quinta-feira, 31 de março de 2016

A crise brasileira e o sono da igreja evangélica

O Brasil está vivendo uma profunda crise. Até aí, todos concordam – exceto os fanáticos de esquerda, aliados do governo, para quem tudo não passa de uma manobra da oposição com vistas a um “golpe”. Operação Lava-jato, preços em alta, dívida crescente e desemprego são evidências de que nosso país vai muito mal. Entretanto, poucos têm se apercebido da gravidade dessa crise e do terrível cenário diante de nós.

A família brasileira vive uma crise sem precedentes. A cada dia o casamento monogâmico, entre um homem e uma mulher, entendido como uma aliança indissolúvel abençoada por Deus, tem sido desprezado e ridicularizado como coisa ultrapassada. A existência de um pai provedor, protetor, fiel à esposa, e de uma mãe amorosa e edificadora do lar, fiel ao marido, é considerada um detalhe supérfluo e desnecessário na criação dos filhos. O respeito à autoridade dos pais por parte dos filhos é coisa do passado.

A sociedade brasileira vive uma crise moral histórica. Quase ninguém se importa em preservar o próprio corpo e a própria intimidade. A sexualidade escancarada e sem limites está exposta na mídia dia e noite, e já foi assimilada pela grande maioria da população desde a pré-adolescência. O uso e tráfico de drogas atingiu proporções inimagináveis, chegando às salas de aula do ensino fundamental. O aborto voluntário e provocado tornou-se um símbolo de status intelectual, de modo que os defensores da preservação da vida intrauterina são tratados como tolos reacionários.

A política brasileira enfrenta a pior crise de todos os tempos. Há suspeitas de corrupção contra a Presidente da República, o Vice-Presidente, o Presidente da Câmara dos Deputados e o Presidente do Senado Federal – os quatro primeiros na ordem sucessiva prevista na Constituição! Também têm sido postos sob suspeita os dois últimos ex-Presidentes da República e o principal candidato de oposição nas últimas eleições presidenciais. Não há um único nome forte e nacionalmente respeitado sobre quem não pese qualquer acusação ou denúncia, apto a assumir imediatamente o governo do país com amplo apoio popular.

A economia brasileira está em profunda crise, a mais grave das últimas décadas. Temos uma dívida pública na casa dos trilhões de reais, segundo especialistas, como a Consultoria Empiricus. Todos os meses o governo gasta muito mais do que arrecada, e a taxa de juros incidente sobre a dívida é a maior do mundo. Nossa Previdência Social apresenta um rombo enorme. Não há nenhum sinal de crescimento econômico, ao contrário, estamos em recessão. Temos um governo gastador, com uma estrutura de ministérios e secretarias muitíssimo maior que o razoável. O peso dos impostos neste país é uma punição contra quem produz, e um desincentivo ao investimento.

Porém, a pior crise hoje é vivida pela igreja chamada “evangélica” brasileira. Diante de um quadro caótico como o descrito acima, o que faz a maioria dos ditos “evangélicos” brasileiros? Canta louvores para si mesma (“você é precioso, mais raro do que o ouro puro de Ofir”; “mulher, você tem uma missão, você é especial, não existe outra igual a você”; “somos a geração que neste tempo Ele levantou, vamos incendiar esta nação”, etc). Dá ouvidos aos palestrantes motivacionais que só falam em “bênçãos”. Promove campanhas de oração inteiramente voltadas à busca por prosperidade material. Edifica templos suntuosos e luxuosíssimos, numa bizarra competição para ver qual denominação pode mais. Tolera toda sorte de heresias. Enfim, só pensa em si mesma, quer ser rica e poderosa, vive para este mundo e pouco se importa com a bagunça à sua volta.

A crise brasileira é uma evidência do juízo de Deus sobre este país. Um Deus completamente santo, tão puro de olhos que não pode contemplar o mal, pouparia o Brasil, quando nossos pecados se multiplicam de tal forma? O Senhor revelou a Sua vontade, Seus princípios e valores nas Escrituras, e elas estão à nossa disposição, mais que em qualquer outra época (algumas Bíblias custam menos de cinco reais!). Somos indesculpáveis, e quantos de nós temos nos arrependido de nossos pecados e clamado ao Altíssimo por misericórdia? Quem tem intercedido por esta nação, a fim de que o Pai Celeste Se compadeça de nós mais uma vez?

A verdadeira igreja evangélica no Brasil é pequena, não passamos de um pequeno remanescente em meio a dezenas de milhões de bodes. Um remanescente que deveria fazer a diferença, mas até o momento estamos sonolentos, dormindo espiritualmente. Ainda não percebemos as densas nuvens negras sobre o Brasil e os claríssimos sinais de que uma terrível tempestade se aproxima. Esse sono patético e vergonhoso precisa acabar! Temos que despertar, dobrar nossos joelhos, confessarmos nossa multidão de pecados e implorarmos ao Senhor por perdão e misericórdia, e isso já! Irmãos, comecemos hoje, com corações sinceros e quebrantados! Quem sabe ainda haja alguma esperança de restauração para a nação brasileira? Que Deus nos ajude!

sexta-feira, 18 de março de 2016

Uma religião chamada Socialismo

Existe uma religião chamada Socialismo, criada na Europa em meados do Século XIX. Experimentou um crescimento notável a partir de 1917, quando, de forma violenta, conquistou a Rússia; expandiu-se para o Oriente em 1949, em solo chinês, e para as Américas em 1959, alcançando a ilha de Cuba. Provocou estragos na África, valendo-se dos conflitos entre povos daquele continente. Parecia ter chegado ao fim com o colapso econômico e político dos países do leste europeu nas décadas de 1980 e 1990, mas eis que ressurge na América Latina, em pleno Século XXI, na Venezuela e Bolívia.

Os seguidores dessa religião são tão fervorosos quanto os de qualquer outra seita. Seu deus é Karl Marx, sua bíblia é o livro “O Capital”, e alguns dos “santos” e “profetas” mais famosos são Lenin, Trotski, Mao Tsé-Tung, Fidel Castro e Ernesto “Che” Guevara. Os objetos de adoração do Socialismo são o ícone foice-martelo, a estrela vermelha e a bandeira vermelha. Seus métodos de crescimento são violentos e já ceifaram aproximadamente cem milhões de vidas ao longo de cem anos – média de um milhão de mortos por ano! Nada detém a teimosia dos fieis socialistas, nem mesmo as evidências históricas que demonstram a inviabilidade social e econômica das ideias marxistas.

Embora o Socialismo seja uma religião centrada nas realidades terrenas, firmemente contrária a todo conceito de transcendência, inimiga dos valores e princípios judaico-cristãos, encontrou apoio em segmentos do cristianismo. Há quem entenda que os conceitos de justiça social marxistas sejam compatíveis com o ensino bíblico a respeito da compaixão para com os mais necessitados (o pobre, o órfão, a viúva e o estrangeiro). Os socialistas cristãos acreditam que, se houver tolerância religiosa no Socialismo, as teses de Karl Marx poderão servir como o instrumento apto a implantar o Reino de Deus na terra.

Mas os cristãos adeptos do Socialismo, lamentavelmente, se esquecem da clara instrução do Senhor Jesus que diz: “ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro” (Mateus 6:24). O Senhor, naquela oportunidade, falava sobre o amor ao dinheiro, mas este princípio é válido para toda espécie de senhorio. O Socialismo exige devoção total, não admite corações divididos, e Cristo também requer exclusividade de quem O segue. Como compatibilizar o mandamento cristão do amor ao próximo com as prescrições marxistas de perseguição implacável e violenta contra os opositores? Como conciliar o ensino bíblico acerca da família com o repúdio dos socialistas ao casamento e à família tradicional? Como obedecer à ordem divina “não terás outros deuses diante de mim” e, ao mesmo tempo, praticar o culto ao Estado e aos chefes de Estado típico das nações socialistas?

Crentes em Jesus Cristo, ponderem no seguinte. Não é por meio de um projeto político e filosófico que os valores bíblicos de justiça e paz serão implantados na terra. O ser humano é mau, corrupto, caído em pecado, especialmente se ainda não viveu uma experiência de novo nascimento pelo poder do Espírito Santo. Todo sistema totalitário – e marxismo pressupõe totalitarismo – termina por gerar um pequeno grupo de privilegiados, os detentores do poder, e uma multidão de oprimidos sem vez e sem voz. Nossa esperança está no Senhor, que um dia voltará em glória, porá fim a toda maldade e fará novos céus e nova terra, onde o pecado não mais existirá. Por isso, não caiam na tentação de se unirem a grupos de esquerda com discursos em favor dos pobres e necessitados. Sigam pregando o Evangelho a toda criatura, vivam o amor prático, sejam humildes, compadeçam-se dos que sofrem, pois esse é o nosso papel. Não se unam a essa religião chamada Socialismo, não sejam idólatras! Pensem nisso!

quinta-feira, 3 de março de 2016

Igrejas pentecostais que imitam terreiros espíritas

Batuques de tambores em ritmo de axé. Homens e mulheres vestidos de branco da cabeça aos pés, dançando ao som da batucada, uma dança estranha que consiste em rodopiar o corpo em alta velocidade e com os olhos fechados. Uns dançam com as mãos para trás, outros estremecem o corpo. Parece uma celebração num terreiro espírita, mas é um culto de igreja pentecostal.

O site Youtube está repleto de vídeos exibindo cenas desse tipo. Em alguns deles são mostradas simultaneamente imagens gravadas em terreiros espíritas, para demonstrar a semelhança entre estes e aqueles. E como são parecidos! Na verdade, a única diferença visível é que nos cultos pentecostais não existem aquelas imagens de escultura horrorosas que enfeitam os centros de macumba. Fora isso, não há como distinguir uma celebração da outra.

Heresias sempre são condenáveis, mas algumas nos causam maior repulsa. A experiência de presenciar um culto numa instituição que se diz igreja, composta por pessoas que se dizem convertidas, feito para imitar descaradamente sessões espíritas, é um pesadelo! Ver toda aquela gente que diz crer em Jesus estremecendo e rodopiando o corpo daquela forma é revoltante! Se um cristão autêntico, genuinamente convertido, presenciasse tais coisas de perto, provavelmente iria vomitar!

Qual é a razão de tamanha insensatez? Promover um culto o mais parecido possível com uma sessão de macumba, para que os ex-espíritas possam cultuar a Deus se sentindo “em casa” (isto é, fazendo as mesmas coisas que faziam nos terreiros)? É isso que entendem por “nova criatura”, para quem “as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”? Gente assim pode dizer “já estou crucificado com Cristo, e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim”?

Isso não é ser evangélico pentecostal. Porque temos exemplos de pentecostais autênticos, sérios, tementes a Deus, como David Wilkerson, Paulo Leivas Macalão, Antônio Gilberto, Ciro Zibordi, dentre tantos outros. E também de crentes pentecostais anônimos, que amam ao Senhor e sabem distinguir uma verdadeira experiência espiritual de uma falsa, porque neles habita o Espírito Santo. Estes jamais aceitariam participar de um falso culto idêntico a uma cerimônia não cristã.

Respeitamos as pessoas adeptas do espiritismo, como seres humanos que são, mas discordamos de suas práticas religiosas. Cremos firmemente, com base no ensino bíblico, que toda religião a qual não reconhece a Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador só pode conduzir ao inferno. Não há salvação para quem frequenta terreiros espíritas, e isso já é motivo mais que suficiente para que não tentemos imitá-los em nada.

Por isso, a existência de igrejas (?) pentecostais (?) que imitam centros de macumba nos causa nojo e profunda indignação. Ver toda aquela gente estremecendo e rodopiando enquanto usam o Nome de Jesus revolta-nos, porque estão brincando com o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Não sabem o que é o Evangelho, apropriam-se do culto como se o Altíssimo aceitasse receber o mesmo tratamento que os ídolos do espiritismo recebem nos terreiros. Para tais pessoas, só podemos dizer: arrependam-se e voltem-se para Cristo enquanto é tempo! Se alguém discorda, por favor apresente argumentos teológicos sólidos e biblicamente fundamentados que justifiquem tão grande aberração.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Uma profunda reforma no culto cristão

Para que nós, hoje, pudéssemos nos reunir como igreja, cultuando a Deus, um altíssimo preço foi pago. Jesus precisou ser moído até à morte numa cruz, beber o amaríssimo cálice da ira do Todo-Poderoso, com o propósito específico de pagar por nossos pecados. Mediante a fé em Cristo – e fé significa submeter-se ao Seu senhorio – somos justificados, a fim de vivermos uma nova vida para o louvor da glória do Deus Triúno. Não recebemos, em hipótese nenhuma, uma carta branca do Senhor, autorizando-nos a fazer o que bem entendermos em nossas reuniões de culto.

As pessoas que se dizem crentes parecem ter perdido a noção do que significa cultuar a Deus. Não todas, felizmente, mas muitas, quase todas. Perdeu-se o respeito, o temor e a reverência. Os cultos evangélicos, em sua grande maioria, se assemelham aos ajuntamentos seculares mais informais, como shows, espetáculos de circo ou festas de carnaval. Há mais zelo pela boa ordem nos eventos de formatura, celebrações de casamento ou audiências de julgamento nos Fóruns e tribunais do que nas reuniões do chamado povo evangélico. Autoridades humanas, como reitores de universidades, juízes de paz e magistrados são mais respeitados do que o Autor da Vida!

Exagero? Absolutamente, não! Todas as noites de domingo, em quase todos os templos evangélicos, há gente circulando pelos corredores o tempo inteiro, enviando mensagens no celular, conversando, bocejando escandalosamente, rindo, e isso durante os momentos de oração e de pregação da Palavra. Crianças brincando, falando alto e correndo sem que os pais tomem nenhuma atitude. Jovens do lado de fora contando piadas, paquerando, falando sobre coisas mundanas. Mulheres usando roupas sensuais e sendo alvo de olhares lascivos dos homens.

Há grupos musicais formados por gente com postura de astros e estrelas pop. Músicas nos ritmos mais alucinantes, letras feitas sob medida para agradar e exaltar o homem, cheias de erros bíblicos grosseiros e vergonhosos. “Pastores” que, dia após dia, mês após mês, ano após ano, trocam a exposição fiel do Evangelho por mensagens de autoajuda, recheadas com uma boa dose de humor irreverente. Pessoas dançando sensualmente, como os ímpios dançam nas boates. Manifestações bizarras, como gritos escandalosos, uivos, rodopios, saltos e coisas semelhantes. Apresentações de street dance, funk e outras formas de apelos carnais.

Existe abundância de falsas profecias, falsas visões e revelações, que, mesmo não se cumprindo, não levam o falso profeta ao descrédito perante a sua igreja. O entretenimento se faz cada vez mais presente, como se fosse preciso uma atração nova por semana para convencer as pessoas a continuarem frequentando as reuniões. Há incitação ao rancor e à vingança, do tipo: “você vai ser exaltado perante os seus inimigos”, “todos verão a sua vitória”, dentre outras mesquinharias. Falsos avivamentos são produzidos através de recursos como iluminação de penumbra, músicas hipnóticas com refrões repetidos à exaustão, emocionalismo e gritos.

É preciso acontecer uma profunda reforma no culto em praticamente todas as denominações evangélicas brasileiras – inclusive em algumas igrejas sérias, mas que têm tolerado pequenos desvios e abusos para se adequar ao gosto da maioria dos membros. Os hinos tradicionais devem dominar o louvor, mantendo-se apenas umas poucas canções contemporâneas (aquelas de ritmo suave, belas melodias e letras totalmente bíblicas). A pregação precisa ser expositiva e apta a conduzir ouvintes ao arrependimento para salvação. Os membros têm que aprender como se portar no culto, incluindo o modo de vestir, o momento certo de se falar ou calar, as instruções a serem repassadas aos filhos, etc. E Deus, somente Ele, deve ser a atração e a razão de todos estarem reunidos ali. Com isso, muitos bodes e lobos deixarão nossas igrejas (e não farão falta nenhuma). Mas a qualidade dos nossos cultos será outra, incomparavelmente melhor, para a glória do Senhor.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Para vergonha dos artistas “gospel”

O que se vê logo abaixo é um quadro comparativo. De um lado, trechos de letras de alguns hinos cristãos clássicos (que, no passado, eram cantados nos nossos cultos) e, do outro lado, algumas das músicas presentes no “louvor” da maioria das igrejas na atualidade. Para vergonha dos artistas “gospel” de hoje em dia.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Indignação de um cristão protestante contra os atuais líderes evangélicos

Este Blog nasceu com um propósito, o de apoiar os irmãos que anelam por uma nova Reforma na Igreja. Homens e mulheres piedosos, genuinamente convertidos, os quais sentem tristeza e indignação ao contemplar a desoladora situação da igreja dita “evangélica”. Gente que tem erguido a voz e clamado nos púlpitos, seminários e onde mais é possível, denunciando heresias, desmandos, barganhas, falsas conversões, sincretismos, modismos fúteis e outras aberrações capazes de matar uma geração inteira.

O presente texto é mais um desabafo, feito na expectativa de que alguns leiam, se identifiquem e, quem sabe, tomem atitudes de crentes, tão raras hoje: dobrar os joelhos, clamar a Deus por misericórdia com lágrimas e gemidos, buscar a santificação pessoal, evangelizar os perdidos (muitos dos quais são membros batizados de denominações “evangélicas”). Além disso, estas palavras têm um outro endereço, o coração de pessoas iludidas, que vêm engolindo absurdos por falta de conhecimento doutrinário. Filhos a quem o Senhor amou e escolheu, nascidos de novo, que tiveram a infelicidade de se unirem a pessoas sem entendimento, pastoreadas por ministros igualmente sem entendimento, ou até por lobos devoradores.

Nas estatísticas somos dezenas de milhões, mas na realidade não passamos de uma pequena minoria. O que o povo brasileiro entende por “igreja evangélica” não é Igreja, tampouco Evangélica. São instituições tão idólatras e distantes do Evangelho quanto a Igreja Romana. Os chamados “pastores” não o são de fato. O que se intitula “louvor” não é verdadeiro louvor. Os supostos “avivamentos” não são obra do Espírito Santo. Nós, crentes brasileiros, somos poucos e quem deseja ouvir uma exposição saudável da Palavra de Deus deve procurá-la como um garimpeiro em busca de diamantes.

Edir Macedo, Valdemiro Santiago, R. R. Soares e Silas Malafaia não nos representam. Com promessas de prosperidade financeira, atraem multidões de não convertidos, interessados tão somente em benefícios temporais. A forma como constrangem pessoas a ofertarem mais e mais dinheiro é vergonhosa. São megalomaníacos, constroem impérios, movimentam fortunas, nunca se satisfazem. Não se parecem nem de longe com Jesus, os apóstolos e os primeiros cristãos, que eram completamente desapegados dos bens materiais e rejeitavam a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.

A chamada “bancada evangélica” do Congresso Nacional não nos representa. Desde o escândalo do mensalão (esquema de compra e venda de apoio aos projetos de lei de interesse do governo), no qual praticamente metade dos parlamentares “evangélicos” estiveram sob suspeita, este grupo vem se mostrando tão corrupto quanto o restante do parlamento brasileiro. Ainda que alguns dos deputados e senadores autointitulados “crentes” não sejam culpados e tenham sofrido injusta acusação, fato é que há muita corrupção entre os supostos representantes do povo de Deus. E isso é simplesmente inaceitável para homens e mulheres que dizem carregar a bandeira do Evangelho.

Os cantores, cantoras e grupos musicais conhecidos como “movimento gospel” não nos representam. Muitos não passam de artistas em busca de fama e dinheiro, que amam o aplauso das multidões. O fato de estarem na mídia e serem admirados pelo grande público prova que esses músicos não propagam uma mensagem confrontadora, e o Evangelho de Jesus Cristo é necessariamente confrontador. As letras das canções “gospel”, com poucas exceções, são humanistas, feitas para agradar ouvintes não regenerados com discursos de autoajuda. Os shows “gospel” são puro oba-oba, parece até que a plateia inteira se converteu ao som daquelas músicas empolgantes, mas no dia seguinte todos voltam à prática reiterada dos mesmos pecados.

Cláudio Duarte e outros “pregadores” humoristas não nos representam. São talentosos palestrantes motivacionais, quem os ouve se diverte e dá boas gargalhadas, e isso até funciona bem em eventos seculares. Mas a mensagem deles não é o Evangelho. A verdadeira exposição da Palavra de Deus só pode produzir dois tipos de reação nos que não conhecem ao Senhor: arrependimento ou rejeição. Quem é tocado pelo Espírito Santo passa a enxergar os próprios pecados e, quebrantado, se converte, enquanto os demais se sentem ofendidos diante do chamado à conversão e endurecem ainda mais seus corações. Por isso, as supostas “pregações” engraçadas devem ser banidas de nossas igrejas imediatamente, já que não servem para nada.

O Congresso dos Gideões Missionários em Camboriú/SC não nos representa. Trata-se de um circo onde pessoas rodopiam e se contorcem imaginando terem sido tocadas pelo Espírito de Deus. Mas nos bastidores existe sujeira da pior espécie: “pastores” que sobem ao palco (isso mesmo, palco!) bêbados, cantoras que se prostituem com organizadores do evento, etc. É evidente que nem todos ali praticam essas obscenidades, talvez existam alguns ministros sérios entre os Gideões, mas a contaminação é grande demais, as heresias são muitas, e crentes autênticos deveriam passar longe de tudo aquilo.

Alguns, lendo este texto, podem achar que não sobrou nada de bom no meio evangélico e que todos nós deveríamos abandonar nossas igrejas, mas é um erro pensar assim. A graça de Deus se faz presente nas pregações de Hernandes Dias Lopes, Ciro Zibordi, Franklin Ferreira, Renato Vargens, Augustus Nicodemus. Nas canções dos Vencedores por Cristo, Eduardo Mano, Palavra Antiga, João Alexandre, Grupo Logos. Nos livros e palestras de Norma Braga, Adalto Lourenço. Nos encontros da Editora Fiel, Edições Vida Nova, VINACC – Visão Nacional para a Consciência Cristã. Mesmo em tempos tão conturbados, o Senhor tem um remanescente. Que nós, por graça, sejamos parte dele!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Cristãos fãs de Nietzsche?

Dentre as muitas aberrações produzidas pelo liberalismo teológico, uma merece destaque por sua absoluta incoerência. São os cristãos professos que amam os escritos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Pois o famoso pensador do Século XIX, natural de Roecken, na Saxônia, foi um dos mais ferrenhos críticos do cristianismo em todos os tempos. Não do falso cristianismo, ou de qualquer desvio teológico, mas do puro Evangelho de Jesus Cristo, tal como revelado nas Escrituras.

As ideias de Nietzsche a respeito do homem e de Deus são o extremo oposto dos ensinos de Cristo, em especial das chamadas “bem-aventuraças” (Mateus 5:3-12). Para o filósofo, que se autodeclarava ateu, mais que felizes são os fortes, os poderosos, os que sabem se impor. Friedrich Nietzsche não considerava a mansidão e a humildade como virtudes, e sim fraquezas, debilidades. Dizia que o cristianismo era “religião da decadência”. Revoltava-se contra a doutrina bíblica da queda do homem em Adão.

Nietzsche considerava a compaixão como a principal fraqueza do homem, negava a existência de pecado, céu, inferno e a necessidade de salvação. Afirmava que “o Evangelho morreu na cruz”. Segundo a ética de Nietzsche, “bom” é o que produz poder ao homem, “mau” é tudo o que o enfraquece, e “felicidade” é a sensação de que o poder cresce. Apregoava como meta para a humanidade o surgimento do “super-homem”, ou “além-do-homem”: com o desenvolvimento dos indivíduos mais dotados e fortes (e o perecimento dos mais fracos), chegar-se-ia a esse modelo ideal de ser humano, desprovido de “debilidades” - sobretudo, dos valores cristãos.

Como alguém pode conciliar esses valores com os da Palavra de Deus, a qual ensina que a verdadeira sabedoria está em prostrar-se diante do Senhor, honrá-Lo, servi-Lo, amá-Lo sobre todas as coisas, doar-se em favor dos irmãos, dedicar-se ao cuidado pelos menores e mais carentes desse mundo, mortificar as paixões da carne, subjugar o orgulho, considerar-se um peregrino e forasteiro na terra, viver na esperança do retorno de Cristo em glória, almejar a vida eterna? Se alguém tiver uma explicação plausível, por favor nos mostre.