sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Cristianismo sem sofrimento. Até quando?

A história tem demonstrado a importância das perseguições e provações no aperfeiçoamento dos crentes. Todos os períodos nos quais a (verdadeira) igreja testemunhou mais firmemente o Nome de Cristo, viveu em maior santidade e produziu mais excelentes frutos foram épocas marcadas pelo sofrimento. Assim aconteceu no tempo dos apóstolos, na igreja sofredora do Século II ao início do Século IV, durante a Reforma, no puritanismo e nos chamados Grandes Avivamentos dos Séculos XVIII e XIX. O próprio Senhor Jesus deu-nos o maior exemplo de sofrimento paciente e assegurou-nos que a vida dos crentes piedosos nesse mundo não seria fácil.
 
Essa verdade incontestável foi veementemente negada no Século passado pela chamada “teologia da prosperidade”. Kenneth Hagin foi o principal responsável na divulgação de uma doutrina rasa, inconsistente e herética, que pode ser resumida nestas poucas palavras: o crente, a partir do momento em que vive conforme os preceitos bíblicos, passa a ter direito a uma vida próspera em todas as áreas, incluindo a saúde, família, trabalho e sobretudo finanças, podendo determinar (ou seja, exigir de Deus) todo o bem que deseja receber. Esse conceito tolo cairia por terra se simplesmente considerássemos que ninguém vive em perfeita obediência à Palavra de Deus, por conseguinte não há um único ser humano em condições de reivindicar coisa alguma do Senhor. No entanto, o movimento da prosperidade cresceu, contaminou a maior parte das denominações cristãs e continua vivo no Século XXI.
 
A mensagem triunfalista da “teologia da prosperidade” logo atraiu a simpatia dos incrédulos. Vislumbrando uma vida bem sucedida e livre de problemas, multidões passaram a frequentar os cultos de denominações ditas evangélicas, conduzidas por pregadores astros, muito mais parecidos com palestrantes motivacionais do que com ministros do Evangelho. O mundo consumista e amante dos prazeres tolerou muito bem (e até firmou alianças com) a nova mensagem apregoada por pastores igualmente consumistas e amantes dos prazeres. Exemplo claro dessa estranha união entre “igreja” e mundo hoje no Brasil é a presença constante de cantores e bandas gospel na mídia, especialmente na TV.
 
Hoje, dezenas de milhões de brasileiros querem adquirir todos os bens de consumo que puderem, aproveitar a vida ao máximo, parecerem com os galãs de novelas, modelos famosas, atletas e cantores de renome, ao mesmo tempo em que se declaram seguidores de Jesus. Desejam a vida mais fácil, mais prazerosa – aqui não falamos dos prazeres espirituais, e sim dos carnais – e afirmam crer no Evangelho. Não veem nenhuma incompatibilidade entre uma coisa e outra, aliás, pensam que o sucesso e glórias mundanos são a consequência natural de se frequentar uma igreja evangélica, dar o dízimo e crer em Jesus. Abrem mão de apenas alguns pecados mais grotescos, quando abrem. Pensam que o céu é apenas uma extensão da vida que podem viver aqui na terra. Não querem humildade, renúncia, mordomia cristã, nada disso. Não são peregrinos e forasteiros em busca de uma pátria melhor, a celestial.
 
Porém, essa farsa não tem como perdurar. O mundo perdido jamais aceitará o Evangelho e nunca amará ao Senhor Jesus. Um dia a perseguição e as provações voltarão a acontecer, quando os verdadeiros crentes se levantarem denunciando a podridão do estilo de vida deste mundo e a imperativa necessidade do arrependimento, da conversão genuína, do negar-se a si mesmo e seguir a Cristo. Então, multidões abandonarão o Filho de Deus por amor a suas próprias vidas e ao presente século. Os que ficarem, os eleitos, amados do Senhor, sofrerão escárnio, zombaria, afrontas e outras injustiças diversas, porém guardados e protegidos pelo Pai Celeste. A igreja não terá glamour, espaço na mídia, cargos no governo ou a simpatia de poderosos, de jeito nenhum. Mas será santa e produzirá frutos agradáveis ao Senhor. Esta igreja, a que ficar, o remanescente de Deus, a noiva adornada, subirá para as bodas do Cordeiro. Mas a herética, fútil, carnal, mundana, perecerá.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Uma nação sem sensualidade

Senhor, dá-nos a graça de vivermos numa sociedade livre desse mal terrível e tão devastador chamado sensualidade. Que a programação de TV disponível, sobretudo durante o dia – mas também à noite – seja limpa, sem qualquer apelo sexual, inclusive nos anúncios publicitários, para que nossas crianças não sejam expostas a imagens, diálogos e situações sobre os quais nem deveriam ter conhecimento. Nossos adolescentes e jovens solteiros não sejam incentivados a uma iniciação sexual precoce. E nós, adultos, possamos nos assentar diante da televisão com nossos filhos tranquilamente, sem precisarmos enfrentar constrangimentos.
 
Livra o nosso povo de toda imoralidade no vestuário feminino. Que as vitrines e prateleiras das lojas especializadas em moda feminina sejam ocupadas por roupas desenhadas para vestirem decentemente a mulher brasileira. Os homens sejam poupados da tentação de verem diante de si mulheres usando decotes escandalosos, calças justíssimas, saias excessivamente curtas, shorts e coisas semelhantes. E até mesmo nas praias e piscinas os trajes de banho sejam descentes, a fim de que toda exposição do corpo feminino como se fosse objeto de consumo vire coisa do passado.
 
Afasta de nós toda espécie de estilos musicais feitos para o pecado. Que nossos ouvidos não sejam torturados com mensagens cantadas repletas de apelo sexual barato, com letras de duplo sentido, sujas e sem graça. As danças baseadas em movimentos corporais vulgares, verdadeiras simulações de relações sexuais, tão comuns hoje no samba, axé, forró e funk carioca, passem a ser repudiadas pelo povo brasileiro, de modo que ninguém as tolere mais. A prostituição e o adultério não mais sejam temas correntes na música popular brasileira.
 
Realiza um milagre na Internet. Pois hoje, lamentavelmente, basta acessar um simples site de e-mails e ali mesmo se vê uma série de “notícias” de conteúdo inadequado, com forte apelo sensual. Do mesmo modo, as redes sociais estão infestadas de imoralidade. Que essa triste situação mude drasticamente, e todo conteúdo sensual desapareça das páginas mais populares. Vai além, Senhor, fazendo com que o nosso povo, maciçamente, tome a decisão de colocar filtros em seus computadores, bloqueando definitivamente o acesso aos sites pornográficos em suas casas.
 
Faze com que nossas mulheres não mais aceitem realizar ensaios fotográficos ou filmagens sem roupa, mostrando seus corpos para qualquer um que adquira uma revista ou assista a um filme com esse tipo de imagens. Que elas não mais encarem isso como um trabalho; antes, compreendam que a sua nudez só é bela se compartilhada com seus esposos, em amor. Percebam que sua intimidade não deve ser vista por estranhos. E nunca mais façam de si mesmas laço, armadilha para que homens cometam adultério em pensamento a partir de fotos e vídeos protagonizados por elas. Pois, nessa história, pecam os homens que as assistem, mas também as mulheres que se expõem publicamente.
 
O que Te pedimos, Senhor, é que uma transformação cultural sem precedentes aconteça em nosso país. Um grandioso milagre, um tremendo gesto de misericórdia e graça da Tua parte. Nossa gente tem plantado somente a iniquidade, e merece colher nada além da Tua ira, Tua santa e justa ira em resposta à multidão de ofensas cometidas pelo povo brasileiro contra Ti. Há séculos esta nação tem se rebelado contra todos os Teus mandamentos, em especial o sétimo que diz “Não adulterarás”, o qual engloba a proibição a todo tipo de pecados referentes à sexualidade. Hoje chegamos ao nível mais baixo de nossa história. Porém, ó Pai Celeste, o Senhor tem poder para transformar essa situação, se Tu quiseres. Faze algo novo e maravilhoso por esta nação, em Nome de Jesus! Liberta este povo das cadeias da sensualidade!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A primeira lição de Neemias

O livro de Neemias é um dos mais emocionantes e inspiradores de toda a Bíblia, sem dúvida. Nele extraímos verdadeiros tesouros de Deus para a restauração de indivíduos, de sociedades e da igreja do Senhor. Em dias caóticos como os nossos, dias em que tudo ao nosso redor são ruínas e nossa maior necessidade é que o Pai Celeste venha nos restaurar os valores morais e espirituais perdidos, talvez não haja outra mensagem mais pertinente que a de Neemias.
 
Houve autêntica restauração em Judá nos tempos daquele homem de Deus. E tudo começou com um clamor, o que lemos no primeiro capítulo. É a primeira lição de Neemias. A partir do versículo quatro, a Bíblia nos conta qual foi a reação do copeiro do rei Artaxerxes ao ouvir sobre a situação de Jerusalém e dos judeus que lá estavam. Tendo ouvido as más notícias sobre o seu povo e a cidade de seus pais, Neemias iniciou uma súplica doída, angustiada, com jejum, regada a lágrimas, feita “dia e noite” (conforme o versículo seis), com abundância de confissão de pecados (versos seis e sete), alicerçada nas promessas de Deus contidas nas Escrituras (versos oito e nove). A súplica perdurou por aproximadamente cento e vinte dias!
 
Ao lermos hoje sobre o clamor de Neemias, nós, crentes em Jesus Cristo, temos razões de sobra para nos enchermos de vergonha. Pois nós fomos cegados por nossa insensibilidade e egoísmo. Enquanto a sociedade brasileira se afunda numa depravação moral sem precedentes, escravizada pela imoralidade sexual, drogas, insubmissão às autoridades, desonestidade generalizada e outros cânceres, nós, que deveríamos ser sal da terra, luz do mundo, testemunhas vivas do amor de Deus, santos e irrepreensíveis, brincamos com o Evangelho. Transformamos nossos cultos em shows de entretenimento, nossos louvores em musiquinhas “pop” fúteis, nossas pregações em palestras motivacionais. Realizamos campanhas de oração em busca de prosperidade material, como se essa fosse a causa mais nobre e importante. Oramos pouquíssimo e somente em favor de nossas próprias necessidades (ou, em muitos casos, nossas tolas vaidades). Pouco nos importamos se a esmagadora maioria dos brasileiros está caminhando a passos largos rumo ao inferno.
 
A maior carência da igreja brasileira não é por pastores, nem por instrumentistas, cantores, professores de Escola Bíblica Dominical, diáconos, presbíteros, líderes de jovens ou qualquer outro ministério reconhecido. O que mais tem faltado no nosso meio são homens e mulheres que sentem profundamente a miséria do pecado. Crentes sensíveis à voz do Espírito Santo, capazes de gemer e chorar por contemplarem as iniquidades escandalosas desta geração. Servos de Deus os quais perdem o sono pensando nas milhares de almas que a cada dia partem para a eternidade sem Jesus, irremediavelmente destinadas à perdição eterna. Santos que oram dia e noite, intercessores genuínos, sintonizados com o coração do Pai, cheios de compaixão pelos perdidos. Cristãos autênticos que amam a igreja de Cristo e se comovem ao vê-la em amizade com o mundo. Que o Deus Todo-Poderoso tenha misericórdia de nós e levante pessoas como Neemias entre nós! Ó Senhor, tira-nos dessa condição espiritual miserável! Restaura-nos! Reconstrói nossos muros!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A segunda vinda de Cristo

A Palavra de Deus nos assegura que o Senhor Jesus voltará à terra como justo juiz, a fim de levar consigo os crentes redimidos por Ele próprio, e conceder aos incrédulos o merecido castigo por terem rejeitado o Salvador e a salvação eterna conquistada na cruz. A igreja espera ansiosa pelo Noivo e pelas Bodas do Cordeiro, enquanto o mundo perdido segue adiante, mergulhado em sua própria iniquidade, ignorando a ira de Deus, Sua justiça e juízo que infalivelmente se manifestarão. Sobre o dia e hora da segunda vinda de Cristo a Bíblia é clara: não sabemos quando será, pois Ele virá como o ladrão, sem avisar, surpreendendo a muitos. Qualquer especulação a respeito de datas não procede de Deus, mas é pura vaidade humana.
 
No entanto, as Escrituras nos informam a respeito dos sinais indicadores da volta do Senhor, para estarmos atentos e cientes de que, acontecendo todas aquelas coisas, o Rei estará às portas. Com base nas palavras do Mestre extraídas do Sermão do Monte das Oliveiras (Mateus 24 e 25, Marcos 13, Lucas 21), tem-se a impressão de que o cumprimento está muitíssimo próximo. Basta observarmos os fatos bem ao nosso redor. Ainda que vários dos sinais previstos tenham ocorrido em diversas outras épocas (alguns nunca deixaram de acontecer), precisamos ter em mente duas coisas. Uma, que eles são como as dores de parto; o espaço entre um acontecimento e outro diminuirá progressivamente, e a intensidade aumentará quanto mais se aproxima aquele Dia. A segunda é que na iminência do retorno de Cristo todos os sinais se verificarão, e não um ou alguns deles.
 
Um dos sinais é a proliferação de falsos mestres. Heresias não são um mal exclusivo desta época, mas sempre existiram. O diferencial é a imensa quantidade de enganadores presentes em toda parte nos dias atuais. Não é exagero dizermos que a esmagadora maioria das denominações cristãs estão contaminadas por falsas doutrinas. Homens ímpios e totalmente despreparados para o ministério lideram igrejas imensas, escrevem livros “best sellers” e apresentam programas na TV. Teólogos liberais, influenciados pelo ateísmo e humanismo, predominam nos seminários. A abominável “teologia da prosperidade” deixou marcas em praticamente todas as denominações cristãs! Além disso, têm sido cada vez mais frequentes os casos de líderes envolvidos em escândalos graves, alguns de forma reiterada.
 
Guerras e rumores de guerras são outro sinal. A humanidade sempre foi marcada por conflitos armados, mas no Século XX estes assumiram proporções mundiais. Também a partir do século passado as grandes potências passaram a intervir nos conflitos dos quatro cantos do planeta. Cada vez mais raras são as guerras localizadas, ignoradas pelos países não envolvidos, e mais frequentes a cada dia são as de alcance global. Além disso, há uma zona de conflito especialmente relevante para o calendário de Deus, abrangendo Israel e territórios vizinhos. No longo período entre o ano 70 e 1948, os judeus foram dispersos pelo mundo e viveram sem um território próprio, mas o surgimento do novo Estado de Israel fez da terra prometida aos descendentes de Abraão uma zona de tensão constante, oscilando entre guerras e rumores de guerras, que agora provocam reações em todo o globo terrestre.
 
A multiplicação da iniquidade é outra evidência clara. Em todas as épocas a maldade, consequência da queda do homem, se fez presente, mas o crescimento alarmante de toda sorte de torpezas tem ultrapassado as piores expectativas. O mais triste é que as pessoas não mais pecam às escondidas, tentando ocultar sua podridão, como antes faziam. Existe hoje uma diversidade de movimentos esquerdistas em defesa do aborto, perversões sexuais, uso de entorpecentes, eutanásia e outras aberrações, além de movimentos contrários à família, ao povo judeu (sim, o antissemitismo está de volta!) e à liberdade religiosa. A banalização do sexo ilícito domina a mídia, não poupando nem mesmo crianças. Crimes brutais cometidos por pais contra filhos e filhos contra pais – outrora raríssimos – acontecem quase todos os dias. E, na mesma rapidez com que a iniquidade se multiplica, ocorre o esfriamento do amor no coração de quase todos cristãos professos. Tanto o amor a Deus quanto o amor ao próximo sumiram das igrejas.
 
Terremotos, epidemias, fome e sinais no céu também apontam para o iminente retorno de Cristo. A fome, um tormento constante nas nações em crise, resiste a todo avanço tecnológico e crescimento econômico mundial. Epidemias teimam em surgir e ressurgir, mesmo com a evolução da medicina (ebola, dengue e quantas mais!). Grandes terremotos, tsunamis, etc, que aconteciam com menor frequência, são cada vez mais comuns, basta lembrar as devastações ocorridas no Haiti e na região da Indonésia. E sinais no céu, antes quase ausentes, já começam a surgir, como se deu na Rússia e em outros lugares há cerca de um ano.
 
Por fim, o aumento da perseguição ao cristianismo em todo o planeta é um fato incontestável. Seja nos países pobres, mergulhados em guerras civis, como Iraque, Somália e Sudão, ou nas prósperas nações do Hemisfério Norte, como Estados Unidos, Suécia e Reino Unido, os servos de Deus têm enfrentado dias difíceis. A diferença é que, naqueles (pobres), a oposição é cruel e desmedida, baseada na violência física, ao passo que nestas últimas (prósperas) os ataques à fé cristã bíblica revestem-se de uma roupagem de legalidade (por exemplo, usa-se o argumento do “Estado laico” para inviabilizar a pregação do Evangelho). A tendência inequívoca é que os cristãos, dentro em breve, sejam, pública e ostensivamente, perseguidos e odiados de todos por causa do Nome de Cristo.
 
De fato, não sabemos o dia e a hora da segunda vinda do Senhor Jesus. Entretanto, os acontecimentos mundiais indicam a iminência do grande Dia. Nosso papel, como crentes, não é fazer alarde ou sensacionalismo, muito menos tentar descobrir o que a própria Bíblia mantém em oculto. Antes, cabe-nos rejeitar toda forma de cristianismo barato e herético, vigiar, arrepender-nos de nossos pecados, buscar a santificação, orar mais intensamente, desprezar os atrativos mundanos, viver em profunda reverência e temor a Deus. Por isso, querido irmão, querida irmã, se você anda sonolento, frio em sua fé, tolerante ao pecado, desinteressado pelas coisas do Reino de Deus, é hora de despertar! Lembre-se da parábola das dez virgens (todas elas representam a igreja visível, ou seja, os cristãos professos): cinco delas subiram com o Noivo para as Bodas do Cordeiro, porque tinham reserva de azeite (fé, santidade, caminhada com Deus), mas as outras cinco ficaram de fora. Pense consigo mesmo, em qual desses dois grupos você está?

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Conhecimento bíblico já!

Dois episódios verídicos recentes nos chamaram a atenção para o estado calamitoso da igreja dos dias atuais, no que tange ao conhecimento bíblico (ou à falta dele). Primeiro: uma mensagem divulgada nas redes sociais mostra o desenho do rosto de um homem, barba e cabelos longos, olhar de sofrimento e uma coroa de espinhos na cabeça. Logo abaixo da ilustração, um texto dizia o que teria acontecido a várias pessoas após receberem aquela figura. Entre outras coisas, é dito que certo ex-presidente argentino teria apagado a mensagem com o desenho sem repassá-la para ninguém, e em seguida o filho dele teria morrido. E que outra pessoa, tendo recebido a mesma figura, repassou-a a vários amigos, e pouco depois ganhou um bom dinheiro na loteria. No final da mensagem, veio a conclusão: “esta foto é milagrosa. Repasse”. Segundo episódio: certa pessoa publicou em sua página numa rede social um pedido de oração em favor de um famoso padre que estaria muito doente (até aí tudo bem, é bom e justo orarmos pela cura de enfermos). Concluindo a publicação, a pessoa chamou aquele padre de “nosso irmão em Cristo”. Qual é o problema? Tanto no primeiro caso quanto no segundo, as pessoas que divulgaram essas mensagens são membros de igrejas evangélicas, pastoreadas por dois homens sérios, íntegros e dedicados aos seus ministérios!
 
Muito nos assusta que alguém, membro de denominação evangélica, desconheça o ensino bíblico acerca da proibição da adoração a imagens de escultura e outras semelhanças do que há no céu, na terra ou embaixo da terra (o Segundo Mandamento, descrito com toda clareza em Êxodo 20:4-5, o qual trata da pureza do culto a Deus). Do mesmo modo, surpreende-nos saber que uma pessoa, também membro de denominação evangélica, não saiba que “irmão em Cristo” é quem crê e confessa ao Senhor Jesus como único e suficiente Senhor e Salvador. Portanto, um padre, o qual chama Maria de “Senhora”, chama os santos já falecidos de “intercessores” e “mediadores junto a Deus” e presta adoração a muitos outros além de Cristo, não pode em hipótese nenhuma ser considerado um irmão. É lícito chamá-lo de amigo, considerá-lo uma pessoa querida, tê-lo em alta estima, desejar a ele todo bem, amá-lo. Mas “irmão” é aquela pessoa que crê nas mesmas coisas que nós. Não é só um tratamento carinhoso ou respeitoso. Não é simplesmente uma forma amistosa de se dirigir a alguém. Muito mais que tudo isso, a palavra “irmão” refere-se à identidade espiritual dos que nasceram de novo, do Alto, pelo poder de Deus: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus” (Efésios 2:19).
 
Ponderemos no seguinte: qual é a diferença entre divulgar na Internet uma ilustração, pretensamente representando Jesus Cristo (a verdade é que nenhum de nós sabe como era a aparência física do Senhor quando veio a este mundo de forma visível, há dois mil anos atrás), certo de que aquela é uma “foto milagrosa”, e prostrar-se diante de uma imagem de escultura, ou distribuir santinhos pelas ruas? Não existe diferença significativa! Todos esses comportamentos – adorar um desenho na internet, uma estátua de barro ou um pedaço de papel em forma de cartão – são formas de idolatria, atitudes típicas de quem não conhece a verdade e se prende a superstições e doutrinas de homens. Consideremos também isso: se um padre, que não crê na suficiência de Cristo, nem na suficiência das Escrituras, nem mesmo na salvação por graça mediante a fé somente, tampouco dá glória somente a Deus, é nosso “irmão em Cristo”, então quais são os fundamentos da nossa fé? O que nos distingue de um católico romano, ou mesmo de um espírita? Afinal, o que significa ser um cristão evangélico, ou protestante? Um rótulo? Questão de gosto? E quanto à sólida doutrina, fundamentada no ensino de Cristo e dos apóstolos, minuciosamente explanada em quase cinco séculos de história por homens santos, desde os pioneiros Lutero e Calvino até os contemporâneos Paul Washer, Leandro Lima e Ciro Zibordi?
 
Pastores, em Nome de Jesus, não aceitem esta deplorável situação! Levem o conhecimento bíblico aos membros das igrejas sob sua responsabilidade, façam isso o mais rápido possível! Se for necessário – provavelmente será – organizem uma ou mais classes na escola bíblica voltadas ao ensino dos rudimentos da fé cristã. Comecem do zero, ensinando as coisas mais básicas, não imaginem que exista algo óbvio sobre o qual seja desnecessário falar. A atual geração de evangélicos desconhece até o mínimo, são como analfabetos diante da Palavra de Deus. Caso os membros não correspondam, e poucos venham a frequentar os grupos de estudo bíblico – possivelmente acontecerá isso mesmo – tomem uma atitude radical e passem a ensinar o “bê-á-bá” da fé cristã nos cultos de domingo à noite, os de maior frequência durante a semana. Sejam claros no ensino, empreguem palavras simples, façam uso de slides com ilustrações, distribuam apostilas, promovam torneios com entrega de prêmios a fim de incentivar os membros a se empenharem (exemplo, presentear o aluno mais frequente na escola dominical com uma boa bíblia de estudo ou um bom dicionário bíblico), peçam ao Senhor que lhes dê criatividade. Mas não deixem de tomar uma atitude urgente! Lembrem-se, uma das principais funções do pastor é dedicar-se ao ensino da sã doutrina, evitando que as ovelhas do rebanho pequem por falta de conhecimento. Dediquem-se, então, com o seu melhor a esta tarefa. Que a graça de Deus seja com vocês!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O que você vê e ouve influencia quem você é

A televisão, Internet, rádio e outras formas de mídia exercem poderosa influência em nós, transformando nossas crenças, valores e atitudes dia após dia. A maioria das pessoas despreza ou ignora esse fato, e quase todas imaginam-se imunes às influências externas, donas do próprio nariz, firmes em suas opiniões. Passam horas diante de um aparelho de TV, computador ou celular, certas de que tudo é entretenimento inocente, e com isso vão assimilando lixo e sendo moldadas até se tornarem imorais e fúteis. Tal fenômeno, num indivíduo é uma lástima, mas, numa sociedade, uma catástrofe.
 
O Evangelho é o chamado de Cristo para uma nova vida, livre das corrupções mundanas. “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12:2) significa, para você que se converteu ao Senhor: Não seja como as demais pessoas, não assista aos mesmos programas de TV, não visite os mesmos sites, não ouça as mesmas músicas, não compartilhe os mesmos vídeos, não se vista do mesmo jeito, não converse da mesma forma, não frequente os mesmos lugares, não tenha os mesmos pensamentos, não deseje as mesmas coisas, não tenha as mesmas noções de “certo e errado”, não se pareça com elas em nada! Se você experimentou o amor de Deus e compreendeu a beleza do Senhor Jesus, isso o torna completamente diferente daqueles que não foram salvos!
 
"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm” (1Coríntios 6:12). É verdade que estamos sob a graça, e que não queremos o legalismo. Não faria sentido adotarmos uma lista daquilo se pode fazer, e uma lista do que não pode ser feito. Mas existem coisas que nos embaraçam a caminhada cristã, pois despertam nossa velha natureza – herança do pecado de Adão. Entristecem o Espírito. Ofendem a Deus. Servem de laço para nós, e, se cairmos, isso nos afastará do Senhor. “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo; se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1João 2:15). Por que nos deliciaríamos naquilo que o Senhor odeia? Se O amamos, queremos honrá-Lo em tudo. “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” 1Coríntios 10:31).

Prezado irmão ou irmã em Cristo, cuidado com as telenovelas, músicas mundanas, vídeos compartilhados no WathsApp, Facebook e coisas semelhantes. Cuidado com programas e séries de TV e os filmes aos quais você tem assistido no cinema ou DVD. Esteja atento aos efeitos que tudo isso produz no seu coração. As mensagens predominantes na mídia são de libertinagem sexual, desconstrução da família, rebeldia, consumismo, hedonismo, culto ao corpo e à aparência, ecumenismo (“todos os caminhos levam a Deus”), relativização da verdade, enfim, o contrário do que ensina a Palavra de Deus. Seja seletivo, não se alimente do mal! Antes, procure se alimentar do que o edifica e traz à lembrança o favor de Deus. Viva seus momentos de lazer de modo a glorificar o Senhor Jesus. E, em hipótese nenhuma, ceda aos valores torpes desse mundo mau que em breve será consumido pela ira de Deus. Você é um remido, salvo, resgatado pelo precioso sangue de Cristo; viva de modo condizente com a sua condição de filho amado do Pai Celeste! Não se conforme com este século!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Vencedores por Cristo: referência de louvor cristão

Em 1968 surgiu uma belíssima novidade no meio cristão evangélico brasileiro, com o lançamento do primeiro compacto do grupo Vencedores por Cristo. O VPC, como ficou conhecido, nasceu como um ministério destinado a treinar jovens para o serviço no Reino de Deus através da música. Acolheu rapazes e moças de diversas denominações evangélicas, e, em suas muitas equipes, treinou mais de quatrocentos e cinquenta adoradores, dentre eles Adhemar de Campos, Guilherme Kerr Neto, João Alexandre e Sérgio Pimenta. Ainda em atividade, o grupo é considerado uma referência de autêntico louvor cristão, uma unanimidade entre os crentes (famosos ou não) verdadeiramente tementes a Deus. Mas, afinal, quais são os motivos pelos quais os Vencedores por Cristo se tornaram esse referencial? O que os distingue de tantos grupos e artistas “gospel” contemporâneos?
 
Dois grandes diferenciais podem ser apontados. O primeiro é que, desde o início, o VPC fez uma opção por cantar as Escrituras. Muitas das letras de suas canções são extraídas diretamente dos textos bíblicos, em especial dos Salmos. As demais, embora não citem explicitamente passagens da Bíblia, tratam de temas em completa sintonia com a Palavra de Deus. Como exemplos destas, podemos citar os louvores “A começar em mim”, que fala de quebrantamento e união entre os irmãos, “Pai, eu Te adoro”, uma adoração ao Deus Triúno, e “Cristo é real”, fortemente evangelística. Desta maneira, os Vencedores por Cristo conseguiram evitar um mal terrível e muitíssimo comum no meio dito “evangélico”, a propagação de erros teológicos, heresias e mensagens humanistas nas letras das músicas. Se alguém deseja tirar uma prova, selecione aleatoriamente dez letras de canções do VPC, compare com as letras dos dez sucessos “gospel” mais tocados no momento e tire suas próprias conclusões!
 
O outro diferencial está no fato de os Vencedores por Cristo nunca terem promovido seus próprios integrantes à fama. O público cristão, especialmente os maiores de trinta ou quarenta anos, conhece o grupo ou, pelo menos, algumas de suas canções, porém os membros, individualmente, não eram postos em destaque. Sobretudo porque o ministério incluía várias equipes (e esta era a intenção, treinar muitos jovens e enviá-los para o serviço na Seara), o VPC não tem e nunca teve nenhum astro ou estrela em seu meio. Hoje, ao contrário, o mercado musical “evangélico” está repleto de famosos, cercados por tietes, e o tratamento dado pelos fãs aos artistas de sua preferência, lamentavelmente, beira a idolatria. Como consequência, na música “gospel” contemporânea a honra e a glória não pertencem somente ao Senhor Jesus, mas são tributadas, em grande parte, aos cantores e bandas. Nos Vencedores por Cristo, só o Rei dos reis recebe toda honra e toda glória.
 
A igreja brasileira precisa urgentemente de novos ministérios semelhantes aos Vencedores por Cristo. Homens e mulheres dispostos a se unirem num firme propósito de adorar a Deus por meio do louvor musical. Crentes verdadeiramente quebrantados, inconformados com o humanismo, tietagem e heresias reinantes nesta geração, desejosos por exaltar ao Senhor somente – ainda que isso lhes impeça de alcançarem um grande sucesso comercial. Servos de Cristo, dedicados a compor e interpretar canções com letras bíblicas, cristocêntricas, e melodias belas, suaves, adequadas à adoração. Cristãos autênticos, os quais não procuram aplausos para si próprios nem almejam o enriquecimento à custa da exploração do bendito Nome do Senhor. Adoradores, que não estão preocupados em cantar canções voltadas às necessidades materiais de seus ouvintes, mas anelam por cantar as grandes verdades espirituais. Você, que lê esta postagem, é músico e ama o Senhor Jesus, se dispõe a cultuá-Lo desta forma, na contramão de (quase) tudo que hoje tem sido feito, somente visando à glória de Deus? Que tal colocar as mãos à obra desde já?