sexta-feira, 26 de junho de 2015

Não podeis servir a Deus e às riquezas

Ontem à noite, quando assistíamos a alguns vídeos no Youtube, um deles nos impactou de modo especial. O polêmico pastor Caio Fábio havia recebido uma mensagem de um famoso cantor “gospel”, o qual preferiu não se identificar. Nela, o artista – casado e pai de família – confessava que, secretamente, era usuário de drogas e mantinha relações sexuais com muitas de suas próprias fãs. O tal cantor também afirmava ter muito medo de que essa vida secreta viesse a ser descoberta pelo grande público e pedia conselhos sobre como deveria agir diante disso tudo. Em resposta, o pastor disse ter conhecimento de diversos casos semelhantes protagonizados por músicos de louvor, presbíteros, evangelistas itinerantes e mesmo líderes de grandes igrejas, e na raiz de todas essas histórias está a sedução das riquezas. Acrescentou que considera um pecado alguém receber grandes somas em dinheiro para cantar canções de louvor ou pregar uma mensagem numa igreja, e, por fim, aconselhou o artista “evangélico” a abandonar definitivamente a carreira musical, pois não seria possível mantê-la em tais condições. 

Não pretendemos aqui comentar a respeito do pastor Caio Fábio, de quem discordamos em várias questões. Nosso objetivo é refletirmos sobre a situação de obreiros que vivem em pecado, enganando o povo de Cristo, como o cantor da história acima. Obreiros que, um dia, se propuseram a trabalhar como servos no Reino de Deus, mas, tendo alcançado certa prosperidade financeira, foram seduzidos pelos prazeres e glórias que o dinheiro pode proporcionar, e por fim se perderam. A alegria de subir ao púlpito para adorar ao Senhor através do louvor cantado, ou pregar as boas-novas da salvação eterna, foi esquecida. O prazer em presenciar a conversão de almas e restauração de vidas mediante o poder do Evangelho deixou de ter importância. As riquezas falaram mais alto, a ganância e a luxúria prevaleceram nos corações desses líderes. O anelo por desfrutarem um galardão eterno junto ao Rei dos reis no céu foi ofuscado pelas recompensas passageiras, como o carro de luxo, o glamour dos eventos grandiosos, o aplauso das multidões e o sexo fácil. 

“Ninguém pode servir a dois senhores”, disse o Rei Jesus, “porque (…) se devotará a um e desprezará o outro”. É esta a perdição dos obreiros de vida dupla, o motivo de toda a sua desgraça. O amor ao mundo e ao que há no mundo os consome, a devoção às riquezas da terra os leva a desprezarem o Senhor, embora O honrem com os lábios. Não há espaço para o padrão de Deus no estilo de vida ímpia que abraçaram, o Evangelho tornou-se mera fonte de lucro para esses homens e mulheres desviados. O mais triste é que o número de líderes “evangélicos” vivendo dissolutamente não para de crescer. Uma denúncia relativamente recente de gravíssimo escândalo foi a de que, no Congresso dos Gideões Missionários em Camboriú/SC, alguns pastores se embriagavam antes de subirem ao púlpito para pregar, e certos organizadores do evento exigiam que algumas das cantoras fizessem sexo com eles como requisito para se apresentarem no palco. Isso os torna piores do que os incrédulos, pois estes últimos ao menos não se fingem de santos. 

Ah, como será terrível o dia em que os líderes iníquos tiverem que prestar contas de seus atos a Deus! Ai daquele “pastor” que, tendo cheirado cocaína e se encharcado de whiskie no sábado, vem ao púlpito no domingo para proclamar o juízo de Deus contra os pecadores! Ai do “ministrante de louvor” que, depois de cantar sobre o amor de Deus no palco do show “gospel”, escolhe uma de suas fãs mais jovens, leva-a para o motel, fazendo a moça desviar-se, e no dia seguinte simplesmente esquece que ela existe! Ai do “pregador ungido” que se enriquece cobrando altos cachês para anunciar falsas profecias, usando e abusando do Nome do Senhor, em igrejas cujos membros, de modo geral, são pobres e necessitados! Ai de quem trata o Evangelho como negócio, valendo-se da boa-fé dos eleitos de Deus para adquirir riquezas, e depois faz da sua fortuna o seu deus! 

Você que lê este texto e se encontra em tal situação, e ainda é capaz de sentir-se mal por praticar as coisas descritas aqui, preste atenção: há tempo para uma mudança de vida! Deixe hoje mesmo esse falso ministério que está destruindo você e arrastando-o para longe de Deus, não importa qual é o seu cargo ou posição na igreja! Não se iluda imaginando que esse é o seu trabalho e sua fonte de renda, arrume outro ganha-pão se for o caso, mas não dê nem um passo a mais nesse caminho de perdição! Arrependa-se das suas maldades, peça perdão a Deus e volte ao começo de tudo, ao tempo em que você ia ao culto, louvava ao Senhor, orava fervorosamente e ouvia a mensagem com reverência e atenção! Estar assentado num dos bancos do templo com temor no coração é uma posição muitíssimo mais digna aos olhos do Senhor do que ocupar um cargo de liderança mergulhado em iniquidade. Não se apegue ao prestígio ou ao dinheiro, pois você mesmo sabe que está vivendo uma farsa; não deixe essas coisas o dominarem nem por mais um dia! A mão de Deus ainda está estendida, e Sua misericórdia continua presente. Abandone esse estilo de vida louco, volte-se para Cristo como na primeira vez! Que Ele o restaure e lhe conceda abundante graça!

terça-feira, 23 de junho de 2015

Precisamos uns dos outros

A Reforma Protestante foi, sem dúvida, uma das mais grandiosas provas do amor de Deus para com o Seu povo em todos os tempos. A redescoberta das Sagradas Escrituras, o renascimento da doutrina da salvação pela graça mediante a fé, o retorno da suficiência de Cristo e o renovado entendimento acerca da glória de Deus trouxeram luz numa era de trevas, marcada pelo domínio tirânico do papado. Os chamados “Cinco Solas” foram uma acertada síntese de tudo que a Noiva do Cordeiro mais necessitava para recuperar sua saúde espiritual. Naturalmente, os reformadores divergiam entre si em alguns pontos teológicos secundários, mas existia unidade no que tange às questões fundamentais. 

Porém, logo na geração seguinte, as divergências teológicas passaram a ganhar uma importância desproporcional. Disputas em torno de detalhes como a presença do corpo físico de Cristo na Ceia ou a doutrina da predestinação levaram os irmãos a dividir-se como se fossem rivais. No Século XVII, os puritanos britânicos e os pietistas de língua alemã sofreram forte oposição dentro de suas próprias igrejas (Anglicana e Luterana, respectivamente). Os pentecostais foram vistos com antipatia pelos cessacionalistas no Século XX. E hoje, nas redes sociais, é comum a troca de insultos e provocações entre calvinistas e arminianos, como se o Evangelho fosse propriedade exclusiva de um grupo somente. 

A Bíblia exorta-nos, sim, a zelarmos pela sã doutrina e a não misturarmos nosso culto ao Senhor com a adoração aos ídolos. O significado prático disso se resume em três pontos: primeiro, a fé cristã não compactua com formas de religião que rejeitam o senhorio de Jesus Cristo (budismo, islamismo, judaísmo, etc); segundo, nossa fé não admite um “cristianismo mesclado”, seja com a palavra do homem (catolicismo romano, adventistas do sétimo dia, testemunhas de Jeová, etc) ou com religiões obviamente não cristãs (espiritismo afro-brasileiro, espiritismo kardecista, etc); terceiro, não admitimos um “cristianismo” maculado pelos valores mundanos (liberalismo teológico, teologia da prosperidade). Decerto não deixaremos de amar, respeitar e conviver com as pessoas adeptas de tais crenças; só não podemos, de maneira nenhuma, incorporar a religiosidade delas à nossa fé. 

O problema é que muitos confundem zelo doutrinário com o desprezo aos irmãos em Cristo que pensam diferente. Servos do Senhor, verdadeiramente convertidos e genuinamente transformados pelo poder de Deus, são deixados de lado, simplesmente por terem opiniões diversas a respeito da idade certa para o batismo, a contemporaneidade ou não de dons como o de línguas, a eleição dos salvos e outros temas. Cada grupo se isola do outro, e irmãos os quais passarão a eternidade juntos, chegam ao cúmulo de trocarem insultos e zombarem uns dos outros, por causa do orgulho presente em seus corações. Isso é pecado e ofende ao Senhor, além de contribuir para o enfraquecimento da Igreja Cristã, por quem o Filho de Deus morreu na cruz. Que loucura, pensar que os membros de outras denominações – tão cristãs quanto a nossa – não têm nada a nos ensinar! 

Na verdade temos muito a aprender uns com os outros e precisamos viver em comunhão. Cada igreja mantém um entendimento parcial do Evangelho e nossa tendência é focarmos numa só doutrina bíblica, justamente por não assimilarmos todas as verdades expressas nas Escrituras. Alguns, priorizando o estudo bíblico e a correta exegese, negligenciam o conhecimento experiencial de Deus. Outros, dedicadíssimos à oração, não estudam a Bíblia com profundidade. Existem os que vivenciam o agir sobrenatural do Senhor com frequência, mas, supervalorizando as experiências, acabam por dar ouvidos ao que não deviam. E há irmãos muitíssimo hábeis em detectar uma heresia, porém, diante de uma situação de sofrimento, não se permitem clamar fervorosamente pelo socorro do Senhor. Qual dos filhos de Deus possui uma compreensão perfeita do cristianismo, e qual mantém uma visão cem por cento equivocada? A resposta, logicamente, é: nenhum. 

A história comprova que os períodos mais produtivos da Igreja, aqueles nos quais as bênçãos espirituais foram mais abundantes e o agir de Deus, mais claramente manifesto, coincidem com as épocas em que os crentes autênticos se uniram. Nos tempos apostólicos, quando “era um o coração e a alma” dos cristãos; na Reforma Protestante, que uniu multidões em torno das doutrinas centrais da fé cristã; ou nos Grandes Avivamentos do Século XVIII, tempo em que o importante era converter-se e viver uma vida de santidade; em todas aquelas ocasiões, as vaidades pessoais caíram e o testemunho do povo de Cristo foi notório. Por isso, nós, que somos a Igreja de hoje, precisamos nos arrepender, mudarmos nossa postura e nos unirmos outra vez, valorizando o essencial do Evangelho e respeitando nossas diferenças, que não precisam desaparecer para vivermos como irmãos. Certamente o Todo-Poderoso espera isso de nós. Que Ele nos ajude a colocarmos em prática!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A Igreja Católica Romana do Século XVI e as novas igrejas da prosperidade

No início do Século XVI, a Igreja Católica Romana viveu o período mais tenebroso de sua história. Mergulhada em profunda corrupção moral, amiga dos poderosos, exploradora dos pobres, fascinada pelas riquezas, a cúpula daquela instituição impunha seus dogmas com violência, condenando à morte na fogueira quem deles discordasse, e lutava com todas as suas forças no propósito de impedir que a Bíblia, a Palavra de Deus, chegasse às mãos do povo. Não foi sem motivo que a Reforma Protestante aconteceu naqueles dias, como um grande gesto da misericórdia e da graça de Deus para com os Seus escolhidos. 

Hoje, cerca de quinhentos anos depois, a “teologia” dominante no meio evangélico é a da prosperidade. A maior parte das denominações está parcial ou inteiramente contaminada por esse engodo surgido em meados do Século XX nos EUA. E, quem diria, as igrejas adeptas da chamada “teologia da prosperidade” deste Século XXI têm se tornado incrivelmente parecidas com a Igreja Católica Romana que excomungou Lutero e decretou a Contrarreforma. Alguns podem estranhar esse comentário, mas quem observar a atual situação das referidas igrejas com olhos críticos verá que, de fato, as coisas são assim. Já veremos o porquê. 

A semelhança mais óbvia entre este e aquele momento histórico é a abominável prática de realizar negócios usando o santo Nome de Deus. O catolicismo romano pós-medieval promovia a execrável venda de indulgências, através das quais garantia a ida para o céu de quem pagasse determinada quantia em dinheiro (era possível até mesmo comprar uma indulgência em favor de alguém já falecido). Hoje as denominações da prosperidade vendem promessas de saúde e enriquecimento financeiro para esta vida, e o meio empregado é o pedido de ofertas em valores cada vez mais altos. Isso é feito às claras, escancaradamente, inclusive em programas de TV. 

Outro ponto em comum entre o catolicismo romano de cinco séculos atrás e as igrejas da prosperidade é o apego ao poder político. Desde a Idade Média a Igreja Católica Romana promovia alianças com os reis das mais diversas nações, e habilmente mantinha-se como principal detentora do poder. Hoje, as denominações da prosperidade lançam candidatos, pedem votos aos seus membros (inclusive durante os cultos, transformando seus púlpitos em palanques eleitorais), aliam-se aos principais “caciques” da política, realizam grandes eventos com a presença destes, barganham cargos em ministérios e secretarias dos governos. E o fazem, não pensando no bem da população, mas no deles próprios. Aliás, frequentemente se vê políticos ditos “evangélicos” envolvidos em sórdidos esquemas de corrupção. 

Outra semelhança é a construção de edifícios monumentais, destinados a abrigar templos suntuosíssimos. A megalomania da Igreja Católica Romana a levou a construir, no passado, o Vaticano, uma obra pra lá de faraônica que gerou gastos grandes demais até mesmo para aquela riquíssima instituição (daí veio a ideia de pagar a conta através da venda de indulgências). Hoje as denominações da prosperidade fazem o mesmo, levantando recursos milionários com o propósito de erguer os seus “vaticanos”, cada qual mais imenso e luxuoso que o outro. Exemplos óbvios disso são a “Cidade Mundial” e o “Templo de Salomão”, das igrejas Mundial do Poder de Deus e Universal do Reino de Deus respectivamente. 

Mais um ponto em comum – o de consequências mais graves – é a manipulação da Palavra de Deus. Como já foi dito, a Igreja Católica Romana promoveu, durante séculos, uma autêntica guerra contra a divulgação da Bíblia. As mensagens pregadas nos púlpitos do catolicismo romano eram a palavra dos concílios, totalmente destoante dos ensinos bíblicos. Já as igrejas da prosperidade de hoje fazem algo muito mais sutil. Seus membros até carregam Bíblias, mas não existe estudo bíblico sério ali, nem entre os pastores, que raramente possuem formação teológica. A leitura verdadeiramente incentivada é a de manuais de autoajuda e de livros com receitas para se adquirir riquezas. E a pregação é a de “outro evangelho”, no qual Deus é servo, o homem é o senhor e o dinheiro é o caminho, a verdade e a vida. 

Por isso, assim como houve a Reforma Protestante no Século XVI, uma grande reação aos desvios e desmandos da Igreja Católica Romana, deve acontecer nesta geração uma nova Reforma, desta vez no interior da própria Igreja Evangélica. Um movimento destinado a purificar a Noiva do Cordeiro, hoje infestada de bodes conduzidos por lobos devoradores. Um retorno ao Evangelho puro e simples, com a participação de carismáticos e cessacionalistas, calvinistas e arminianos, unidos em torno do objetivo comum de promover uma autêntica faxina na Igreja, do tamanho daquela feita há quase quinhentos anos atrás. Isso, obviamente, só acontecerá se o Senhor assim desejar, se a Sua misericórdia e graça nos alcançar mais uma vez. Dobremos, então, os nossos joelhos, e supliquemos pelo favor do Todo-Poderoso. Pois, como nos idos de 1517, a situação está insustentável.

domingo, 31 de maio de 2015

Quem rejeita Jesus Cristo, também rejeita Deus, o Pai

O capítulo 10 de Lucas nos conta a respeito do envio de setenta discípulos, incumbidos de anunciar nas cidades de Israel a vinda do Reino de Deus, com grande poder e sinais. Naquela ocasião, depois de repassar uma série de instruções aos setenta, o Senhor Jesus disse algo tremendo sobre as consequências da mensagem do Evangelho na vida de quem a ouve: “Quem vos der ouvidos ouve-me a mim; e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10:16). 

A primeira afirmação do Mestre não traz polêmica nenhuma. Quem ouve ao anúncio das Boas-Novas feito pela Igreja está acolhendo ao próprio Cristo. A segunda afirmação, porém, é assustadora: rejeitar a pregação do Evangelho significa dizer “não” ao Senhor Jesus. E, mas terrível ainda é a terceira afirmação dita por Ele: quem O rejeita como Filho de Deus, Senhor e Salvador também está rejeitando o próprio Deus. Em outras palavras, o Todo-Poderoso não aceita o culto de quem não crê em Seu Filho unigênito! De fato, a impossibilidade de salvação fora de Cristo é claramente expressa em muitas outras passagens bíblicas, como João 14:6, João 3:35-36, Marcos 16:15-16, Atos 4:11-12, Mateus 10:32-33, etc. 

No entanto, algumas denominações parecem ser regidas por outra “bíblia”. E no “livro sagrado” delas a chamada ao arrependimento de pecados e fé em Jesus Cristo é algo supérfluo, até mesmo indesejável em certos casos. Melhor é deixar que cada um creia naquilo que quiser, já que todas as religiões são igualmente “boas”, e todos somos “irmãos” e “filhos de Deus”. E, para evidenciar sua disposição ecumênica, tais igrejas promovem celebrações com a presença de líderes de religiões não cristãs. Não veem mal nenhum em cultuar ao Senhor lado a lado com pessoas que consideram Jesus um simples profeta, ou mesmo um impostor. Cristo morreu na cruz para salvar todo mundo, não é mesmo? Deus, o Pai, não rejeitará alguém só porque tal pessoa viveu e morreu negando o Seu Filho unigênito, certo? 

Essa mentalidade pseudo-cristã e bizarra ficou evidente num episódio na cidade alemã de Speyer Rhineland em 10 de novembro de 2013, na Igreja Memorial da Reforma, templo considerado um monumento à Reforma Protestante. Ali foi promovido um concerto inter-religioso cristão e muçulmano, e o ato de abertura foi o cântico de chamada à oração proferido pelo imã muçulmano(o mesmo entoado nas mesquitas, os locais de culto do Islamismo. Líderes evangélicos e membros daquela igreja se fizeram presentes, além de uma orquestra de músicos profissionais, num evento grandioso do ponto de vista humano. De repente, uma mulher chamada Heidi Mund, erguendo uma bandeira da Alemanha na qual apareciam os dizeres “Jesus Cristo é o Senhor” surgiu na galeria, proclamando o senhorio de Cristo sobre aquele país e repetindo a famosa frase de Martim Lutero: “Aqui estou eu, e não posso fazer outra coisa”. Em resposta, os organizadores do evento a expulsaram do lugar, já que a mensagem dela não lhes era conveniente. 

Quem agiu mal nessa história? A manifestante cristã não pode ser condenada por ter repudiado tamanha afronta ao bendito Nome de Cristo. O líder muçulmano foi à cerimônia como convidado, e não é razoável esperar dele uma postura bíblica, uma vez que ele próprio não crê na mensagem do Evangelho. Errada é a Igreja Evangélica da Alemanha, seus pastores e demais membros presentes, porque têm as Escrituras nas mãos e, no entanto, julgam-se no direito de promover uma celebração imoral num templo cristão, desprezando por completo os ensinos da Bíblia sobre o senhorio de Jesus Cristo, simplesmente para agradar homens. Errados são os que, embora não creiam sinceramente em nenhum dos pontos mais elementares do cristianismo, ainda assim permanecem no ministério pastoral, e, pior, influenciam negativamente congregações inteiras. Errados são os que, de tão frios espiritualmente, não podem mais reconhecer uma heresia ou mesmo uma blasfêmia. 

O evento, afinal, aconteceu. A mulher que gritava “Jesus Cristo é o Senhor da Alemanha” foi retirada, e o concerto prosseguiu. Entretanto, a questão fundamental é: Deus aceitou aquele culto? O Pai de Jesus Cristo Se alegrou com a realização de um evento no qual cristãos professos se uniram em oração com muçulmanos, os quais consideram o Filho somente um profeta (aliás, um profeta menor que Maomé)? O Altíssimo foi honrado quando pessoas, em tese, cristãs, disseram, não com palavras, mas através de atitudes, que crer na mensagem bíblica da salvação consumada na cruz pelo Senhor afinal não é algo tão importante assim? Evidentemente não! Vem então outra pergunta: será que a intenção dos adeptos do ecumenismo, ao buscarem a comunhão com religiosos das mais diversas crenças sem chamá-los ao arrependimento e fé no Salvador, é realmente cumprir a vontade de Deus?

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A unidade da Igreja e a impossibilidade de comunhão espiritual com os incrédulos

A unidade da Igreja é a vontade de Deus claramente expressa nas Escrituras. Textos como os de João 17:20-23, Atos 2:42-47, Atos 4:32-35 e Efésios 4:1-6 exaltam essa unidade, enquanto outras passagens, tais como 1Corítios 3:1-9 e Judas 19 condenam as divisões no Corpo de Cristo. À luz da Bíblia, rivalidades e ausência de comunhão entre denominações cristãs são consequências do pecado de líderes e membros. No capítulo 5 de Gálatas, o apóstolo Paulo chama de “obras da carne” as discórdias, dissenções e facções, incluindo-as na mesma lista em que constam a prostituição, bebedices, idolatria e feitiçaria. Sem dúvida, a falta de unidade é uma grave ofensa contra o nosso bendito Senhor que deu a vida por todos nós que n'Ele cremos. 

Também é vontade de Deus que a Igreja se abstenha de manter comunhão espiritual com os incrédulos, sejam eles adeptos de crenças não cristãs ou falsos cristãos seguidores de heresias. Exemplos claros de textos bíblicos exortando-nos a não compactuarmos com práticas religiosas diversas do cristianismo encontramos em 2Coríntios 6:14-18 e 1João 4:1-6, e exortações a nos separarmos dos falsos crentes podemos encontrar em Gálatas 1:6-9, Colossenses 2:8, 16-23, Apocalipse 2:2, 6, Apocalipse 2:14-15 e Apocalipse 2:20-24. Logo, em conformidade com a Palavra de Deus, as práticas ecumênicas indiscriminadas, pelas quais cristãos promovem celebrações em conjunto com quem não professa a mesma fé bíblica e cristocêntrica, também constituem grave ofensa contra o Senhor da Igreja. 

A ordem bíblica, portanto, é de união entre cristãos e separação em relação aos “cristãos” hereges e aos adeptos de religiões não cristãs. Aqui cabe esclarecer que a Bíblia não nos manda deixarmos o convívio amigável e respeitoso com pessoas seguidoras de outras crenças (aliás, o amor ao próximo é um dos principais mandamentos de Cristo), mas tão-somente exorta-nos a nos abstermos de compactuar com as práticas religiosas delas. Entretanto, como distinguiremos os cristãos com os quais manteremos comunhão daqueles que se declaram cristãos, mas na verdade seguem uma religião maculada por heresias? Quais critérios devemos adotar, a fim de cumprirmos a vontade de Deus, a qual inclui unidade e distanciamento, comunhão e separação? 

A resposta não é tão simples. Cabe-nos buscá-la nas Escrituras, em humildade, sem nos prendermos às nossas convicções quanto a questões secundárias, sobre as quais a Bíblia não traz uma resposta óbvia e inquestionável (tais como o momento certo para o batismo – se na infância ou na idade adulta, o modo correto de administrá-lo – se por aspersão ou imersão, as questões relativas à predestinação e livre-arbítrio, o cessacionismo ou o pentecostalismo, divergências quanto ao milênio, etc). Importa-nos definir qual é a essência da fé cristã, os pontos fundamentais do Evangelho de Cristo, dos quais não podemos abrir mão. E então saberemos reconhecer uma igreja cristã, com a qual devemos manter comunhão (e, se não o fizermos, desagradaremos ao Senhor), e também reconheceremos uma igreja herética, da qual precisamos nos afastar (e, não o fazendo, desagradaremos ao Senhor). 

Felizmente, homens santos do passado, dedicados estudiosos da Palavra de Deus, já fizeram esta reflexão, buscando definir a essência do Evangelho, os fundamentos da fé cristã, as verdades primárias sem as quais não há cristianismo. Isso foi feito de modo particularmente decisivo em dois momentos históricos importantes, e exposto em duas declarações aptas a definir qual é a fé da verdadeira Igreja de Cristo. Falamos do Credo Apostólico e dos Cinco “Solas” da Reforma. Não é exagero dizermos que todas as denominações cristãs bíblicas concordam com as afirmações professadas pelos nossos pais na fé nestes dois documentos, mesmo aquelas igrejas que não adotam confissões em sua doutrina. Podemos ter a convicção de que este é o resumo do cristianismo não falsificado, por isso temos meios para saber com quem iremos manter comunhão, promovendo celebrações e eventos em conjunto, dividindo o mesmo púlpito, tomando juntos a Ceia do Senhor. Eis a resposta de que precisamos: 

“Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador dos céus e da terra. E em Jesus Cristo, Seu Filho unigênito, nosso Senhor, o qual foi concebido pelo Espírito Santo. Nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Desceu ao hades. Ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está assentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, de onde virá para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa Igreja universal, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição do corpo, na vida eterna. Amém”. 

“Somente as Escrituras. Somente Cristo. Somente por fé. Somente pela graça. Somente a Deus seja a glória”.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Marxismo cristão? Nunca!

As ditaduras marxistas foram (e ainda têm sido) um dos períodos mais sombrios da história. O projeto de uma sociedade livre de opressão, concebido no Século XIX por pensadores como Friedrich Engels e Karl Marx (autor da obra clássica O Capital), começou a se materializar na sangrenta Revolução Russa de 1917, sob o governo de Lenin – responsável pela execução de toda a família real daquele país. Experimentou notável crescimento durante a ditadura de Stalin, época em que pelo menos vinte milhões de cidadãos da Rússia e países vizinhos foram mortos em decorrência das ações militares ou repressivas promovidas pelo déspota da Geórgia (uma matança três vezes e meia maior que o Holocausto Nazista!). Alcançou o Oriente em 1949, na República Popular da China chefiada por Mao Tsé Tung, mentor da chamada “Revolução Cultural”, um período de intensa perseguição contra todo e qualquer suposto “adversário” do regime. E chegou ao Continente Americano uma década depois, na Cuba de Fidel Castro. 

Nos países em que vigorou o socialismo marxista, os direitos e garantias individuais mais primários foram retirados da população. Na cidade de Berlim, o governo da então Alemanha Oriental chegou ao cúmulo de erguer uma muralha com o propósito de impedir que o povo passasse para o lado ocidental, a parte do território alemão não controlada pela tirania marxista. Em Cuba, milhares fugiram do país em embarcações – muitas delas precaríssimas – atravessando o mar até o Estado da Flórida, EUA, a fim de se livrarem do pesadelo Fidel Castro. Até hoje multidões de norte-coreanos sonham em deixar o país, fugindo para a vizinha Coreia do Sul. De fato, o direito de ir e vir nunca foi respeitado nas nações socialistas, assim como o direito à escolha dos próprios governantes, a liberdade de expressão, a liberdade religiosa e tantos outros. A perseguição ao cristianismo ainda é terrível nos poucos lugares onde sobrevive o marxismo, especialmente na Coreia do Norte, que mesmo hoje mantém cristãos em prisões idênticas aos velhos campos de concentração. 

A sedução marxista contaminou muitos, nos quatro cantos do planeta. Em diversas nações, intelectuais, estudantes universitários e gente simples do povo trocaram seus empregos, estudos e famílias por uma vida na clandestinidade, empunhando armas de fogo e aprendendo táticas de guerrilha em organizações esquerdistas. Praticaram assaltos, sequestros e homicídios, tudo pelo sonho comunista. No Peru, o grupo Sendero Luminoso, encabeçado pelo ex-professor universitário Abimael Guzmán, implantou o terrorismo no campo, intimidando camponeses pobres mediante as táticas mais vis, a fim de conquistar aliados. Na Colômbia, as “Farc – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” se uniram aos traficantes de cocaína, gerando uma perigosíssima mistura entre ideologia política e criminalidade. Quanto estrago, quanta loucura, quanta perdição em nome de uma utopia fadada ao fracasso, que é a ilusão de transformar o mundo num lugar de paz e fraternidade através da força! 

Entretanto, há quem se diga cristão e, ao mesmo tempo, socialista. Pior, há quem pense que o projeto marxista é o meio pelo qual Deus irá libertar os oprimidos deste mundo! Existe um grupo de cristãos professos imaginando que os novos céus e nova terra não serão trazidos com o retorno triunfante de Cristo, o julgamento dos incrédulos, a derrota definitiva de satanás, a destruição do pecado, a glorificação dos eleitos, nada disso. Antes, acreditam que as forças opressoras do capitalismo são o real inimigo, e este será derrotado com a ascensão de governos populares, chefiados por operários e camponeses! Pensam que Marx cometeu um “pequeno equívoco” ao incentivar a implantação do ateísmo e a perseguição religiosa, mas, exceto por esse “deslize”, o economista alemão estava antevendo os planos de Deus para a redenção da humanidade quando escreveu “O Capital”! 

Diante de tamanha aberração, resta ao verdadeiro cristão, aquele que acredita nas Escrituras, nas realidades espirituais ali mencionadas e na suficiência de Cristo, repudiar veementemente essa teologia louca e herética, a qual tenta submeter a Palavra de Deus ao projeto humanista e ateu de Marx. Pois o Reino do Senhor não é deste mundo (João 18:36), aqui somos como peregrinos e forasteiros (1Pedro 2:11), nossa luta não é contra a carne e o sangue (Efésios 6:12), nossa esperança em Cristo não se limita a esta vida terrena (1Coríntios 15:19), temos convicção do retorno glorioso do Senhor Jesus à terra (Atos 1:11), nosso verdadeiro tesouro está nos céus (Mateus 6:20) e nosso anelo é vivermos a eternidade com o Senhor (João 14:3). E, sendo assim, socialismo e cristianismo representam duas cosmovisões absolutamente antagônicas e duas crenças totalmente incompatíveis. Marxismo cristão, nunca!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A calamitosa situação da igreja evangélica brasileira no Século XXI

Desde a chegada dos primeiros missionários europeus, logo após a Proclamação da Independência, os quais vieram pastorear imigrantes luteranos de língua alemã, seguidos pelos pioneiros batistas e presbiterianos de língua inglesa e pelos pentecostais da Assembleia de Deus que desembarcaram em Belém do Pará, a chamada igreja evangélica brasileira conheceu uma série de movimentos e tendências, até chegar nos dias atuais, época em que mais de um quarto da população se declara “evangélica”. Em menos de duzentos anos, saltamos de um punhado de pessoas para dezenas de milhões! 

No entanto, a esmagadora maioria das denominações ditas “evangélicas”, de seus pastores e membros adotam um sistema de valores e crenças muitíssimo diferente da doutrina proclamada pelos crentes do passado. Se alguém fizer uma pesquisa séria junto à população brasileira, descobrirá que a fé genuinamente bíblica e cristocêntrica – seja a de tendência tradicional ou a carismática – é compartilhada por uma parcela reduzida do nosso povo. De fato, o que se entende hoje por “igreja evangélica” não tem relação alguma com a doutrina expressa nas Confissões de Fé clássicas (de Ausburgo, de Westminster, a Confissão Batista de Londres, etc) ou com aquela sistematizada nas obras dos teólogos assembleianos. Infelizmente, o evangélico brasileiro comum crê em outras coisas. 

A fé do evangélico professo neste início de Século XXI é moldada por líderes como Edir Macedo, R. R. Soares, Valdemiro Santiago e o casal Estevam e Sônia Hernandes. Não tem absolutamente nenhuma relação com o ensino de Lutero, Calvino, Weslley, Spurgeon, Daniel Berg ou David Wilkerson. Não possui raízes na teologia de Agostinho e Atanásio, nem nos escritos dos apóstolos Paulo, Pedro e João. Não olha para o Senhor Jesus, o Cordeiro de Deus que veio ao mundo, não para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos. É uma doutrina nova, criada em meados do Século passado e popularizada no presente, de conteúdo paupérrimo, sem profundidade alguma. Não simples (aliás, isso seria uma virtude), mas simplista, banal, rasa. E, o mais grave, não conduz a Cristo; antes serve à carne, à velha criatura não salva, não regenerada. 

Primeiramente, o evangélico brasileiro, assim como a maioria da população, não gosta de ler. Lê tão-somente alguns versículos da Bíblia, os que contêm alguma promessa ou palavra de encorajamento, e livrinhos de poucas páginas escritos pelos líderes das denominações mais populares. Também, como um “bom brasileiro”, ama assistir à TV, e costuma acompanhar programas televisivos como “Show da Fé”, “Vitória em Cristo”, etc (nos quais a maior parte do tempo é usada em pedidos de ofertas, ataques pessoais velados e propaganda). Consequentemente, o conjunto de valores e crenças desse evangélico padrão é extraído de livros motivacionais de trinta ou quarenta páginas e da programação “evangélica” apresentada na televisão, sendo “complementado” pela pregação de domingo do pastor local (que sofre das mesmas limitações citadas acima). 

Além disso, o evangélico brasileiro comum gosta muito de ouvir música gospel, e, como não conhece as Escrituras, se permite ser doutrinado pelas letras das canções de “louvor” (lamentavelmente, escritas em sua maioria por artistas que também não entendem nada de Bíblia e teologia). Dessa forma, refrãos musicais flagrantemente contrários aos ensinos bíblicos, contendo mensagens humanistas, revanchistas ou expressando um entendimento equivocado sobre batalha espiritual são tratados como se fossem expressões autênticas da Palavra de Deus. E isso contribui ainda mais para consolidar o erro na mente do ouvinte, que já come e bebe heresias dia e noite. 

Como fruto da ignorância teológica e bíblica, o típico evangélico brasileiro não entende que a razão da sua própria existência é a glória de Deus. Não se considera um pecador indigno, incapaz de, por méritos pessoais, agradar ao Senhor. Antes, considera-se “fiel”, porque crê em Jesus, dá o dízimo e não pratica certos pecados específicos. Entende que, sendo filho, tem o direito de exigir a realização de todos os seus sonhos (e o Pai Celeste, a obrigação de cumpri-los). Espera resolver cada um de seus problemas “amarrando o diabo” e “determinando a vitória” em nome de Jesus. Crê em maldições hereditárias. Acredita que até os crentes podem ficar endemoninhados. Só pensa na eternidade quando a morte se aproxima. Confunde emoção e barulho com manifestações do Espírito Santo. Seu anelo é ficar rico e desfrutar abundantemente dos bens materiais. Imagina que a salvação é obtida através da repetição de uma simples oração “aceitando Jesus”. Detesta a pregação expositiva do Evangelho, mas vibra com as palestras motivacionais. Pensa que o pregador mais “espiritual” é o que não prepara o sermão e só fala de improviso. Não se preocupa com reverência. Acha que a oração do pastor é “mais forte” que a do membro. E por aí vai! 

Essa visão mesquinha, egoísta e distorcida das Boas-novas leva o evangélico comum a não se importar com o seu testemunho pessoal. Quem não tem como objetivo viver para a glória de Deus e ignora as exortações bíblicas sobre o dever do cristão de ser “sal da terra e luz do mundo”, fatalmente torna-se desleixado nesse quesito. É lógico que a maioria evita pecados escandalosos e grosseiros (exemplos: adultério, embriaguez), mas não vê problema algum em contar fofocas, causar intrigas, deixar de pagar as contas em dia, assistir a filmes e programas de TV repletos dos piores valores mundanos, ser orgulhoso, divertir-se com piadas imorais, zombar do próximo, vestir-se sem nenhum pudor e modéstia, tomar emprestado e não devolver, trabalhar de forma desidiosa, descumprir compromissos, participar de discussões de baixo nível, insultar pessoas, enfim, manter um comportamento idêntico ao da média dos incrédulos. 

Por tudo isso, a situação da igreja evangélica brasileira neste Século XXI é calamitosa. Por sua profunda ignorância bíblica e doutrinária. Por seus líderes desprovidos de conhecimento teológico, arrogantes, marqueteiros, amantes do dinheiro, que vivem tentando levar para as suas igrejas os membros de outras denominações. Pelo falso louvor musical, o qual usa ritmos da moda para embalar letras grotescamente antibíblicas, repletas de heresias. Por seu púlpito contaminado, de onde são proferidas palestras motivacionais domingo após domingo, enquanto a pregação do Evangelho é posta em terceiro plano. Pelas suas práticas bizarras, típicas de quem não lê a Bíblia, não ora e não tem vida devocional nenhuma. Por seu amor ao dinheiro e aos bens materiais, que são o seu verdadeiro tesouro e o anseio maior de seu coração. Pela completa ausência de santidade, que gera um vergonhoso testemunho público. 

Ah, quem dera fôssemos, ao invés de cinquenta milhões de “evangélicos”, dez milhões de crentes autênticos! Ah, se alguns milhares de pastores deixassem seus ministérios e fossem aprender a Palavra do Senhor em seminários comprometidos com a sã doutrina! Se a maior parte dos líderes famosos simplesmente se aposentasse e dedicasse o resto da vida a gastar sua fortuna bem longe do povo de Deus! Se a vendagem de CDs e o interesse por shows “gospel” caíssem a menos da metade, e só sobrassem grupos interessados em cantar louvores ao Rei dos reis, sem ambicionar o megaestrelado! Se no lugar de mil novos livros de autoajuda fossem publicadas cinquenta obras de sólido conteúdo teológico! Que maravilha seria se não tivéssemos nenhuma construção faraônica com capacidade para cinco ou dez mil pessoas de uma só vez, e sim muitos templos onde cem, duzentos ou quinhentos servos de Deus O cultuassem em espírito e em verdade! Quem dera a “teologia” da prosperidade e o movimento “gospel” deixassem de existir no nosso país, e em lugar deles tivéssemos o Evangelho de Cristo! Oh, Senhor, tem misericórdia da igreja brasileira!