sexta-feira, 24 de abril de 2015

Marxismo cristão? Nunca!

As ditaduras marxistas foram (e ainda têm sido) um dos períodos mais sombrios da história. O projeto de uma sociedade livre de opressão, concebido no Século XIX por pensadores como Friedrich Engels e Karl Marx (autor da obra clássica O Capital), começou a se materializar na sangrenta Revolução Russa de 1917, sob o governo de Lenin – responsável pela execução de toda a família real daquele país. Experimentou notável crescimento durante a ditadura de Stalin, época em que pelo menos vinte milhões de cidadãos da Rússia e países vizinhos foram mortos em decorrência das ações militares ou repressivas promovidas pelo déspota da Geórgia (uma matança três vezes e meia maior que o Holocausto Nazista!). Alcançou o Oriente em 1949, na República Popular da China chefiada por Mao Tsé Tung, mentor da chamada “Revolução Cultural”, um período de intensa perseguição contra todo e qualquer suposto “adversário” do regime. E chegou ao Continente Americano uma década depois, na Cuba de Fidel Castro. 

Nos países em que vigorou o socialismo marxista, os direitos e garantias individuais mais primários foram retirados da população. Na cidade de Berlim, o governo da então Alemanha Oriental chegou ao cúmulo de erguer uma muralha com o propósito de impedir que o povo passasse para o lado ocidental, a parte do território alemão não controlada pela tirania marxista. Em Cuba, milhares fugiram do país em embarcações – muitas delas precaríssimas – atravessando o mar até o Estado da Flórida, EUA, a fim de se livrarem do pesadelo Fidel Castro. Até hoje multidões de norte-coreanos sonham em deixar o país, fugindo para a vizinha Coreia do Sul. De fato, o direito de ir e vir nunca foi respeitado nas nações socialistas, assim como o direito à escolha dos próprios governantes, a liberdade de expressão, a liberdade religiosa e tantos outros. A perseguição ao cristianismo ainda é terrível nos poucos lugares onde sobrevive o marxismo, especialmente na Coreia do Norte, que mesmo hoje mantém cristãos em prisões idênticas aos velhos campos de concentração. 

A sedução marxista contaminou muitos, nos quatro cantos do planeta. Em diversas nações, intelectuais, estudantes universitários e gente simples do povo trocaram seus empregos, estudos e famílias por uma vida na clandestinidade, empunhando armas de fogo e aprendendo táticas de guerrilha em organizações esquerdistas. Praticaram assaltos, sequestros e homicídios, tudo pelo sonho comunista. No Peru, o grupo Sendero Luminoso, encabeçado pelo ex-professor universitário Abimael Guzmán, implantou o terrorismo no campo, intimidando camponeses pobres mediante as táticas mais vis, a fim de conquistar aliados. Na Colômbia, as “Farc – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” se uniram aos traficantes de cocaína, gerando uma perigosíssima mistura entre ideologia política e criminalidade. Quanto estrago, quanta loucura, quanta perdição em nome de uma utopia fadada ao fracasso, que é a ilusão de transformar o mundo num lugar de paz e fraternidade através da força! 

Entretanto, há quem se diga cristão e, ao mesmo tempo, socialista. Pior, há quem pense que o projeto marxista é o meio pelo qual Deus irá libertar os oprimidos deste mundo! Existe um grupo de cristãos professos imaginando que os novos céus e nova terra não serão trazidos com o retorno triunfante de Cristo, o julgamento dos incrédulos, a derrota definitiva de satanás, a destruição do pecado, a glorificação dos eleitos, nada disso. Antes, acreditam que as forças opressoras do capitalismo são o real inimigo, e este será derrotado com a ascensão de governos populares, chefiados por operários e camponeses! Pensam que Marx cometeu um “pequeno equívoco” ao incentivar a implantação do ateísmo e a perseguição religiosa, mas, exceto por esse “deslize”, o economista alemão estava antevendo os planos de Deus para a redenção da humanidade quando escreveu “O Capital”! 

Diante de tamanha aberração, resta ao verdadeiro cristão, aquele que acredita nas Escrituras, nas realidades espirituais ali mencionadas e na suficiência de Cristo, repudiar veementemente essa teologia louca e herética, a qual tenta submeter a Palavra de Deus ao projeto humanista e ateu de Marx. Pois o Reino do Senhor não é deste mundo (João 18:36), aqui somos como peregrinos e forasteiros (1Pedro 2:11), nossa luta não é contra a carne e o sangue (Efésios 6:12), nossa esperança em Cristo não se limita a esta vida terrena (1Coríntios 15:19), temos convicção do retorno glorioso do Senhor Jesus à terra (Atos 1:11), nosso verdadeiro tesouro está nos céus (Mateus 6:20) e nosso anelo é vivermos a eternidade com o Senhor (João 14:3). E, sendo assim, socialismo e cristianismo representam duas cosmovisões absolutamente antagônicas e duas crenças totalmente incompatíveis. Marxismo cristão, nunca!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A calamitosa situação da igreja evangélica brasileira no Século XXI

Desde a chegada dos primeiros missionários europeus, logo após a Proclamação da Independência, os quais vieram pastorear imigrantes luteranos de língua alemã, seguidos pelos pioneiros batistas e presbiterianos de língua inglesa e pelos pentecostais da Assembleia de Deus que desembarcaram em Belém do Pará, a chamada igreja evangélica brasileira conheceu uma série de movimentos e tendências, até chegar nos dias atuais, época em que mais de um quarto da população se declara “evangélica”. Em menos de duzentos anos, saltamos de um punhado de pessoas para dezenas de milhões! 

No entanto, a esmagadora maioria das denominações ditas “evangélicas”, de seus pastores e membros adotam um sistema de valores e crenças muitíssimo diferente da doutrina proclamada pelos crentes do passado. Se alguém fizer uma pesquisa séria junto à população brasileira, descobrirá que a fé genuinamente bíblica e cristocêntrica – seja a de tendência tradicional ou a carismática – é compartilhada por uma parcela reduzida do nosso povo. De fato, o que se entende hoje por “igreja evangélica” não tem relação alguma com a doutrina expressa nas Confissões de Fé clássicas (de Ausburgo, de Westminster, a Confissão Batista de Londres, etc) ou com aquela sistematizada nas obras dos teólogos assembleianos. Infelizmente, o evangélico brasileiro comum crê em outras coisas. 

A fé do evangélico professo neste início de Século XXI é moldada por líderes como Edir Macedo, R. R. Soares, Valdemiro Santiago e o casal Estevam e Sônia Hernandes. Não tem absolutamente nenhuma relação com o ensino de Lutero, Calvino, Weslley, Spurgeon, Daniel Berg ou David Wilkerson. Não possui raízes na teologia de Agostinho e Atanásio, nem nos escritos dos apóstolos Paulo, Pedro e João. Não olha para o Senhor Jesus, o Cordeiro de Deus que veio ao mundo, não para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos. É uma doutrina nova, criada em meados do Século passado e popularizada no presente, de conteúdo paupérrimo, sem profundidade alguma. Não simples (aliás, isso seria uma virtude), mas simplista, banal, rasa. E, o mais grave, não conduz a Cristo; antes serve à carne, à velha criatura não salva, não regenerada. 

Primeiramente, o evangélico brasileiro, assim como a maioria da população, não gosta de ler. Lê tão-somente alguns versículos da Bíblia, os que contêm alguma promessa ou palavra de encorajamento, e livrinhos de poucas páginas escritos pelos líderes das denominações mais populares. Também, como um “bom brasileiro”, ama assistir à TV, e costuma acompanhar programas televisivos como “Show da Fé”, “Vitória em Cristo”, etc (nos quais a maior parte do tempo é usada em pedidos de ofertas, ataques pessoais velados e propaganda). Consequentemente, o conjunto de valores e crenças desse evangélico padrão é extraído de livros motivacionais de trinta ou quarenta páginas e da programação “evangélica” apresentada na televisão, sendo “complementado” pela pregação de domingo do pastor local (que sofre das mesmas limitações citadas acima). 

Além disso, o evangélico brasileiro comum gosta muito de ouvir música gospel, e, como não conhece as Escrituras, se permite ser doutrinado pelas letras das canções de “louvor” (lamentavelmente, escritas em sua maioria por artistas que também não entendem nada de Bíblia e teologia). Dessa forma, refrãos musicais flagrantemente contrários aos ensinos bíblicos, contendo mensagens humanistas, revanchistas ou expressando um entendimento equivocado sobre batalha espiritual são tratados como se fossem expressões autênticas da Palavra de Deus. E isso contribui ainda mais para consolidar o erro na mente do ouvinte, que já come e bebe heresias dia e noite. 

Como fruto da ignorância teológica e bíblica, o típico evangélico brasileiro não entende que a razão da sua própria existência é a glória de Deus. Não se considera um pecador indigno, incapaz de, por méritos pessoais, agradar ao Senhor. Antes, considera-se “fiel”, porque crê em Jesus, dá o dízimo e não pratica certos pecados específicos. Entende que, sendo filho, tem o direito de exigir a realização de todos os seus sonhos (e o Pai Celeste, a obrigação de cumpri-los). Espera resolver cada um de seus problemas “amarrando o diabo” e “determinando a vitória” em nome de Jesus. Crê em maldições hereditárias. Acredita que até os crentes podem ficar endemoninhados. Só pensa na eternidade quando a morte se aproxima. Confunde emoção e barulho com manifestações do Espírito Santo. Seu anelo é ficar rico e desfrutar abundantemente dos bens materiais. Imagina que a salvação é obtida através da repetição de uma simples oração “aceitando Jesus”. Detesta a pregação expositiva do Evangelho, mas vibra com as palestras motivacionais. Pensa que o pregador mais “espiritual” é o que não prepara o sermão e só fala de improviso. Não se preocupa com reverência. Acha que a oração do pastor é “mais forte” que a do membro. E por aí vai! 

Essa visão mesquinha, egoísta e distorcida das Boas-novas leva o evangélico comum a não se importar com o seu testemunho pessoal. Quem não tem como objetivo viver para a glória de Deus e ignora as exortações bíblicas sobre o dever do cristão de ser “sal da terra e luz do mundo”, fatalmente torna-se desleixado nesse quesito. É lógico que a maioria evita pecados escandalosos e grosseiros (exemplos: adultério, embriaguez), mas não vê problema algum em contar fofocas, causar intrigas, deixar de pagar as contas em dia, assistir a filmes e programas de TV repletos dos piores valores mundanos, ser orgulhoso, divertir-se com piadas imorais, zombar do próximo, vestir-se sem nenhum pudor e modéstia, tomar emprestado e não devolver, trabalhar de forma desidiosa, descumprir compromissos, participar de discussões de baixo nível, insultar pessoas, enfim, manter um comportamento idêntico ao da média dos incrédulos. 

Por tudo isso, a situação da igreja evangélica brasileira neste Século XXI é calamitosa. Por sua profunda ignorância bíblica e doutrinária. Por seus líderes desprovidos de conhecimento teológico, arrogantes, marqueteiros, amantes do dinheiro, que vivem tentando levar para as suas igrejas os membros de outras denominações. Pelo falso louvor musical, o qual usa ritmos da moda para embalar letras grotescamente antibíblicas, repletas de heresias. Por seu púlpito contaminado, de onde são proferidas palestras motivacionais domingo após domingo, enquanto a pregação do Evangelho é posta em terceiro plano. Pelas suas práticas bizarras, típicas de quem não lê a Bíblia, não ora e não tem vida devocional nenhuma. Por seu amor ao dinheiro e aos bens materiais, que são o seu verdadeiro tesouro e o anseio maior de seu coração. Pela completa ausência de santidade, que gera um vergonhoso testemunho público. 

Ah, quem dera fôssemos, ao invés de cinquenta milhões de “evangélicos”, dez milhões de crentes autênticos! Ah, se alguns milhares de pastores deixassem seus ministérios e fossem aprender a Palavra do Senhor em seminários comprometidos com a sã doutrina! Se a maior parte dos líderes famosos simplesmente se aposentasse e dedicasse o resto da vida a gastar sua fortuna bem longe do povo de Deus! Se a vendagem de CDs e o interesse por shows “gospel” caíssem a menos da metade, e só sobrassem grupos interessados em cantar louvores ao Rei dos reis, sem ambicionar o megaestrelado! Se no lugar de mil novos livros de autoajuda fossem publicadas cinquenta obras de sólido conteúdo teológico! Que maravilha seria se não tivéssemos nenhuma construção faraônica com capacidade para cinco ou dez mil pessoas de uma só vez, e sim muitos templos onde cem, duzentos ou quinhentos servos de Deus O cultuassem em espírito e em verdade! Quem dera a “teologia” da prosperidade e o movimento “gospel” deixassem de existir no nosso país, e em lugar deles tivéssemos o Evangelho de Cristo! Oh, Senhor, tem misericórdia da igreja brasileira!

terça-feira, 31 de março de 2015

Aos seguidores de Karl Barth

Karl Barth foi um dos maiores teólogos do Século XX. As obras do famoso pastor suíço natural da Basileia, considerado o pai da “neo-ortodoxia” protestante, têm influenciado gerações de obreiros e estudiosos de teologia há quase cem anos, desde a publicação da clássica “Carta aos Romanos”, de 1919. Este Blog não segue as ideias de Barth, aliás, discordamos de várias delas, por divergirem do entendimento cristão reformado tradicional em que cremos. Mas nutrimos por ele grande respeito e o consideramos um servo de Deus, o qual amou a Cristo, reconhecendo-O como único Senhor e Salvador. 

Entretanto, constatamos que muitos dos seguidores de Karl Barth da atualidade têm falhado naquilo que o mestre suíço tinha como seus pontos fortes. Pois grande parte dos barthianos contemporâneos desprezam algumas das lições mais importantes que se percebe na trajetória de vida de Barth. Esta é a razão de ser da presente postagem, um texto dirigido especialmente a tais pessoas. E é com temor que o fazemos, reconhecendo que entre elas há doutores e doutoras em teologia, homens e mulheres dotados de notório conhecimento acadêmico. E que muitos dos tais são pessoas amabilíssimas, corretas, cheias de virtudes de caráter. Por isso convidamos você, que hoje segue os passos de Karl Barth, a ler este texto, pois o Senhor, que fala através de iletrados e até de jumentas, pode ter algo a lhe dizer. 

Primeiramente, recordemos o início da carreira de Barth. O então jovem pastor da Basileia era um adepto do liberalismo teológico, socialista, filiado a um partido político de esquerda. Mas então experimentou um grande desgosto ao ver diversos de seus mestres apoiarem abertamente a política bélica do imperador alemão da época. Logo depois veio a Primeira Guerra Mundial e a sensação de perplexidade diante dos horrores experimentados na culta Europa, justamente quando se cria ter a humanidade atingido níveis excelentes em conhecimento e civilidade. Tudo aquilo fez Karl Barth rever suas ideias, voltando-se para Cristo e as Escrituras. 

Em segundo lugar, consideremos a relação de Barth com as Escrituras. Embora formado num ambiente acadêmico no qual reinava o liberalismo, onde todo o conteúdo bíblico que não pudesse ser comprovado cientificamente era descartado, o teólogo Suíço passou a reconhecer o livro sagrado como a testemunha de Cristo, o meio através do qual Deus nos fala eficazmente. Sua postura diante da Bíblia era de temor e reverência, se comparada à da maioria daquela geração. Prova disso foi a sua reação diante do programa de demitoligização do alemão Rudolf Bultmann (pelo qual se propunha desconstruir todos os “mitos” bíblicos, isto é, milagres e eventos sobrenaturais). O ceticismo e a crítica aberta de Bultmann às Escrituras causaram o rompimento definitivo e irreversível entre os dois teólogos. 

Finalmente, vale lembrar qual era o entendimento dele a respeito do significado de teologia. Barth considerava um absurdo que se transformasse a teologia em ciências da religião. A partir do estudo sobre o pensamento de Anselmo de Canterbury, Karl Barth elaborou a Teologia da Palavra, afirmando que esta não pode ser feita objetiva e friamente, mas somente tendo em conta a revelação feita por Deus em Cristo, a qual é recebida por graça mediante a fé. Disse também que só se pode fazer teologia com oração e em obediência. E que apenas por meio da fé, jamais da razão humana, é possível compreender a Deus e Sua revelação. 

É verdade que Barth não compartilhava do entendimento tradicional dos cinco Solas, a essência da fé cristã evangélica reformada. Não reconhecia a inerrância bíblica, negava a condenação eterna dos incrédulos e outros pontos importantes na teologia de precursores como Lutero e Calvino. Porém, seus escritos e experiências mostram um homem desiludido com socialismo e política, decepcionado com o liberalismo teológico, desgostoso com o “academicismo” e o tratamento frio e racional dado às Escrituras nos seminários, disposto a crer na Bíblia e obedecê-la, humilde e reverente diante da majestade de Deus e de Seu Filho Jesus Cristo. São estas características que nos levam a respeitar Karl Barth, ainda que dele discordemos em diversas questões. 

Aos barthianos de hoje, muitos dos quais demonstram uma confiança tremenda nos partidos de esquerda e nos ideais socialistas, amam a teologia liberal, têm um prazer incrível nos debates sociológicos e filosóficos em torno da religião praticados nas universidades, criticam a Bíblia com uma tranquilidade assustadora (especialmente quando estão ministrando aulas nos seminários teológicos), apoiam uma série de práticas simplesmente incompatíveis com a mensagem bíblica (aborto, “casamento gay”, etc) não demonstrando nenhuma disposição em sujeitar-se aos padrões de Deus contrários à cultura vigente, nossa exortação é que mirem-se no exemplo de Karl Barth. Pois o pastor da Basileia, embora sujeito a imperfeições e falhas como qualquer ser humano, soube humilhar-se diante da mão poderosa do Senhor, e essa foi a sua força e o seu principal ensino. E que, considerando a peregrinação de Barth, do liberalismo rumo à ortodoxia, não tomem o caminho inverso, nem mesmo se detenham onde ele parou; antes, caminhem ainda mais que ele em direção à fé cristã bíblica ensinada por Cristo e divulgada pelos apóstolos. Que o Senhor os abençoe!

quinta-feira, 26 de março de 2015

O Credo Apostólico na mente de um liberal

O Credo Apostólico é um dos documentos mais essenciais da fé cristã. Cada uma de suas declarações trata de pontos perfeitamente corretos e absolutamente inquestionáveis para todos nós que cremos e confessamos a Jesus Cristo como Senhor. Seu conteúdo é puramente bíblico, por isso nenhum cristão adepto de uma teologia ortodoxa, fundada na Palavra de Deus, sequer cogita a possibilidade de duvidar das verdades ali contidas. 

Para os adeptos do liberalismo e neoliberalismo teológico, a coisa não é bem assim. Embora as denominações dirigidas por homens seguidores dessas correntes teológicas adotem o Credo Apostólico (algumas o incluem na liturgia do culto), a verdade é que os teólogos de cunho liberal ou neoliberal não creem nas palavras daquela clássica profissão de fé. Nesta postagem nós tentamos decifrar o que se passa na mente de um deles quando recita o Credo. Não com base em “achologia”, mas no que muitos deles deixam transparecer. O resultado seria mais ou menos este: 

– Creio em Deus Pai Todo Poderoso, Criador do céu e da terra. 
(“Mas não um Pai presente, que Se revela com clareza! Também não aquele Criador narrado em Gênesis. Pois tem o Big Bang, a Evolução das espécies...”). 

– E em Jesus Cristo, Seu Filho unigênito, nosso Senhor. 
(“Não existem provas sobre isso. Quem será o Jesus histórico, se retirarmos os mitos sobre Ele que estão na Bíblia?”). 

– O qual foi concebido pelo Espírito Santo. Nasceu da Virgem Maria. 
(“Isso é um mito. Onde já se viu ser concebido dessa forma?!!!”). 

– Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. 
(“Isso pode até ser verdade, mas não há provas históricas suficientes”). 

– Desceu ao Hades, ressuscitou no terceiro dia. 
(“Outro mito”). 

– Subiu ao céus, está assentado à direita de Deus Pai Todo Poderoso. 
(“Isso não pode ser verificado historicamente”). 

– De onde virá para julgar os vivos e os mortos. 
(“Não podemos ter certeza quanto a esse futuro retorno de Jesus à terra. E certamente não haverá julgamento nenhum, pois, se Deus é amor, não pode condenar ninguém”). 

– Creio no Espírito Santo. 
(“Não temos condições de saber exatamente quem ou o que é o Espírito Santo”). 

– Na santa Igreja universal, na comunhão dos santos. 
(“Não somente a comunhão da Igreja. Precisamos incluir os budistas, espíritas, judeus, muçulmanos, esotéricos, etc. Não há religiões certas ou erradas”). 

– Na remissão dos pecados. 
(“De todos os seres humanos. Deus salva a todos”). 

– Na ressurreição do corpo, na vida eterna, amém. 
(“Não se pode comprovar a ressurreição do corpo. Deve haver uma vida eterna, mas não temos condições de saber como será”). 

E então, alguém deseja ser pastoreado por um líder com esses pensamentos e valores? É essa a teologia que queremos na nossa igreja? Pense nisso, caro(a) leitor(a)!

sábado, 14 de março de 2015

Piso (e teto) salarial para pastores

Um dos maiores motivos de escândalo para as igrejas na atualidade é a torpe ganância de pastores (ou bispos, “apóstolos”, missionários, etc), homens que se enriquecem no ministério, alcançando altíssimos padrões de vida com o dinheiro de dízimos e ofertas. A opulência desses maus obreiros, adeptos da “teologia” da prosperidade, causa repulsa até nos ímpios, tamanho é o contraste entre as fortunas daqueles e a vida simples e humilde vivida pelo Senhor Jesus enquanto esteve na terra em forma visível de homem. 

Por outro lado, existem outros em situação inversa. São crentes no exercício do ministério pastoral que trabalham intensamente e ganham pouquíssimo, verdadeiros salários de fome, mal tendo condições de prover o sustento de suas famílias. Talvez seja esta a situação da imensa maioria dos pastores missionários espalhados pelos quatro cantos do Brasil, homens vivendo sem férias ou descanso, com horário certo para começar a lida diária (de manhã bem cedo, quase de madrugada), mas sem hora para parar. 

As Escrituras repreendem veementemente quem transforma o ministério em fonte de lucro, movido pelo amor ao dinheiro (conforme 1Timóteo 6:3-10), mas também determinam que haja salário digno para os ministros do Evangelho (ver Lucas 10:7). Por uma questão de bom senso, entendemos ser justo conceder aos pastores um valor mensal suficiente para a provisão das necessidades materiais dele próprio e de seus familiares (alimentação, educação, saúde, transporte, moradia, vestuário, lazer, etc). Todavia, não convém pagar valores astronômicos a alguém em troca do trabalho na seara do Senhor. Sobretudo porque os salários exageradamente altos tornam-se uma cilada para quem os recebe, pois geram corrupção no coração humano. Uma solução razoável seria estipular um piso salarial para pastores, e também um teto salarial. 

Evidentemente, o pastorado não é uma ocupação qualquer. Médicos, engenheiros, operários, professores, advogados ou enfermeiros não terão que prestar contas ao Senhor pelo destino eterno das almas de seus clientes, pacientes, alunos, patrões ou colegas de trabalho, mas os pastores responderão, sim, por cada ovelha que vierem a negligenciar. A proposta de um piso e um teto salarial para os ministros do Evangelho pode inicialmente soar como algo estranho, mas o propósito é garantir a dignidade no exercício ministerial, e ao mesmo tempo coibir a farra dos falsos mestres, marajás da fé, servos de mamom, que tanto envergonham o povo de Deus. 

Naturalmente, o piso e o teto seriam para quem exerce o ministério em tempo integral. Existem muitos pastores trabalhando em profissões seculares oito horas por dia (o que é lícito), e sua dedicação ao pastorado se dá em tempo parcial, em algumas noites durante a semana e aos domingos. São um caso a parte, devem ser remunerados sim, mas não tanto quanto os de dedicação integral. Outro fator importante é que o salário do pastor vem dos dízimos, e algumas congregações são pequenas, outras grandes; umas possuem membros de classes média e alta, enquanto outras são formadas por gente pobre e sem recursos. Logo, o salário do pastor deve ser proporcional ao tamanho da congregação e à renda dos irmãos (levando-se também em conta os anos de exercício ministerial, questões de hierarquia e a formação teológica). 

Como piso, entendemos o seguinte. O pastor exerce um papel de liderança em sua comunidade e deve ser honrado por ela. Isso é bíblico. Sendo assim, deveria receber um valor mínimo correspondente ao dobro da renda média dos membros que trabalham (não da renda familiar, mas da renda pessoal dos trabalhadores assalariados). Por exemplo, numa congregação cujos membros ganham, em média, um salário mínimo e meio, o pastor receberia pelo menos três salários mínimos. Em outra, na qual a renda média é de três salários mínimos, o pastor ganharia não menos do que seis salários mínimos. Se uma congregação é muito pequena, não recebe repasses (de uma matriz, ou Sede) e não possui condições de conceder ao pastor essa remuneração, também não pode exigir que ele se dedique exclusivamente ao ministério. O obreiro precisa então ser liberado para ter sua própria profissão secular, a fim de sustentar a si mesmo e à sua família, e seu tempo semanal de dedicação ao pastorado será menor. 

Para o teto, poderia ser estipulado o valor máximo de oito vezes a renda média dos trabalhadores assalariados da igreja. Tal salário deveria ser reservado exclusivamente aos ministros que atingissem simultaneamente esses três requisitos: 1) ter longa experiência e bons conhecimentos teológicos; 2) pastorear uma congregação numerosa; 3) pastorear uma congregação de pessoas de baixo poder aquisitivo. Por exemplo, imaginemos uma igreja com dois mil membros, a qual demanda imensos esforços e dedicação de seu pastor dirigente, um homem com vinte anos de labor na seara de Cristo. Suponhamos que, nessa congregação específica, a renda média dos irmãos trabalhadores assalariados seja de apenas um salário mínimo. Seria extremamente injusto pagar um valor baixo ao obreiro com tão grandes responsabilidades. A renda mensal de oito salários mínimos lhe garantiria dignidade para exercer suas funções, podendo prover o sustento do seu lar com tranquilidade. 

Ainda no que tange ao teto salarial, seria prudente estipular um valor máximo geral (independente da congregação pastoreada), proporcional à renda média mensal dos trabalhadores brasileiros. Hoje, o brasileiro ganha em média R$1.795,53, segundo o IBGE (conforme o site Portal Brasil). Entendemos ser justo fixar como valor limite para o salário de quem exerce o ministério pastoral o equivalente a seis vezes essa média nacional (atualmente, R$10.773,18). A razão é simples: não é bom que um ministro do Evangelho alcance um padrão de vida absurdamente superior ao do povo que ele próprio se propõe a pastorear. Não mediante o salário recebido de sua igreja. Se o obreiro deseja um ganho maior, que complete sua renda com uma profissão paralela (exemplo: professor universitário, escritor, etc). 

Um piso e um teto. O valor mínimo, estabelecido para evitar que um homem seja explorado por sua própria congregação, trabalhando excessivamente, dedicando-se de corpo e alma à causa do Reino de Deus sem obter uma contraprestação decente. O valor máximo, fixado para coibir a mercantilização da fé, o enriquecimento no exercício do pastorado, a supervalorização de um líder que deveria primar pela humildade e jamais cobiçar os tesouros deste mundo. Esses valores de referência, como não estão determinados em nenhuma lei, seriam observados somente pelas denominações que desejassem fazê-lo. Mas, quem sabe, uma proposta nesse sentido teria a vantagem de levar o povo de Deus a uma reflexão acerca do significado e importância do pastorado. E, ao mesmo tempo, exporia a feiura da avareza, tão comum entre os (maus) pastores. Esta é apenas uma ideia, algo a ser pensado. Que outras ideias surjam, práticas sejam revistas e o Nome do Senhor seja glorificado!

domingo, 8 de março de 2015

A maneira certa de cultuar a Deus

A Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres que prestaram um culto agradável a Deus. Desde a oferta de Abel, tirada da gordura das primeiras crias de suas ovelhas, até o culto de Maria, mediante o derramar de um bálsamo de puro nardo sobre a cabeça e os pés do Senhor Jesus, as Escrituras nos ensinam como devemos cultuar ao Senhor. Dentre os diversos princípios bíblicos a respeito desse tema, um dos mais esquecidos e desprezados pelas igrejas contemporâneas é o entendimento de que cultuar é doar-se, oferecendo algo a Deus. 

O que pretendemos quando vamos a um culto no templo? Qual é a nossa real motivação? Manter um hábito, encontrar com os amigos, assistir a um show, receber alguma bênção? Será que Deus é o centro do nosso interesse, o alvo da nossa adoração? Qual é o espaço que Ele tem ocupado no nosso culto coletivo? Este texto pretende tratar de atitudes simples, mas de grande significado, que precisamos voltar a adotar nas reuniões de nossas igrejas, se é que pretendemos cultuar ao Senhor da maneira certa. 

Em primeiro lugar, devemos cultuar a Deus com nossa reverência. Chegar no templo e tomar o assento antes do horário de início da reunião, permanecer calado, não levantar e caminhar pelos corredores durante o culto (exceto por um motivo justo), não assentar-se de qualquer jeito, vestir-se adequadamente, não chupar balas nem mascar chicletes ali, deixar o celular desligado ou no modo silencioso, não passar mensagens via “Whatsapp”, não bocejar, etc. Pois, se respeitamos autoridades humanas (por exemplo, ninguém se porta inconvenientemente durante uma audiência num Fórum, diante de um magistrado), quão maior deve ser o nosso respeito frente ao Deus Onipotente, Criador dos céus e da terra! 

Segundo, precisamos modificar completamente o nosso louvor cantado. Certas denominações admitem qualquer tipo de música no culto, incluindo funk carioca, axé baiano, forró e heavy metal! E também toleram letras humanistas, ou com mensagens incentivando a vingança, e até mesmo letras contendo gravíssimas heresias! Por isso existe gente dançando de maneira sensual dentro do templo e há tantos irmãos cheios de mágoas e sentimentos de autopiedade. As canções “de louvor” da atualidade são, em grande parte, culpadas disso tudo. Com essas músicas jamais agradaremos ao Senhor, elas não servem para o culto! Devemos substituí-las imediatamente por canções de melodia suave e letras bíblicas, capazes de despertar desejos piedosos nos corações dos ouvintes. 

Terceiro, não devemos abrir espaço para “atrações” e “novidades” nas reuniões da igreja. Teatros e números de dança não são, em si mesmos, pecados. É possível alguém representar uma peça teatral ou dançar para a glória de Deus. Mas o momento adequado para essas coisas não é durante o culto coletivo! Existem denominações evangélicas promovendo competições de luta livre em suas reuniões! Certa igreja carioca promoveu um “batismo” num toboágua! Acontece que o culto não pode ser transformado em mera fonte de diversão para as pessoas presentes. Por isso, essas e outras coisas semelhantes, que são atrações seculares, podem ser feitas lá fora, nos clubes e auditórios, mas não no culto. 

Quarto, nenhum tipo de estrelismo pode caber no nosso culto. Quantas igrejas têm convidado artistas “gospel” e “pregadores” (ou melhor, palestrantes motivacionais) famosos somente para encher o templo! Certos cantores e cantoras têm recebido tratamento de superstars, cercados por fãs com postura de tietes. Alguns palestrantes arrancam aplausos dos irmãos em vários momentos durante suas mensagens. Que loucura, que insensatez, que delírio é esse de aplaudir o homem durante o culto ao Senhor! Isso é idolatria, é honrar e servir a criatura em lugar do Criador! O púlpito de muitas denominações não passa de um palco, ou, em alguns momentos, um picadeiro de circo! Mas nas verdadeiras igrejas o ser humano não pode ser a estrela em hipótese nenhuma! 

Poderíamos ir além. Mas, por ora, meditemos no seguinte: o motivo correto para sairmos de nossos lares nos domingos, nos dirigirmos a um templo e passarmos uma hora e meia ali, não pode ser outro senão este, o de cultuarmos a Deus. Adorarmos, servirmos, ofertarmos o nosso coração Àquele que nos criou, salvou, transformou e, um dia, nos glorificará. Isso precisa ser o suficiente, não é possível que precisemos nos divertir, dançar, ouvir um palestrante famoso, assistir a um show! Por isso, vamos rever nossa postura, nossas atitudes e nossos conceitos. É hora de mudança, de promovermos uma grande faxina no nosso meio e jogarmos fora muita coisa, para voltarmos a agradar ao Senhor como nossos irmãos do passado agradaram. Que Deus nos ajude!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Hipocrisia (parece igreja, mas não é)

Em meados da década de 1980 havia um comercial na TV de um shampoo anticaspa, anunciado como “aquele que parece, mas não é”. Dois garotos-propaganda falavam sobre as características do produto, e um deles dizia: “parece remédio... tem cheiro de remédio... tem cor de remédio...”, ao passo que o outro reiteradamente respondia: “mas não é!”. O referido anúncio publicitário, famoso na época, veio-nos à memória hoje, quando refletíamos sobre a situação da igreja. Pois, assim como o produto que à vista parecia um remédio e, no entanto, não era, existe também um agrupamento de pessoas parecido com uma igreja. Mas, definitivamente, não é. 

Aqui não estamos falando de “teologia da prosperidade”, nem do oba-oba “gospel” (o falso evangelho que promove entretenimento para atrair multidões), tampouco das manifestações bizarras de gente rolando, uivando e dando gargalhadas durante as reuniões. Honestamente, essas coisas não se parecem nem um pouco com as práticas das verdadeiras igrejas cristãs, e mais se assemelham aos espetáculos do mundo. Falamos de algo muitíssimo mais sutil, um grupo de pessoas com aparência de piedade. Gente que se veste com pudor e modéstia, adota um linguajar moderado e sem palavras torpes, carrega suas bíblias debaixo do braço, gosta de cantar hinos cristãos clássicos, ora com entonação de voz fervorosa. Mas, secretamente, pratica coisas vergonhosas, totalmente contrárias aos valores bíblicos. São os hipócritas. 

O hipócrita não é aquela pessoa que, uma ou mais vezes, cai em pecado, mas se arrepende e clama a Deus por restauração. Não é alguém que luta para não pecar, e lamenta sinceramente quando peca. A hipocrisia é algo completamente distinto, porque não dá espaço ao arrependimento. Hipócritas não têm dramas de consciência e nem se importam com a vontade de Deus. Sua única preocupação é manter uma boa aparência, apta a impressionar os outros. Como o pastor que abusa de mulheres no gabinete pastoral. O jovem pregador usuário de drogas. A ministrante de louvor que, além de ter um marido, também possui um amante. O líder de jovens cuja vida sexual é tão ativa e suja quanto a dos piores incrédulos. O diácono que, em seus negócios seculares, explora funcionários, sonega impostos e vende mercadorias falsificadas. A líder de círculo de oração que, através de fofocas e intrigas, arruína ministérios, abala casamentos e destrói amizades, por pura inveja. 

A única motivação para o hipócrita estar na igreja é a conveniência. Ele deseja ganhar dinheiro, manter um prestígio social, ser aprovado por seus familiares, conquistar a admiração de outras pessoas, etc. Porém, nunca nasceu de novo, jamais foi convencido de seus pecados pelo Espírito Santo, não ama a Deus e despreza a lei do Senhor. Se algum dia, por qualquer motivo, perceber que lhe é mais vantajoso abandonar a igreja, fará isso sem pensar duas vezes. Quando as iniquidades de tal pessoa são descobertas, os irmãos verdadeiros perdem o chão, pois nunca poderiam imaginar que aquele homem ou mulher em quem tanto confiavam vivia secretamente mergulhado em perdição. 

Não é sem motivo que o Senhor Jesus por diversas vezes repreendeu veementemente os hipócritas de Israel. O Mestre preferia expor o Evangelho aos publicanos e meretrizes, os piores párias da sociedade, pois estes O ouviam e eram levados ao arrependimento. Que Deus tenha compaixão de nós hoje e afaste do nosso meio as pessoas semelhantes aos fariseus e escribas dos tempos de Cristo, gente que se veste como crente, fala como crente, cita a Bíblia como crente, ora (ou finge orar) como crente, age publicamente como crente, mas, em oculto, pratica as piores maldades, fria e despreocupadamente. Porque os tais podem causar estragos terríveis ao povo de Deus, levando muitos à decepção e desânimo. Exatamente porque parecem ser parte da igreja de Cristo, mas não são.