. Quando as aspirações por uma santidade semelhante à de Cristo param de dominar sua vida e seu pensamento. 
10. Quando a aquisição de dinheiro e bens materiais se torna uma parte dominante de seu pensamento. 
11. Quando você consegue cantar hinos de louvor e dizer coisas a respeito de Deus sem que isso lhe toque o coração. 
12. Quando você não se sente indignado ao ouvir o nome do Senhor sendo tomado em vão e não se importa que questões espirituais sejam ridicularizadas ou tratadas de forma frívola. 
13. Quando você consegue assistir a filmes e programações de televisão degradantes e ler literaturas imorais. 
14. Quando rixas entre os irmãos não são motivo de preocupação para você. 
15. Quando a menor desculpa parece suficiente para afastar você do culto, oração, leitura da Bíblia e outros deveres espirituais. 
6. Quando você fica satisfeito com sua falta de poder espiritual e não busca ser renovado. 
17. Quando você desculpa seu próprio pecado e preguiça dizendo que o Senhor o entende. 
18. Quando não há mais música em sua alma e em seu coração. 
19. Quando você se ajusta alegremente ao estilo de vida do mundo. 
20. Quando a injustiça e a miséria humana existem ao seu redor e você não faz nada para aliviar o sofrimento dos outros. 
21. Quando a sua igreja caiu em declínio espiritual e a Palavra de Deus não é mais pregada ali com poder e você não se importa com isso. 
22. Quando a condição espiritual do mundo declina ao seu redor e você não consegue nem perceber isso. 
23. Quando você está disposto a enganar seu empregador. 
24. Quando você se acha rico em graça e misericórdia e se maravilha com sua própria piedade. 
25. Quando suas lágrimas estão secas e a realidade espiritual dura e fria de sua existência não é suficiente para quebrantar você.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Acorda, igreja brasileira!

Estima-se que a população evangélica neste país hoje corresponda a 25% dos brasileiros. As principais denominações neopentecostais possuem templos enormes e suntuosíssimos (um deles, a Cidade Mundial no Rio de Janeiro, comporta até 150.000 pessoas!). Existem canais de TV evangélicos, e uma das principais redes televisivas, a Record, é de propriedade de uma igreja. A poderosa gravadora Som Livre, da Rede Globo, tem contrato com diversos artistas gospel. A mesma Rede Globo de Televisão transmite anualmente o Festival Promessas, um grandioso evento musical no qual se apresentam cantores e grupos evangélicos. As “marchas para Jesus” atraem milhões de pessoas em todo o país (a maior delas, em São Paulo, contou com cerca de 340.000 participantes em 2015). Há uma bancada evangélica no Congresso Nacional, com 78 integrantes, e em todas as eleições mais recentes os principais candidatos vão às igrejas em busca de apoio. 

Os servos de Cristo, remidos e lavados pelo sangue do Cordeiro, têm algum motivo para comemorar? Absolutamente não, pois a atual geração de evangélicos é a mais carnal, materialista e egocêntrica de todos os tempos! O que leva multidões aos cultos não é a fome e sede por Deus, e sim o desejo por prosperidade e outras bênçãos temporais. Vários dos pastores mais famosos são a antítese do Senhor Jesus (manso e humilde de coração, que veio ao mundo para servir e dar a vida em resgate de muitos). Boa parte dos artistas gospel mantém um comportamento de superestrelas, idêntico ao dos astros pop seculares. A santidade é artigo de luxo entre os evangélicos professos; pouquíssimos se empenham em viver piedosamente. Heresias se multiplicam em ritmo alucinante, a falta de reverência nas reuniões solenes é assustadora, manifestações bizarras e patéticas são chamadas “obra do Espírito Santo”. A ignorância bíblica é generalizada, quase ninguém estuda seriamente a Palavra de Deus. 

O que fazer diante de um cenário desolador como este? Aos que amam a Deus, aos genuinamente convertidos, só restam duas coisas. A primeira é dobrar os joelhos, clamar ao Senhor que nos perdoe os pecados e nos santifique. Precisamos nos consagrar para fazermos diferença nestes tempos sombrios, pois sem arrependimento pessoal, quebrantamento e choro por nossas próprias misérias não poderemos esperar a graça de que tanto necessitamos. A atitude seguinte é gritarmos corajosa e ousadamente contra essa geração de falsos crentes, exortando-os ao arrependimento. Sim, é tempo de nos arrependermos e conclamarmos aqueles que se dizem evangélicos para que também se arrependam. Basta de festa, chega de “oba-oba gospel”, é hora da igreja brasileira acordar do profundo sono espiritual em que tem vivido! Quem ama a Cristo e tem o Espírito de Deus não pode assistir passivamente a todo esse caos e dormir em paz, como se nada estivesse acontecendo. Desperta, povo do Senhor!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Uma bela história de conversão (a importância do louvor cantado)

Em seu testemunho pessoal, registrado num vídeo da “Heartcry Missionary Society”, o pastor americano Paul Washer conta-nos a bela história de conversão de sua mãe. Ela tinha doze anos de idade e estava brincando de boneca na casa de uma amiga, cuja família era evangélica batista. Então, os familiares dessa amiga, que estavam no andar de baixo da casa, se reuniram em volta do piano e começaram a cantar hinos cristãos. Enquanto ouvia aqueles cânticos, a mãe de Paul Washer foi sendo tomada por uma forte convicção de pecados. Percebeu que o seu estilo de vida ofendia a santidade de Deus, e isso a incomodou a ponto de desabar em doloroso pranto. Os crentes, ouvindo o choro compulsivo que vinha do segundo andar, se assustaram, imaginando que a menina havia se machucado, e foram socorrê-la. Então, percebendo o que tinha acontecido, expuseram-lhe o Evangelho, e a criança foi salva naquele mesmo dia. 

Essa história verídica demonstra a grande importância do louvor cantado. Canções que falem dos sublimes atributos de Deus, da obra redentora de Cristo ou outros temas bíblicos, além de trazerem honra e glória ao Nome do Senhor, podem servir como instrumentos eficazes para a salvação de almas! Em seu livro “A Treatise Concerning Religious Affections”, lançado no Brasil sob o título “A Genuína Experiência Espiritual”, Jonathan Edwards fala do poder com que a verdade divina, quando declarada em poemas e cânticos, se imprime em nossas almas. O fato de existir um hinário na Bíblia – o livro de Salmos – prova que Deus abençoa a adoração cantada. O próprio Senhor Jesus, antes de ir para o Getsêmani, cantou um hino com Seus discípulos (Mt 26:30). Em toda a trajetória da Igreja a música ocupou papel destacado, e diversas canções escritas há três, quatro ou cinco séculos atrás são lembradas até hoje! 

Compor músicas cristãs e apresentá-las ao povo de Cristo é coisa séria. Se alguém deseja exercer essa tarefa e fazer dela uma profissão e um ministério, é bom que pense bem e meça as consequências antes de se tornar um músico de louvor. Pois, assim como o autêntico pregador do Evangelho não fala o que quer, mas o que Deus lhe ordena através das Escrituras, também o músico verdadeiramente a serviço da Igreja não canta sobre o que quer, e sim a respeito do que a Bíblia determina que cante. E o faz para agradar ao Senhor, não a si mesmo ou às outras pessoas. Muitos almejam montar uma banda, gravar CDs e DVDs, apresentar-se em megaeventos diante de multidões e ganhar rios de dinheiro. Quem sonha com essas coisas, saiba que é melhor compor e tocar canções seculares do que realizar negócios e satisfazer o próprio ego usando o Nome do Rei dos reis em vão. 

O que aconteceria se hoje, aqui em nosso país, uma menina de doze anos fosse até a casa de uma amiga evangélica para brincar, e os moradores estivessem no cômodo ao lado cantando os sucessos “gospel” do momento? Aliás, o que acontece quando um incrédulo vai ao culto numa denominação evangélica qualquer e ouve todas aquelas canções “de louvor”? Nada! Não há quebrantamento, consciência da glória de Deus, arrependimento de pecados ou salvação, porque as músicas não louvam ao Senhor, somente ao próprio homem. Tudo gira em torno da satisfação de desejos humanos, nada é feito para agradar a Deus ou alertar o pecador acerca do perigo de uma eternidade sem Cristo. Nossas igrejas deixaram de lado os maravilhosos hinos cristãos do passado, bíblicos e repletos de unção, trocando-os por canções pop que falam de sonhos e prosperidade! Que lástima! 

No passado os músicos evangélicos não possuíam os melhores instrumentos e equipamentos. Não eram contratados pelas grandes gravadoras nem recebiam altos cachês, e sequer cogitavam a hipótese de tornarem-se superestrelas. Não existiam festivais grandiosos de música evangélica transmitidos para todo o país pela TV. Porém as pessoas se convertiam ouvindo hinos como “Foi na Cruz”, “O Bom Pastor”, “Maravilhosa Graça”, “Oh, Quão Feliz Eu Sou”, “Ao Pé da Cruz”, “Porque Ele Vive” e “Tudo Entregarei”, só para citar alguns. O Espírito Santo agia usando a força das letras e a beleza das melodias, e como resultado pecadores entendiam sua necessidade de salvação. Se isso acontecia ontem e hoje não acontece mais, é hora de nos arrependermos, suplicarmos ao Senhor que nos perdoe por termos permitido musiquinhas com letras egocêntricas ocuparem lugar central em nossas reuniões de culto. É tempo de varrermos o lixo “gospel” do nosso meio, passando a selecionar com rigoroso critério as canções mais recentes que ainda mereçam ser cantadas. E de voltarmos a usar nossos velhos hinários, hoje empoeirados e esquecidos nas prateleiras de um depósito qualquer.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Não podeis servir a Deus e às riquezas

Ontem à noite, quando assistíamos a alguns vídeos no Youtube, um deles nos impactou de modo especial. O polêmico pastor Caio Fábio havia recebido uma mensagem de um famoso cantor “gospel”, o qual preferiu não se identificar. Nela, o artista – casado e pai de família – confessava que, secretamente, era usuário de drogas e mantinha relações sexuais com muitas de suas próprias fãs. O tal cantor também afirmava ter muito medo de que essa vida secreta viesse a ser descoberta pelo grande público e pedia conselhos sobre como deveria agir diante disso tudo. Em resposta, o pastor disse ter conhecimento de diversos casos semelhantes protagonizados por músicos de louvor, presbíteros, evangelistas itinerantes e mesmo líderes de grandes igrejas, e na raiz de todas essas histórias está a sedução das riquezas. Acrescentou que considera um pecado alguém receber grandes somas em dinheiro para cantar canções de louvor ou pregar uma mensagem numa igreja, e, por fim, aconselhou o artista “evangélico” a abandonar definitivamente a carreira musical, pois não seria possível mantê-la em tais condições. 

Não pretendemos aqui comentar a respeito do pastor Caio Fábio, de quem discordamos em várias questões. Nosso objetivo é refletirmos sobre a situação de obreiros que vivem em pecado, enganando o povo de Cristo, como o cantor da história acima. Obreiros que, um dia, se propuseram a trabalhar como servos no Reino de Deus, mas, tendo alcançado certa prosperidade financeira, foram seduzidos pelos prazeres e glórias que o dinheiro pode proporcionar, e por fim se perderam. A alegria de subir ao púlpito para adorar ao Senhor através do louvor cantado, ou pregar as boas-novas da salvação eterna, foi esquecida. O prazer em presenciar a conversão de almas e restauração de vidas mediante o poder do Evangelho deixou de ter importância. As riquezas falaram mais alto, a ganância e a luxúria prevaleceram nos corações desses líderes. O anelo por desfrutarem um galardão eterno junto ao Rei dos reis no céu foi ofuscado pelas recompensas passageiras, como o carro de luxo, o glamour dos eventos grandiosos, o aplauso das multidões e o sexo fácil. 

“Ninguém pode servir a dois senhores”, disse o Rei Jesus, “porque (…) se devotará a um e desprezará o outro”. É esta a perdição dos obreiros de vida dupla, o motivo de toda a sua desgraça. O amor ao mundo e ao que há no mundo os consome, a devoção às riquezas da terra os leva a desprezarem o Senhor, embora O honrem com os lábios. Não há espaço para o padrão de Deus no estilo de vida ímpia que abraçaram, o Evangelho tornou-se mera fonte de lucro para esses homens e mulheres desviados. O mais triste é que o número de líderes “evangélicos” vivendo dissolutamente não para de crescer. Uma denúncia relativamente recente de gravíssimo escândalo foi a de que, no Congresso dos Gideões Missionários em Camboriú/SC, alguns pastores se embriagavam antes de subirem ao púlpito para pregar, e certos organizadores do evento exigiam que algumas das cantoras fizessem sexo com eles como requisito para se apresentarem no palco. Isso os torna piores do que os incrédulos, pois estes últimos ao menos não se fingem de santos. 

Ah, como será terrível o dia em que os líderes iníquos tiverem que prestar contas de seus atos a Deus! Ai daquele “pastor” que, tendo cheirado cocaína e se encharcado de whiskie no sábado, vem ao púlpito no domingo para proclamar o juízo de Deus contra os pecadores! Ai do “ministrante de louvor” que, depois de cantar sobre o amor de Deus no palco do show “gospel”, escolhe uma de suas fãs mais jovens, leva-a para o motel, fazendo a moça desviar-se, e no dia seguinte simplesmente esquece que ela existe! Ai do “pregador ungido” que se enriquece cobrando altos cachês para anunciar falsas profecias, usando e abusando do Nome do Senhor, em igrejas cujos membros, de modo geral, são pobres e necessitados! Ai de quem trata o Evangelho como negócio, valendo-se da boa-fé dos eleitos de Deus para adquirir riquezas, e depois faz da sua fortuna o seu deus! 

Você que lê este texto e se encontra em tal situação, e ainda é capaz de sentir-se mal por praticar as coisas descritas aqui, preste atenção: há tempo para uma mudança de vida! Deixe hoje mesmo esse falso ministério que está destruindo você e arrastando-o para longe de Deus, não importa qual é o seu cargo ou posição na igreja! Não se iluda imaginando que esse é o seu trabalho e sua fonte de renda, arrume outro ganha-pão se for o caso, mas não dê nem um passo a mais nesse caminho de perdição! Arrependa-se das suas maldades, peça perdão a Deus e volte ao começo de tudo, ao tempo em que você ia ao culto, louvava ao Senhor, orava fervorosamente e ouvia a mensagem com reverência e atenção! Estar assentado num dos bancos do templo com temor no coração é uma posição muitíssimo mais digna aos olhos do Senhor do que ocupar um cargo de liderança mergulhado em iniquidade. Não se apegue ao prestígio ou ao dinheiro, pois você mesmo sabe que está vivendo uma farsa; não deixe essas coisas o dominarem nem por mais um dia! A mão de Deus ainda está estendida, e Sua misericórdia continua presente. Abandone esse estilo de vida louco, volte-se para Cristo como na primeira vez! Que Ele o restaure e lhe conceda abundante graça!

terça-feira, 23 de junho de 2015

Precisamos uns dos outros

A Reforma Protestante foi, sem dúvida, uma das mais grandiosas provas do amor de Deus para com o Seu povo em todos os tempos. A redescoberta das Sagradas Escrituras, o renascimento da doutrina da salvação pela graça mediante a fé, o retorno da suficiência de Cristo e o renovado entendimento acerca da glória de Deus trouxeram luz numa era de trevas, marcada pelo domínio tirânico do papado. Os chamados “Cinco Solas” foram uma acertada síntese de tudo que a Noiva do Cordeiro mais necessitava para recuperar sua saúde espiritual. Naturalmente, os reformadores divergiam entre si em alguns pontos teológicos secundários, mas existia unidade no que tange às questões fundamentais. 

Porém, logo na geração seguinte, as divergências teológicas passaram a ganhar uma importância desproporcional. Disputas em torno de detalhes como a presença do corpo físico de Cristo na Ceia ou a doutrina da predestinação levaram os irmãos a dividir-se como se fossem rivais. No Século XVII, os puritanos britânicos e os pietistas de língua alemã sofreram forte oposição dentro de suas próprias igrejas (Anglicana e Luterana, respectivamente). Os pentecostais foram vistos com antipatia pelos cessacionalistas no Século XX. E hoje, nas redes sociais, é comum a troca de insultos e provocações entre calvinistas e arminianos, como se o Evangelho fosse propriedade exclusiva de um grupo somente. 

A Bíblia exorta-nos, sim, a zelarmos pela sã doutrina e a não misturarmos nosso culto ao Senhor com a adoração aos ídolos. O significado prático disso se resume em três pontos: primeiro, a fé cristã não compactua com formas de religião que rejeitam o senhorio de Jesus Cristo (budismo, islamismo, judaísmo, etc); segundo, nossa fé não admite um “cristianismo mesclado”, seja com a palavra do homem (catolicismo romano, adventistas do sétimo dia, testemunhas de Jeová, etc) ou com religiões obviamente não cristãs (espiritismo afro-brasileiro, espiritismo kardecista, etc); terceiro, não admitimos um “cristianismo” maculado pelos valores mundanos (liberalismo teológico, teologia da prosperidade). Decerto não deixaremos de amar, respeitar e conviver com as pessoas adeptas de tais crenças; só não podemos, de maneira nenhuma, incorporar a religiosidade delas à nossa fé. 

O problema é que muitos confundem zelo doutrinário com o desprezo aos irmãos em Cristo que pensam diferente. Servos do Senhor, verdadeiramente convertidos e genuinamente transformados pelo poder de Deus, são deixados de lado, simplesmente por terem opiniões diversas a respeito da idade certa para o batismo, a contemporaneidade ou não de dons como o de línguas, a eleição dos salvos e outros temas. Cada grupo se isola do outro, e irmãos os quais passarão a eternidade juntos, chegam ao cúmulo de trocarem insultos e zombarem uns dos outros, por causa do orgulho presente em seus corações. Isso é pecado e ofende ao Senhor, além de contribuir para o enfraquecimento da Igreja Cristã, por quem o Filho de Deus morreu na cruz. Que loucura, pensar que os membros de outras denominações – tão cristãs quanto a nossa – não têm nada a nos ensinar! 

Na verdade temos muito a aprender uns com os outros e precisamos viver em comunhão. Cada igreja mantém um entendimento parcial do Evangelho e nossa tendência é focarmos numa só doutrina bíblica, justamente por não assimilarmos todas as verdades expressas nas Escrituras. Alguns, priorizando o estudo bíblico e a correta exegese, negligenciam o conhecimento experiencial de Deus. Outros, dedicadíssimos à oração, não estudam a Bíblia com profundidade. Existem os que vivenciam o agir sobrenatural do Senhor com frequência, mas, supervalorizando as experiências, acabam por dar ouvidos ao que não deviam. E há irmãos muitíssimo hábeis em detectar uma heresia, porém, diante de uma situação de sofrimento, não se permitem clamar fervorosamente pelo socorro do Senhor. Qual dos filhos de Deus possui uma compreensão perfeita do cristianismo, e qual mantém uma visão cem por cento equivocada? A resposta, logicamente, é: nenhum. 

A história comprova que os períodos mais produtivos da Igreja, aqueles nos quais as bênçãos espirituais foram mais abundantes e o agir de Deus, mais claramente manifesto, coincidem com as épocas em que os crentes autênticos se uniram. Nos tempos apostólicos, quando “era um o coração e a alma” dos cristãos; na Reforma Protestante, que uniu multidões em torno das doutrinas centrais da fé cristã; ou nos Grandes Avivamentos do Século XVIII, tempo em que o importante era converter-se e viver uma vida de santidade; em todas aquelas ocasiões, as vaidades pessoais caíram e o testemunho do povo de Cristo foi notório. Por isso, nós, que somos a Igreja de hoje, precisamos nos arrepender, mudarmos nossa postura e nos unirmos outra vez, valorizando o essencial do Evangelho e respeitando nossas diferenças, que não precisam desaparecer para vivermos como irmãos. Certamente o Todo-Poderoso espera isso de nós. Que Ele nos ajude a colocarmos em prática!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A Igreja Católica Romana do Século XVI e as novas igrejas da prosperidade

No início do Século XVI, a Igreja Católica Romana viveu o período mais tenebroso de sua história. Mergulhada em profunda corrupção moral, amiga dos poderosos, exploradora dos pobres, fascinada pelas riquezas, a cúpula daquela instituição impunha seus dogmas com violência, condenando à morte na fogueira quem deles discordasse, e lutava com todas as suas forças no propósito de impedir que a Bíblia, a Palavra de Deus, chegasse às mãos do povo. Não foi sem motivo que a Reforma Protestante aconteceu naqueles dias, como um grande gesto da misericórdia e da graça de Deus para com os Seus escolhidos. 

Hoje, cerca de quinhentos anos depois, a “teologia” dominante no meio evangélico é a da prosperidade. A maior parte das denominações está parcial ou inteiramente contaminada por esse engodo surgido em meados do Século XX nos EUA. E, quem diria, as igrejas adeptas da chamada “teologia da prosperidade” deste Século XXI têm se tornado incrivelmente parecidas com a Igreja Católica Romana que excomungou Lutero e decretou a Contrarreforma. Alguns podem estranhar esse comentário, mas quem observar a atual situação das referidas igrejas com olhos críticos verá que, de fato, as coisas são assim. Já veremos o porquê. 

A semelhança mais óbvia entre este e aquele momento histórico é a abominável prática de realizar negócios usando o santo Nome de Deus. O catolicismo romano pós-medieval promovia a execrável venda de indulgências, através das quais garantia a ida para o céu de quem pagasse determinada quantia em dinheiro (era possível até mesmo comprar uma indulgência em favor de alguém já falecido). Hoje as denominações da prosperidade vendem promessas de saúde e enriquecimento financeiro para esta vida, e o meio empregado é o pedido de ofertas em valores cada vez mais altos. Isso é feito às claras, escancaradamente, inclusive em programas de TV. 

Outro ponto em comum entre o catolicismo romano de cinco séculos atrás e as igrejas da prosperidade é o apego ao poder político. Desde a Idade Média a Igreja Católica Romana promovia alianças com os reis das mais diversas nações, e habilmente mantinha-se como principal detentora do poder. Hoje, as denominações da prosperidade lançam candidatos, pedem votos aos seus membros (inclusive durante os cultos, transformando seus púlpitos em palanques eleitorais), aliam-se aos principais “caciques” da política, realizam grandes eventos com a presença destes, barganham cargos em ministérios e secretarias dos governos. E o fazem, não pensando no bem da população, mas no deles próprios. Aliás, frequentemente se vê políticos ditos “evangélicos” envolvidos em sórdidos esquemas de corrupção. 

Outra semelhança é a construção de edifícios monumentais, destinados a abrigar templos suntuosíssimos. A megalomania da Igreja Católica Romana a levou a construir, no passado, o Vaticano, uma obra pra lá de faraônica que gerou gastos grandes demais até mesmo para aquela riquíssima instituição (daí veio a ideia de pagar a conta através da venda de indulgências). Hoje as denominações da prosperidade fazem o mesmo, levantando recursos milionários com o propósito de erguer os seus “vaticanos”, cada qual mais imenso e luxuoso que o outro. Exemplos óbvios disso são a “Cidade Mundial” e o “Templo de Salomão”, das igrejas Mundial do Poder de Deus e Universal do Reino de Deus respectivamente. 

Mais um ponto em comum – o de consequências mais graves – é a manipulação da Palavra de Deus. Como já foi dito, a Igreja Católica Romana promoveu, durante séculos, uma autêntica guerra contra a divulgação da Bíblia. As mensagens pregadas nos púlpitos do catolicismo romano eram a palavra dos concílios, totalmente destoante dos ensinos bíblicos. Já as igrejas da prosperidade de hoje fazem algo muito mais sutil. Seus membros até carregam Bíblias, mas não existe estudo bíblico sério ali, nem entre os pastores, que raramente possuem formação teológica. A leitura verdadeiramente incentivada é a de manuais de autoajuda e de livros com receitas para se adquirir riquezas. E a pregação é a de “outro evangelho”, no qual Deus é servo, o homem é o senhor e o dinheiro é o caminho, a verdade e a vida. 

Por isso, assim como houve a Reforma Protestante no Século XVI, uma grande reação aos desvios e desmandos da Igreja Católica Romana, deve acontecer nesta geração uma nova Reforma, desta vez no interior da própria Igreja Evangélica. Um movimento destinado a purificar a Noiva do Cordeiro, hoje infestada de bodes conduzidos por lobos devoradores. Um retorno ao Evangelho puro e simples, com a participação de carismáticos e cessacionalistas, calvinistas e arminianos, unidos em torno do objetivo comum de promover uma autêntica faxina na Igreja, do tamanho daquela feita há quase quinhentos anos atrás. Isso, obviamente, só acontecerá se o Senhor assim desejar, se a Sua misericórdia e graça nos alcançar mais uma vez. Dobremos, então, os nossos joelhos, e supliquemos pelo favor do Todo-Poderoso. Pois, como nos idos de 1517, a situação está insustentável.

domingo, 31 de maio de 2015

Quem rejeita Jesus Cristo, também rejeita Deus, o Pai

O capítulo 10 de Lucas nos conta a respeito do envio de setenta discípulos, incumbidos de anunciar nas cidades de Israel a vinda do Reino de Deus, com grande poder e sinais. Naquela ocasião, depois de repassar uma série de instruções aos setenta, o Senhor Jesus disse algo tremendo sobre as consequências da mensagem do Evangelho na vida de quem a ouve: “Quem vos der ouvidos ouve-me a mim; e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10:16). 

A primeira afirmação do Mestre não traz polêmica nenhuma. Quem ouve ao anúncio das Boas-Novas feito pela Igreja está acolhendo ao próprio Cristo. A segunda afirmação, porém, é assustadora: rejeitar a pregação do Evangelho significa dizer “não” ao Senhor Jesus. E, mas terrível ainda é a terceira afirmação dita por Ele: quem O rejeita como Filho de Deus, Senhor e Salvador também está rejeitando o próprio Deus. Em outras palavras, o Todo-Poderoso não aceita o culto de quem não crê em Seu Filho unigênito! De fato, a impossibilidade de salvação fora de Cristo é claramente expressa em muitas outras passagens bíblicas, como João 14:6, João 3:35-36, Marcos 16:15-16, Atos 4:11-12, Mateus 10:32-33, etc. 

No entanto, algumas denominações parecem ser regidas por outra “bíblia”. E no “livro sagrado” delas a chamada ao arrependimento de pecados e fé em Jesus Cristo é algo supérfluo, até mesmo indesejável em certos casos. Melhor é deixar que cada um creia naquilo que quiser, já que todas as religiões são igualmente “boas”, e todos somos “irmãos” e “filhos de Deus”. E, para evidenciar sua disposição ecumênica, tais igrejas promovem celebrações com a presença de líderes de religiões não cristãs. Não veem mal nenhum em cultuar ao Senhor lado a lado com pessoas que consideram Jesus um simples profeta, ou mesmo um impostor. Cristo morreu na cruz para salvar todo mundo, não é mesmo? Deus, o Pai, não rejeitará alguém só porque tal pessoa viveu e morreu negando o Seu Filho unigênito, certo? 

Essa mentalidade pseudo-cristã e bizarra ficou evidente num episódio na cidade alemã de Speyer Rhineland em 10 de novembro de 2013, na Igreja Memorial da Reforma, templo considerado um monumento à Reforma Protestante. Ali foi promovido um concerto inter-religioso cristão e muçulmano, e o ato de abertura foi o cântico de chamada à oração proferido pelo imã muçulmano(o mesmo entoado nas mesquitas, os locais de culto do Islamismo. Líderes evangélicos e membros daquela igreja se fizeram presentes, além de uma orquestra de músicos profissionais, num evento grandioso do ponto de vista humano. De repente, uma mulher chamada Heidi Mund, erguendo uma bandeira da Alemanha na qual apareciam os dizeres “Jesus Cristo é o Senhor” surgiu na galeria, proclamando o senhorio de Cristo sobre aquele país e repetindo a famosa frase de Martim Lutero: “Aqui estou eu, e não posso fazer outra coisa”. Em resposta, os organizadores do evento a expulsaram do lugar, já que a mensagem dela não lhes era conveniente. 

Quem agiu mal nessa história? A manifestante cristã não pode ser condenada por ter repudiado tamanha afronta ao bendito Nome de Cristo. O líder muçulmano foi à cerimônia como convidado, e não é razoável esperar dele uma postura bíblica, uma vez que ele próprio não crê na mensagem do Evangelho. Errada é a Igreja Evangélica da Alemanha, seus pastores e demais membros presentes, porque têm as Escrituras nas mãos e, no entanto, julgam-se no direito de promover uma celebração imoral num templo cristão, desprezando por completo os ensinos da Bíblia sobre o senhorio de Jesus Cristo, simplesmente para agradar homens. Errados são os que, embora não creiam sinceramente em nenhum dos pontos mais elementares do cristianismo, ainda assim permanecem no ministério pastoral, e, pior, influenciam negativamente congregações inteiras. Errados são os que, de tão frios espiritualmente, não podem mais reconhecer uma heresia ou mesmo uma blasfêmia. 

O evento, afinal, aconteceu. A mulher que gritava “Jesus Cristo é o Senhor da Alemanha” foi retirada, e o concerto prosseguiu. Entretanto, a questão fundamental é: Deus aceitou aquele culto? O Pai de Jesus Cristo Se alegrou com a realização de um evento no qual cristãos professos se uniram em oração com muçulmanos, os quais consideram o Filho somente um profeta (aliás, um profeta menor que Maomé)? O Altíssimo foi honrado quando pessoas, em tese, cristãs, disseram, não com palavras, mas através de atitudes, que crer na mensagem bíblica da salvação consumada na cruz pelo Senhor afinal não é algo tão importante assim? Evidentemente não! Vem então outra pergunta: será que a intenção dos adeptos do ecumenismo, ao buscarem a comunhão com religiosos das mais diversas crenças sem chamá-los ao arrependimento e fé no Salvador, é realmente cumprir a vontade de Deus?

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A unidade da Igreja e a impossibilidade de comunhão espiritual com os incrédulos

A unidade da Igreja é a vontade de Deus claramente expressa nas Escrituras. Textos como os de João 17:20-23, Atos 2:42-47, Atos 4:32-35 e Efésios 4:1-6 exaltam essa unidade, enquanto outras passagens, tais como 1Corítios 3:1-9 e Judas 19 condenam as divisões no Corpo de Cristo. À luz da Bíblia, rivalidades e ausência de comunhão entre denominações cristãs são consequências do pecado de líderes e membros. No capítulo 5 de Gálatas, o apóstolo Paulo chama de “obras da carne” as discórdias, dissenções e facções, incluindo-as na mesma lista em que constam a prostituição, bebedices, idolatria e feitiçaria. Sem dúvida, a falta de unidade é uma grave ofensa contra o nosso bendito Senhor que deu a vida por todos nós que n'Ele cremos. 

Também é vontade de Deus que a Igreja se abstenha de manter comunhão espiritual com os incrédulos, sejam eles adeptos de crenças não cristãs ou falsos cristãos seguidores de heresias. Exemplos claros de textos bíblicos exortando-nos a não compactuarmos com práticas religiosas diversas do cristianismo encontramos em 2Coríntios 6:14-18 e 1João 4:1-6, e exortações a nos separarmos dos falsos crentes podemos encontrar em Gálatas 1:6-9, Colossenses 2:8, 16-23, Apocalipse 2:2, 6, Apocalipse 2:14-15 e Apocalipse 2:20-24. Logo, em conformidade com a Palavra de Deus, as práticas ecumênicas indiscriminadas, pelas quais cristãos promovem celebrações em conjunto com quem não professa a mesma fé bíblica e cristocêntrica, também constituem grave ofensa contra o Senhor da Igreja. 

A ordem bíblica, portanto, é de união entre cristãos e separação em relação aos “cristãos” hereges e aos adeptos de religiões não cristãs. Aqui cabe esclarecer que a Bíblia não nos manda deixarmos o convívio amigável e respeitoso com pessoas seguidoras de outras crenças (aliás, o amor ao próximo é um dos principais mandamentos de Cristo), mas tão-somente exorta-nos a nos abstermos de compactuar com as práticas religiosas delas. Entretanto, como distinguiremos os cristãos com os quais manteremos comunhão daqueles que se declaram cristãos, mas na verdade seguem uma religião maculada por heresias? Quais critérios devemos adotar, a fim de cumprirmos a vontade de Deus, a qual inclui unidade e distanciamento, comunhão e separação? 

A resposta não é tão simples. Cabe-nos buscá-la nas Escrituras, em humildade, sem nos prendermos às nossas convicções quanto a questões secundárias, sobre as quais a Bíblia não traz uma resposta óbvia e inquestionável (tais como o momento certo para o batismo – se na infância ou na idade adulta, o modo correto de administrá-lo – se por aspersão ou imersão, as questões relativas à predestinação e livre-arbítrio, o cessacionismo ou o pentecostalismo, divergências quanto ao milênio, etc). Importa-nos definir qual é a essência da fé cristã, os pontos fundamentais do Evangelho de Cristo, dos quais não podemos abrir mão. E então saberemos reconhecer uma igreja cristã, com a qual devemos manter comunhão (e, se não o fizermos, desagradaremos ao Senhor), e também reconheceremos uma igreja herética, da qual precisamos nos afastar (e, não o fazendo, desagradaremos ao Senhor). 

Felizmente, homens santos do passado, dedicados estudiosos da Palavra de Deus, já fizeram esta reflexão, buscando definir a essência do Evangelho, os fundamentos da fé cristã, as verdades primárias sem as quais não há cristianismo. Isso foi feito de modo particularmente decisivo em dois momentos históricos importantes, e exposto em duas declarações aptas a definir qual é a fé da verdadeira Igreja de Cristo. Falamos do Credo Apostólico e dos Cinco “Solas” da Reforma. Não é exagero dizermos que todas as denominações cristãs bíblicas concordam com as afirmações professadas pelos nossos pais na fé nestes dois documentos, mesmo aquelas igrejas que não adotam confissões em sua doutrina. Podemos ter a convicção de que este é o resumo do cristianismo não falsificado, por isso temos meios para saber com quem iremos manter comunhão, promovendo celebrações e eventos em conjunto, dividindo o mesmo púlpito, tomando juntos a Ceia do Senhor. Eis a resposta de que precisamos: 

“Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador dos céus e da terra. E em Jesus Cristo, Seu Filho unigênito, nosso Senhor, o qual foi concebido pelo Espírito Santo. Nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Desceu ao hades. Ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está assentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, de onde virá para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa Igreja universal, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição do corpo, na vida eterna. Amém”. 

“Somente as Escrituras. Somente Cristo. Somente por fé. Somente pela graça. Somente a Deus seja a glória”.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Marxismo cristão? Nunca!

As ditaduras marxistas foram (e ainda têm sido) um dos períodos mais sombrios da história. O projeto de uma sociedade livre de opressão, concebido no Século XIX por pensadores como Friedrich Engels e Karl Marx (autor da obra clássica O Capital), começou a se materializar na sangrenta Revolução Russa de 1917, sob o governo de Lenin – responsável pela execução de toda a família real daquele país. Experimentou notável crescimento durante a ditadura de Stalin, época em que pelo menos vinte milhões de cidadãos da Rússia e países vizinhos foram mortos em decorrência das ações militares ou repressivas promovidas pelo déspota da Geórgia (uma matança três vezes e meia maior que o Holocausto Nazista!). Alcançou o Oriente em 1949, na República Popular da China chefiada por Mao Tsé Tung, mentor da chamada “Revolução Cultural”, um período de intensa perseguição contra todo e qualquer suposto “adversário” do regime. E chegou ao Continente Americano uma década depois, na Cuba de Fidel Castro. 

Nos países em que vigorou o socialismo marxista, os direitos e garantias individuais mais primários foram retirados da população. Na cidade de Berlim, o governo da então Alemanha Oriental chegou ao cúmulo de erguer uma muralha com o propósito de impedir que o povo passasse para o lado ocidental, a parte do território alemão não controlada pela tirania marxista. Em Cuba, milhares fugiram do país em embarcações – muitas delas precaríssimas – atravessando o mar até o Estado da Flórida, EUA, a fim de se livrarem do pesadelo Fidel Castro. Até hoje multidões de norte-coreanos sonham em deixar o país, fugindo para a vizinha Coreia do Sul. De fato, o direito de ir e vir nunca foi respeitado nas nações socialistas, assim como o direito à escolha dos próprios governantes, a liberdade de expressão, a liberdade religiosa e tantos outros. A perseguição ao cristianismo ainda é terrível nos poucos lugares onde sobrevive o marxismo, especialmente na Coreia do Norte, que mesmo hoje mantém cristãos em prisões idênticas aos velhos campos de concentração. 

A sedução marxista contaminou muitos, nos quatro cantos do planeta. Em diversas nações, intelectuais, estudantes universitários e gente simples do povo trocaram seus empregos, estudos e famílias por uma vida na clandestinidade, empunhando armas de fogo e aprendendo táticas de guerrilha em organizações esquerdistas. Praticaram assaltos, sequestros e homicídios, tudo pelo sonho comunista. No Peru, o grupo Sendero Luminoso, encabeçado pelo ex-professor universitário Abimael Guzmán, implantou o terrorismo no campo, intimidando camponeses pobres mediante as táticas mais vis, a fim de conquistar aliados. Na Colômbia, as “Farc – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” se uniram aos traficantes de cocaína, gerando uma perigosíssima mistura entre ideologia política e criminalidade. Quanto estrago, quanta loucura, quanta perdição em nome de uma utopia fadada ao fracasso, que é a ilusão de transformar o mundo num lugar de paz e fraternidade através da força! 

Entretanto, há quem se diga cristão e, ao mesmo tempo, socialista. Pior, há quem pense que o projeto marxista é o meio pelo qual Deus irá libertar os oprimidos deste mundo! Existe um grupo de cristãos professos imaginando que os novos céus e nova terra não serão trazidos com o retorno triunfante de Cristo, o julgamento dos incrédulos, a derrota definitiva de satanás, a destruição do pecado, a glorificação dos eleitos, nada disso. Antes, acreditam que as forças opressoras do capitalismo são o real inimigo, e este será derrotado com a ascensão de governos populares, chefiados por operários e camponeses! Pensam que Marx cometeu um “pequeno equívoco” ao incentivar a implantação do ateísmo e a perseguição religiosa, mas, exceto por esse “deslize”, o economista alemão estava antevendo os planos de Deus para a redenção da humanidade quando escreveu “O Capital”! 

Diante de tamanha aberração, resta ao verdadeiro cristão, aquele que acredita nas Escrituras, nas realidades espirituais ali mencionadas e na suficiência de Cristo, repudiar veementemente essa teologia louca e herética, a qual tenta submeter a Palavra de Deus ao projeto humanista e ateu de Marx. Pois o Reino do Senhor não é deste mundo (João 18:36), aqui somos como peregrinos e forasteiros (1Pedro 2:11), nossa luta não é contra a carne e o sangue (Efésios 6:12), nossa esperança em Cristo não se limita a esta vida terrena (1Coríntios 15:19), temos convicção do retorno glorioso do Senhor Jesus à terra (Atos 1:11), nosso verdadeiro tesouro está nos céus (Mateus 6:20) e nosso anelo é vivermos a eternidade com o Senhor (João 14:3). E, sendo assim, socialismo e cristianismo representam duas cosmovisões absolutamente antagônicas e duas crenças totalmente incompatíveis. Marxismo cristão, nunca!