quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O legado de Rudolf Bultmann

Hoje, lendo o capítulo 8 do Evangelho segundo Mateus, vimos ali o relato de diversos milagres e sinais operados pelo Senhor Jesus. A cura de um leproso, do servo do centurião e da sogra de Pedro, a tempestade apaziguada, a libertação de dois endemoninhados e muitos outros prodígios tremendos deixaram as multidões maravilhadas. Essas e outras passagens bíblicas narram acontecimentos reais que reavivam nossa fé em Cristo e fazem arder nosso coração, se cremos que as Escrituras são a Palavra viva do Deus vivo.
 
O teólogo luterano alemão Rudolf Bultmann (1884-1976) não pensava dessa forma. Doutor em teologia, professor universitário e escritor renomado, dedicou sua vida a analisar criticamente a Bíblia, especialmente o Novo Testamento. Partindo do pensamento teológico liberal, segundo o qual as Escrituras seriam repletas de erros e histórias inventadas, e fortemente influenciado pela filosofia de Heidegger, Bultmann desenvolveu sua carreira acadêmica procurando retirar da Bíblia tudo que há de sobrenatural e não pode ser explicado pelo raciocínio humano, tendo chamado tais coisas de “mitos”. Uma palavra, título de um de seus livros, resume esse propósito: demitologização.
 
Alguns exemplos do que seriam esses “mitos”, os quais deveriam ser rejeitados pelo “cristão” moderno: a concepção de Jesus por obra do Espírito Santo, todos os Seus milagres, exorcismos e maravilhas, Sua ressureição, ascensão aos céus e segunda vinda iminente como justo juiz. Bultmann buscou descartar esses fatos e ensinos sobre Cristo narrados nas Escrituras, mantendo apenas o que restasse disso, ou seja, o “Jesus” carismático, líder influente, ser humano compassivo e amigo dos pobres. O Jesus Cristo Filho de Deus, Salvador, seria uma ideia, um “Kerigma”, algo não histórico e não comprovável, que a Bíblia não nos permitiria decifrar (por ser, segundo o teólogo, falha e não confiável). Algo referente à “Geschichte”, a história existencial, subjetiva, que não é a História real, visível, objetiva. Alguém a ser descoberto, um conceito vago. Certamente, não o Cristo que Se revela a nós nas Escrituras!
 
Bultmann divulgou amplamente suas ideias e conquistou um bom número de seguidores em diversos países do mundo, os quais adotaram e desenvolveram seu projeto intelectual de demitologização. São professores de teologia que atuam em seminários, especialmente aqueles de linha ecumênica (no caso brasileiro, os reconhecidos pelo MEC), e a cada aula minam a fé de seus alunos com um discurso, na prática, ateu. Pessoas que não creem no sobrenatural, e por isso o negam como se fosse coisa de supersticiosos e ignorantes. Se pensarmos que esses teólogos e futuros teólogos bultmanianos são ou serão pastores encarregados de lidar com uma parcela do rebanho de Cristo, só podemos lamentar profundamente por cada alma que cair nas mãos dessa gente!
 
Certa vez, o Senhor Jesus disse algo que deveria encher de temor esses teólogos, que afinal leem e estudam a Bíblia. “Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” (Mateus 18:6-7). Logicamente, um bom bultmaniano dirá que essas palavras não o atingem. Mas convém refletir sobre a mensagem do Mestre. Cristo falou sobre alguém escandalizar um pequenino que crê n’Ele. Vamos nos deter aqui.
 
Frequentemente surgem no meio da Igreja rapazes e moças que, cheios de fé em Cristo e com ardente desejo de trabalhar na seara do Senhor, matriculam-se em seminários de teologia, dispostos a se capacitarem melhor para o serviço no Reino de Deus. Então, logo se deparam com professores adeptos do neoliberalismo teológico e seguidores de Bultmann, e estes, em suas aulas, questionam todos os pontos essenciais da fé cristã, com argumentos que, para alunos imaturos e sem preparo acadêmico, parecerão irrefutáveis. A primeira reação da turma é de angústia e perplexidade, depois vem o abalo na confiança em Deus, perda de fervor espiritual e, consequentemente, a relação desses alunos com Cristo e o Evangelho muda para pior. Sua fé pura e simples sofre um duríssimo golpe, e alguns jamais conseguirão recuperá-la. Agora voltemos às palavras de Cristo em Mateus 18:6-7, e as comparemos com essa história que se repete a cada novo semestre em diversas escolas teológicas. É fácil identificar nela o escândalo (o ataque à fé cristã), homens que produzem o escândalo (professores de teologia) e pequeninos sendo escandalizados (alunos que mantinham uma fé singela). “É mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!”.
 
Então, o mal iniciado na faculdade de teologia segue destilando seu veneno para além do ambiente acadêmico, à medida que novos teólogos formados ingressam no ministério pastoral, sem fé no Cristo revelado, duvidando do sobrenatural de Deus e desconfiando da mensagem bíblica. Nas igrejas, encontrarão pessoas crentes, que desconhecem os tratados teológicos de Bultmann e outros neoliberais, mas temem ao Senhor Jesus. E então, esses cristãos simples terão sua fé confrontada por pastores e pastoras céticos, que, devido à capacidade argumentativa adquirida no seminário, conseguirão abalar a confiança em Deus de muitos. “Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar”!
 
Rudolf Bultmann foi famoso no meio teológico, e deixou como legado uma coleção de obras publicadas e uma pequena multidão de seguidores. Dos ensinamentos desse renomado pensador alemão surgiram muitos frutos, que honestamente não podemos chamar de bons. Cada uma das sublimes verdades do Evangelho foi combatida, a pureza da mensagem cristã deu lugar a um compêndio filosófico aberrante e repleto de heresias, muitos perderam a fé, comunidades enfraqueceram ou mesmo sumiram como reação à frieza dos que as pastoreavam, o bendito Nome de Cristo foi blasfemado à exaustão. Bultmann terá sido salvo? Talvez sim, pois o poder do Espírito Santo pode tê-lo regenerado antes de sua morte, e é possível que finalmente tenha crido em Jesus sem que tenhamos tido notícia, o que decerto lhe asseguraria a salvação. Mas o estrago está feito. Que o Deus poderoso para salvar tenha compaixão das vítimas do neoliberalismo bultmaniano, não permitindo que partam dessa vida sem uma experiência de genuína conversão ao Seu Filho unigênito Jesus Cristo, o qual vive, reina e Se revela a nós nas Escrituras!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Eu escolho Deus

Eu escolho Deus, eu escolho ser amigo de Deus”. Estes versos corroboram a mensagem de vários sucessos recentes do movimento gospel (“eu escolho Te adorar”, “aquele que a Ti escolher”, etc). Embora o Senhor Jesus tenha nos dito o contrário, do modo mais claro e enfático possível em João 15:16 (“não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós”), os principais astros e estrelas evangélicos da atualidade garantem que o homem toma a iniciativa de crer em Deus e servi-Lo.
 
Muitos cantam isso de coração e com boas intenções, pretendendo dizer mais ou menos o seguinte: eu me proponho a deixar tudo aquilo que desagrada ao Senhor, para fazer o que Lhe agrada. De fato, temos a responsabilidade, e mais ainda, o dever de abrir mão da concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, a fim de buscarmos o Reino de Deus e a Sua justiça. Porém, frases como “eu escolho Deus” revelam uma profunda ignorância a respeito do estado espiritual do ser humano.
 
A Bíblia nos garante que todos nós pecamos, e fomos destituídos da glória de Deus (Romanos 3:23). Que estávamos mortos em nossas ofensas e pecados (Efésios 2:1). Precisávamos nascer de novo, pelo poder do Espírito Santo (João 3:5). E, se não fosse concedido pelo Pai, jamais poderíamos vir a Cristo (João 6:65). A salvação, para nós, era impossível (Mateus 19:26). Éramos, por natureza, filhos da ira (Efésios 2:3). Mas Deus nos amou primeiro (1João 4:19). Ele, por pura graça, contemplou nossa miséria, Se compadeceu de nós e nos trouxe à vida, através da redenção conquistada por Jesus (Romanos 3:24). Este é o Evangelho de Cristo!
 
Prezado(a) irmão(ã), saiba que pecadores impenitentes não escolhem Deus! Crer em Jesus Cristo e servi-Lo não é a mesma coisa que decidir entre um suco e um refrigerante, ou optar por uma camisa azul ao invés de uma verde. Eu e você estávamos mortos espiritualmente! A diferença entre nós e o ateu mais endurecido é somente uma. A graça do Senhor nos alcançou, transportando-nos da morte para a vida, ao passo que os ateus continuam mortos. Perceba que nós não temos merecimento algum, já que também negávamos a Deus com nossos lábios e/ou atitudes. Foi Ele quem mudou o curso de nossa existência aqui na terra, e especialmente o nosso destino eterno!
 
Por que publicamos essas palavras? Para combater qualquer ilusão que você porventura mantenha a respeito da obra salvadora realizada em sua vida. Não pense que você decidiu ser salvo, ou que crer em Jesus tenha sido uma escolha pessoal sua! Seu coração era totalmente corrupto e insensível ao Evangelho, como também era o meu, e toda a imaginação de seus pensamentos, continuamente má. Até mesmo suas palavras e atitudes mais doces estavam contaminadas por alguma dose de egoísmo, ou seja, desejo de autoglorificação. Você, como eu, abominava a ideia de se submeter a Deus e viver para a Sua glória. Deus o(a) salvou! Ele realizou um milagre na sua vida, e também na minha, que nós hoje não temos noção do quanto foi grandioso e sublime! Aleluia! Louve ao Senhor em todo tempo, por Seu incomparável amor e graça!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A feiura do pecado

Em letras de músicas, filmes, contos de literatura e programas de TV, o pecado é frequentemente descrito como algo divertido, prazeroso, capaz de proporcionar verdadeira alegria. Estilos de vida pecaminosos são enaltecidos e glorificados, como se os seus adeptos vivessem mais intensa e plenamente, deixando sua marca e se tornando exemplos para outros. A chamada ao pecado é dirigida sobretudo aos jovens, que se encantam com a sexualidade desregrada e promíscua, os excessos de álcool e drogas e outros vícios praticados por seus ídolos da mídia. Tudo é lindo e colorido nas canções, páginas de livros, revistas e tela de TV!
 
A realidade é muitíssimo diferente. Desde Adão, o pecado é a causa de todo sofrimento e desgraça nesse mundo. Por causa do pecado famílias são destruídas, inimizades surgem, vidas são ceifadas, patrimônios desaparecem. As consequências do pecado estão estampadas no rosto de crianças infelizes e abandonadas, no pranto da esposa traída, no desespero de pais que têm seus filhos assassinados, na dolorosa angústia dos filhos que veem seu pai ir para a cadeia. O pecado leva muitos a se suicidarem ou tentarem suicídio. Grande parte dos que padecem de depressão pecaram gravemente ou foram vítimas de pecados cometidos por outros.
 
Não há um nível seguro para a prática do pecado. Adultérios nascem de flertes aparentemente inocentes. Perversões sexuais, como a pedofilia e o sadismo, começam num simples folear de revistas eróticas. A escravidão das drogas remete à primeira tragada em um cigarro de maconha. Uma vida de crimes tem início no furto de um objeto barato. É assim que as pessoas desavisadamente dão os primeiros passos num caminho cujo fim é ruína e perdição. Diga a um adolescente rebelde que ele está em perigo, e ele rirá. Mas o fato é que boa parte dos garotos que hoje sonham com uma vida libertina de pecado, em breve estarão colhendo amargos e dolorosos frutos. Você que lê este texto, certamente já viu alguns, senão muitos de seus colegas de infância e adolescência se acabarem em algum pecado que lhes tenha custado a saúde, paz, unidade familiar, liberdade ou até a vida.
 
O pecado é imundo, sórdido, vil, malcheiroso, repugnante e abominável, ainda que frequentemente se esconda em uma roupagem agradável aos olhos. Quem abraçar uma vida de pecado com certeza acabará mal. Por causa do pecado, o Filho unigênito de Deus precisou vir ao mundo e se humilhar até à morte, tomando sobre Si a ira do Pai. O inocente em lugar dos culpados, fazendo-Se maldição, a fim de nos reconciliar com o nosso Criador. Nós, que cremos n’Ele, se de fato O amamos, precisamos odiar o pecado com toda a força de nossa alma! E não somente isso, temos o dever de anunciar ao mundo não apenas a indescritível beleza de Cristo, mas também a horrível feiura do pecado.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Templos suntuosos pra que?

Pouco antes de subir aos céus, o Senhor Jesus nos deixou as seguintes palavras, registradas em Mateus 28:19-20: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado”. Foi uma ordem simples, que certamente implica em um elevado custo de esforços e renúncia, e resume a missão da Igreja de Cristo, que é levar o Evangelho a toda criatura.
 
Nosso Mestre não disse nada a respeito de templos grandes e imponentes, até porque, na Nova Aliança, Deus habita não mais em construções erguidas por mãos humanas, mas no coração dos crentes. Por esta razão, quando a Igreja Romana edificou, nos séculos XVI e XVII, uma sede megalomaníaca no Vaticano, construída no formato de uma chave, a “detentora exclusiva das chaves do Reino dos Céus” apenas evidenciou o quanto estava distante da vontade do Senhor, preocupada tão-somente em demonstrar poder aos olhos dos homens sob o seu domínio. Nada mais distante das práticas da igreja primitiva, descrita no livro de Atos dos Apóstolos!
 
Porém, lamentavelmente, a megalomania e a soberba não são vícios exclusivos da Igreja de Roma. As denominações neopentecostais, ditas “evangélicas”, têm sido tomadas pelo mesmo mal, como comprovam as novas e grandiosas sedes recém-construídas ou em construção das principais igrejas da “teologia da prosperidade”, orçadas em dezenas ou até centenas de milhões de reais!
 
"Para Deus, nós fazemos o melhor”. Essa é a resposta de praxe, que os bispos, apóstolos e missionários neopentecostais sempre repetem. Sob esse ponto de vista, o “melhor” significa o mais caro, o mais rico, o mais luxuoso, o mais grandioso, o mais impressionante. É normal que os descrentes, não salvos, não regenerados, pensem de modo tão materialista. Triste é verificar que alguns líderes evangélicos têm o mesmo pensamento!
 
É lógico que os templos cristãos devem ser erguidos com capricho e bom gosto, dentro das possibilidades de cada congregação. Seria uma demonstração de desleixo edificar um templo acanhado demais, se os membros possuem boa condição financeira. No entanto, construções enormes, destinadas a abrigar milhares de pessoas, não são uma boa ideia. A igreja precisa ser uma comunidade de irmãos em íntima comunhão, e não uma multidão que se reúne em megaeventos. Melhor é ter vinte templos com capacidade para quinhentas pessoas cada, do que um prédio enorme capaz de receber dez mil de uma só vez! E quanto ao luxo ostensivo, essa característica não cai bem no meio cristão, nem mesmo se a comunidade for rica. E os membros mais pobres, não se sentiriam humilhados em um prédio de riqueza imponente? Sim, mas a liderança neopentecostal parece não enxergar esse simples fato.
 
Enquanto isso, em povoados esquecidos do sertão nordestino, região amazônica, norte de Minas Gerais e cantões de diversos estados brasileiros, tanta gente humilde padece sem Cristo, ignorando a sublime mensagem do Evangelho, desesperançados, entregues às crendices e superstições de um sincretismo religioso que o catolicismo romano por conveniência sempre alimentou! Mais adiante, em outras nações, outros povos gemem sem salvação, aprisionados em suas próprias manifestações religiosas antibíblicas, anticristãs, enganosas e diabólicas. Quantos missionários poderiam ser enviados e sustentados dignamente com os milhões e milhões de reais (mal) empregados em edifícios riquíssimos que as denominações neopentecostais erguem a cada dia, sem que Deus jamais lhes tenha ordenado isso? Essa é uma pergunta que deveria ser levada a sério.
 
"Portanto ide, fazei discípulos”. Deus, o Senhor do universo, não precisa de templos suntuosos, enormes, cheios de riquezas, que impressionam o homem, mas não Aquele que na concha de Sua mão mediu as águas e tomou a medida dos céus a palmos. O Senhor quer almas! Servos, remidos e lavados no sangue do Cordeiro, de todas as partes do mundo, ainda que se reúnam em cabanas de madeira e sapê, mas o façam para a glória de Deus! Quem se habilita a fazer a obra de Cristo, tal como Ele ordenou?

terça-feira, 30 de julho de 2013

Socialismo ou cristianismo?

O ser humano carrega na alma uma sede por justiça, ou melhor, por aquilo que entendemos ser justo. Alguns, é verdade, não demonstram esse anseio, e aparentemente fazem do acúmulo de bens o seu alvo, mesmo que à custa do sofrimento de muitos. Mas grande parte da humanidade ainda é capaz de se indignar diante de situações injustas e solidarizar-se com os injustiçados (pessoas vivendo na miséria, doentes sem acesso a tratamento médico adequado, cidadãos discriminados e humilhados). O socialismo marxista surgiu como uma resposta às mazelas deste mundo, seduzindo multidões com seu projeto para um mundo comunista.
 
O socialismo foi implantado em diversos países da Europa (Rússia e demais ex-repúblicas da U.R.S.S., Alemanha Oriental, Polônia, Romênia, etc), Ásia (China, Vietnã, Coreia do Norte, etc), América (Cuba) e até algumas experiências na África. Através de revoluções populares ou invasões militares estrangeiras, tomou-se o governo das mãos da classe dominante (burguesia e/ou oligarquia rural), passando-o aos representantes dos operários e camponeses. Economias foram completamente estatizadas, e a oposição, sumariamente exterminada.
 
Na prática, todos aqueles países vivenciaram um período de totalitarismo. Cada esfera da vida privada era ditada e controlada pelo Estado, o deus no marxismo, e não se podia pensar diferente, criticar, debater. A perseguição religiosa foi intensa, e o ateísmo, imposto à população, em maior ou menor medida conforme o país. Toda a produção humana (trabalho, pesquisa, artes, esportes, etc) serviam aos interesses estatais. É verdade que as políticas governamentais combatiam o desemprego, asseguravam moradia, facilitavam o acesso à escola, dentre outros benefícios. Porém, obtido o mínimo, era impossível ir além. O salário e as perspectivas profissionais do mais dedicado trabalhador de uma empresa (estatal, naturalmente) eram os mesmos de seu colega mais preguiçoso e desinteressado, portanto até o caráter igualitário do regime mostrava-se injusto. As conquistas dos grandes atletas e cientistas das nações socialistas exaltavam apenas aos seus governos. Não havia individualidade, projetos pessoais ou familiares, alegrias, esperanças ou expectativas, a menos que alguém se realizasse no Estado.
 
O socialismo fracassou miseravelmente, embora a fórmula de Karl Marx tenha sido implantada à risca. O colapso econômico experimentado por todos os países socialistas (exceto a China, que, sob a mão de ferro da ditadura, mudou-se gradualmente em economia capitalista), evidencia a falência daquele malfadado regime. Mas o fracasso não foi apenas econômico. As sociedades marxistas ruíram em corrupção, alcoolismo, prostituição e vários outros vícios, à medida que o povo infeliz daquelas nações buscava desesperadamente uma válvula de escape ao vazio de suas existências entediantes. Presos – literalmente, pois só era possível sair de lá com autorização do governo, em caso especialíssimos e por pouco tempo – sem Deus, sobrevivendo com o básico ou menos que isso, sonhavam com o fim de um pesadelo totalitário, o que, felizmente, já ocorreu, exceto em uns poucos lugares como a Coreia do Norte e Cuba.
 
O fato é que não há projeto humano ou ideologia que possa trazer justiça e redenção à humanidade. Os males sociais não têm origem em um grupo, seja a burguesia, latifundiários ou outro qualquer; a sociedade não se divide simplesmente em vítimas e algozes. Todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3:23), e o oprimido de hoje pode facilmente se tornar o opressor de amanhã. Toda dor, sofrimento e injustiça provêm do pecado, que é a recusa do ser humano em amar a Deus e ao próximo. Assumindo uma postura rebelde contra Deus e Seus valores bíblicos de justiça perfeita, logo o homem passa a cobiçar, roubar, matar e adulterar. Isso é fato comprovado em todas as tribos, povos e nações desde o princípio até hoje. Quem discorda, por favor, mostre-nos uma única exceção!
 
A redenção da humanidade somente se consumará quando o Reino de Deus se manifestar a nós, com a vinda de Cristo em glória. Mas até lá podemos sim, viver antecipadamente uma parte das bênçãos vindouras, à medida que nos rendemos a Cristo Jesus, reconhecendo-O como nosso Senhor e Salvador. Só então temos o perdão de nossos pecados, a paz e alegria duradoura, que não existem fora de Deus. E então, transformados pelo Espírito Santo, passamos a amar a reta justiça e odiar o pecado. Tornamo-nos instrumentos de graça, não mais de maldade e injustiça! Além disso, recebemos uma nova família, a Igreja de Cristo, na qual há comunhão em amor.
 
Sim, há mentirosos, hipócritas e gananciosos no meio da Igreja, e o Senhor Jesus nos alertou antecipadamente sobre os tais, chamando-os de “joio”. Existe também muita doutrina de homens, não bíblica, impura e nociva, misturada com a pura doutrina cristã expressa somente nas Escrituras. Mas há também um povo salvo por Deus, a verdadeira Igreja de Cristo, presente em diversas denominações cristãs espalhadas pelo mundo, e ali está a graça do Senhor, viva e presente. Só estes têm vida abundante, que governo nenhum pode proporcionar!
 
Você, meu amigo, minha amiga, que nos lê e tem procurado por uma vida melhor e uma sociedade mais justa, depositando sua esperança no socialismo, que hoje se apresenta sob nova roupagem (feminismo, luta pela legalização das drogas, movimento GLBTS, ateísmo militante, antissemitismo, etc), responda honestamente, para si mesmo(a): você já experimentou em seu coração uma paz e alegria duradoura, que não dependam das circunstâncias? Sabe o que é sentir-se pleno(a) sem a necessidade de nenhum estímulo externo, seja remédio, álcool, sexo, filme, música ou qualquer outro? Conhece o que é ser amado(a) e protegido(a) por algo maior que você, todos os dias? Se a sua resposta foi “não”, entenda que seus ideais socialistas nunca irão lhe proporcionar essas graças maravilhosas. O que você tanto anseia não pode ser conquistado pela força humana. Você precisa de Jesus Cristo! Procure conhece-Lo, leia a Bíblia, clame a Deus, busque-O de coração! Há um tesouro, algo realmente precioso pelo qual vale a pena viver; não se contente com nada menos do que isso! Que Deus o(a) abençoe nessa busca!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Ingratidão e idolatria

Em Jeremias 2:1-8, a Bíblia nos conta uma história de ingratidão. O povo israelita, a quem o Senhor amou e libertou da opressão no Egito, conduzindo-os de modo maravilhoso pelo deserto até Canaã, a terra prometida, esqueceu-se de Deus, voltando-se para os ídolos. Aquela mesma gente que experimentou o cuidado e a fidelidade divina, que derrotou inimigos mais fortes do que eles em circunstâncias milagrosas, logo se encheu de soberba. Imaginaram não depender mais da graça do Altíssimo, julgaram-se autossuficientes. A idolatria, que significa adorar obras das próprias mãos, foi o passo seguinte, a consequência natural. Ídolo é criação humana, é o homem adorando a si mesmo, através de um deus que lhe seja conveniente.
 
O ocidente “cristão” tem vivenciado o mesmo processo. Sendo gentios, fomos alcançados pela graça divina, por meio de Jesus Cristo. Deus nos fez Seu povo, e passamos a viver como Igreja, tendo a Sua Palavra como guia. Em diversas épocas o Senhor nos repreendeu, quando O negligenciávamos, fabricando nossos ídolos. Mas era correção amorosa, para o nosso bem, pois o Criador e Sustentador do universo sabe que, sem Ele, não iríamos longe. Ao mesmo tempo, Deus sempre nos chamava de volta, erguendo profetas, produzindo avivamentos, despertando-nos outra vez.
 
Hoje, vivemos em um tempo de tecnologia e conforto sem precedentes, num progresso que, além de ser favor divino, deve muito ao cristianismo (basta ver o grande número de universidades de origem cristã). E, mais uma vez, a soberba encheu-nos, e passamos a atribuir à nossa própria capacidade toda a fartura que possuímos. Por isso, quanto mais rica a nação, mais evidente é o processo de secularização. A cultura norte-americana e a europeia abraçam valores anticristãos, tais como o aborto, a eutanásia, a pornografia, o consumismo exacerbado e tantos outros, e nós, brasileiros, os seguimos de perto, como também o fazem outros povos latino-americanos.
 
Somos idólatras. Esquecemo-nos de Deus, e de como fomos até aqui sustentados e guardados por Ele. Nossos valores não são bíblicos, e nisso incluímos grande parte dos cristãos professos, frequentadores de igrejas. Não existe a preocupação de se viver conforme as Escrituras em todas as áreas da vida, a não ser em um grupo restrito de crentes. Adoramos ao Senhor com os lábios, e, contudo, tomamos para nós os ídolos de uma cultura secular pós-cristã e anticristã (o deus sexo, o deus dinheiro, etc), cultura esta incompatível com os valores do Reino de Deus. Também era assim em Israel e Judá, onde o povo adorava ao Senhor Jeová e a Baal ao mesmo tempo. E Deus rejeitava esse culto duplo, esse “coxear entre dois pensamentos”, como certamente rejeita o nosso!
 
Somos ingratos. Nossa ingratidão se torna flagrante quando desprezamos as instruções de Deus, julgando-nos mais sábios que a Bíblia, donos de nós mesmos, capazes de criar uma sociedade mais justa do que aquela planejada pelo Autor da vida. Essa ingratidão salta aos olhos, ao decidirmos que o consumismo é melhor que a moderação; a sensualidade, mais interessante que o pudor; a bebedeira e as drogas, melhores que a sobriedade; o aborto e a eutanásia, mais corretos que a valorização da vida; a sexualidade desregrada e sem limites, mais adequada que o casamento heterossexual e monogâmico; o enriquecimento imediato, melhor que o trabalho diligente e honesto; o feminismo (negação de QUALQUER diferença entre os sexos), mais virtuoso que os papeis bíblicos do homem e da mulher. Em tudo isso, rejeitamos Deus, o Seu Reino e a Sua justiça, enquanto desfrutamos de tantos bens e favores que Ele, graciosa e pacientemente, continua nos concedendo.
 
É hora de reavaliarmos nossas crenças e valores e nos arrependermos de nosso conformismo com o presente século, voltando-nos para Deus e Seus princípios imutáveis expressos nas Escrituras. Tenhamos consciência de quem o Senhor é, reconheçamos a Sua maravilhosa graça manifestada a nós em Cristo, pois este é o primeiro passo indispensável. E então, comparemos a beleza de Cristo com a futilidade e fugacidade dos ídolos contemporâneos. Quando atentarmos para essas verdades, louvaremos ao Senhor com corações jubilosos e cheios de gratidão, rejeitando como lixo tudo que ofende ao Seu caráter santo. Clamemos a Deus que, por Sua imensa bondade, abra os nossos olhos e nos restaure para Ele outra vez!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Eta Linnemann – Um testemunho da graça de Deus

Se pensássemos em termos de lógica humana, a teóloga alemã Eta Linnemann (1926 – 2009) jamais se tornaria uma crente autêntica, tampouco uma defensora da inerrância bíblica. Nascida e criada no seio da Igreja Luterana da Alemanha, durante a infância frequentava uma pequena comunidade, precariamente atendida por jovens pastores iniciantes, e na adolescência teve aulas de confirmação com um ministro o qual, segundo a própria Eta, “não era nascido de novo”. Ao final da Segunda Guerra Mundial, profundamente insatisfeita com a frieza na igreja da qual era membro, a jovem Eta Linnemann teve seu primeiro contato com um pastor verdadeiramente crente, que lhe falou sobre conversão. Aquele ensino a despertou para o Evangelho, levando-a a ler a Bíblia diariamente, e logo sentiu desejo de estudar Teologia. Com isso, matriculou-se na Universidade de Marburg, onde vivenciou experiências que afetariam radicalmente a sua vida.
 
Marburg significava Rudolf Bultmann”, conforme ela mais tarde sintetizou. O pensamento de Bultmann, famoso teólogo da neo-ortodoxia (na verdade, neoliberalismo) que rompera com Karl Barth, imperava naquela Universidade, como em muitas na Alemanha. Ou, em outros termos, ali reinava o método histórico-crítico de interpretação bíblica, e naquele ambiente Eta Linnemann teve sua formação teológica, sendo aluna dos mais renomados teólogos adeptos desta corrente interpretativa, notavelmente liberal. Um momento marcante para a jovem aluna foi a aula em que o próprio Rudolf Bultmann, comentando 1Coríntios 15:3-4 (“que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”), afirmou: “aqui, Paulo não está no normal de sua teologia, porque está falando da ressurreição de Jesus Cristo como se fosse um fato histórico”. Com tais palavras, o mestre procurava retirar do coração de Eta e demais alunos a crença na ressurreição do Senhor Jesus! Nos anos seguintes, os teólogos de Marburg, incluindo Bultmann, desconstituíram o ensino sobre vários outros pontos cruciais das Escrituras, afirmando claramente que diversas passagens eram mitos, ou adições indevidas de homens motivados por questões particulares de sua época e circunstância histórica. O lema era “ler a Bíblia como se Deus não existisse”!
 
Eta Linnemann foi aluna brilhante, concluindo seu doutorado sob a orientação de Rudolf Bultmann, tendo como tema uma crítica no Evangelho de Marcos, e em seguida tornou-se professora de Teologia, vindo a ser admitida na seleta Sociedade para Estudos do Novo Testamento, organização composta por destacados teólogos de orientação liberal. Porém, diante de um aparente sucesso, a teóloga Eta vivia em crescente frustração, convencida de que todo o seu estudo não a conduzira ao Senhor, nem sequer tinha utilidade na pregação do Evangelho. Então, ainda em Marburg, orientando alunos nas dissertações de conclusão de curso, teve o coração novamente aquecido ao ler a tese de um aluno que relatava milagres recentes acontecidos em igrejas na África. Como foi estarrecedora aquela notícia, para uma mulher que já não acreditava em milagres!
 
Alguns meses depois, ministrando em uma turma na qual alguns realmente demonstravam evidências de conversão, a professora Eta foi surpreendida com a notícia de que um pequeno grupo de alunos começara a orar por ela. Pouco depois, diante de insistentes convites de alunos para que participasse de reuniões de oração, Eta Linnemann compareceu a um desses encontros, onde percebeu um claro mover de Deus, que ela reconheceu como sendo a realidade da justificação pela fé em Cristo. Ela continuou frequentando reuniões como aquela, cada vez mais tocada pela mensagem da graça de Deus, até que, numa delas, diante do apelo feito pelo ministrante, para que, se alguém desejasse entregar a vida a Jesus, erguesse a mão, Eta percebendo a voz do Senhor, converteu-se ali mesmo. E, sinceramente arrependida de toda a sua experiência como teóloga bultmanniana adepta do método histórico-crítico, uma Eta Linnemann já convertida e totalmente transformada passou a frequentar a Escola Bíblica Dominical de uma igreja cristã, como aluna, com outros crentes de dezesseis a setenta anos de idade, disposta a aprender as verdades fundamentais do Evangelho!
 
Eta Linnemann foi expulsa da Sociedade para Estudos do Novo Testamento, o grupo de intelectuais de cunho liberal da Alemanha. Mas não deixou de ser professora universitária de Teologia. Desde sua conversão, a teóloga Eta, crente em Cristo Jesus, passou a defender a veracidade, confiabilidade e inerrância das Escrituras, tendo como um de seus alunos de doutorado o Rev. Augustus Nicodemus Lopes, pastor, professor e teólogo brasileiro igualmente defensor da supremacia bíblica. Além disso, Eta Linnemann escreveu livros nos quais reafirma a inerrância da Bíblia e contesta o método histórico-crítico. Duas de suas obras foram lançadas em português pela Editora Cultura Cristã: “A crítica bíblica em julgamento” e “Crítica histórica da Bíblia”.
 
A história de Eta Linnemann é um poderoso testemunho da graça de Deus e do poder do Evangelho para a salvação de pecadores. Desde a infância, frequentando uma denominação fria, burocrática, onde se vivia um cristianismo meramente formal, passando por uma escola de Teologia que, sem exagero, poderia ser descrita como um cemitério da fé cristã, esta mulher de Deus trilhou caminhos errantes, mesmo em um meio teoricamente cristão. Foi tentada em seu ego, o que é uma das mais formas de tentação mais perigosas e difíceis de se resistir. Tudo indicava que seria mais uma famosa e arrogante teóloga liberal, cercada por admiradores, aplaudida entre os intelectuais alemães e destinada à condenação eterna. Mas, pela sublime bondade do Senhor, tornou-se crente e fervorosa defensora da Palavra de Deus. Glórias sejam dadas ao Todo-Poderoso, que nos surpreende com Sua maravilhosa graça!
 
Fonte: “Testemunho de Eta Linnemann”, disponível em: http://mcapologetico.blogspot.com.br/2010/08/testemunho-de-eta-linnemann.html. “Augustus Nicodemus - O dilema do método histórico-crítico”. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Gvd2heRgGZs.